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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

30
Jul14

Serviço Público: Como chegar à Cascata de Vila Nova de Milfontes

Maria das Palavras

Na semana passada estive em Vila Nova de Milfontes com amigos. Toda a gente já tinha ouvido falar da cascata, só nunca nenhum de nós a tinha visto. Ou sabia muito bem onde ficava. As informações são muito escassas e o Google Maps, neste caso, ajudou pouco. Levávamos meias indicações, alguns diz-que-disses e uma pequena legenda de mapa que dizia para seguir as marcas. 

Chegados ao ponto onde sabiamos que devíamos deixar o carro (a partir daí só com um todo-o-terreno) começámos a ver as tais marcas. Só podia ser aquilo: setas brancas pintadas no chão. Continuavam ao longo do percurso. Um longo percurso. Um percurso longo demais. Já tínhamos passado clareiras, ouvido água a correr ao longe (que també podia ser só o vento a dar nas árvores), passeado à beira de um ribeiro, passado uma ponte improvisada, feito filmes a prever o novo Projeto Blair Witch (versão Milfontes) quando, com as silvas a dar pelos joelhos e os fetos a fazer cócegas no nariz, desistimos e decidimos voltámos para trás.

Setas para a cascata de Milfontes (ou não)

 

Sou capaz de ter omitido que além de setas brancas o percurso era acompanhado por algumas faixas rasgadas. Que diziam "biking". Sim, estavamos a seguir um percurso BTT (uma prova, que a julgar pela vegetação selvagem, já tinha decorrido há uns bons meses...anos?). Claro que a nossa fé nos levava a crer que - nas palavras de um qualquer sábio: uma coisa era uma coisa e outra coisa era outra coisa. As setas eram para a cascata. As faixas eram para as bicicletas. Ou então as bicicletas tinham o percurso até à cascata. Qualquer coisa assim, que em voz alta continua a não fazer sentido.

Portanto voltámos para trás e desta vez prestamos mais atenção à primeira clareira que encontrámos, ainda seguindo o caminho das setas - e que agora tinha uma mota estacionada ao pé. Uma clareira que tem abertura para o tal ribeiro. Onde há umas pedrinhas que permitem saltar para o outro lado. E que permite avistar um pneu de baloiço lá ao fundo.

 

Percurso para cascata de Milfontes

 

Depois de termos feito 2km no caminho errado, decidimos continuar a arriscar. Atravessamos o ribeiro, passamos o pneu e vem de lá um senhor.  Um amigo meu diz que ele tem um machado na mão (muita TV Cine é o que é), o outro concorda. O machado era um capacete. Estão a ver a semelhança? Eu também não.

Percurso para a cascata de Milgontes II

 

O senhor também não era um assassino, era um homem da terra que lá nos indicou que a cascata era de facto por ali e que estava seca. Que de qualquer forma era muito bonita. Não avisou que ainda íamos andar aos saltaricos por bocados de charco com sapos, muita lama e troncos caídos para lá chegarmos. Mas para quê estragar a surpresa, não é?

 

Lá chegámos. Estava de facto seca. Era de facto bonita. E para que ninguém tenha de palmilhar tanto como nós para lá chegar, eis como podem fazer o percurso: começam por seguir estas indicações e depois a cascata é exatamente nestas coordenadas (Google) 37.753233, -8.717605. Se colocarem o percurso até este ponto no Google ele vai dar o percurso que vai ao topo da cascata e não lá abaixo, por isso proponham que sigam mesmo as primeiras indicações (que começam ao virar na 6ª saìda à direita de quem vem da rotunda da Brunheira, do lado de Milfontes), depois ao encontrar a clareira, passam a ribeira que tem o pneu do lado de lá e continuam até encontrar...isto:

 

 

Cascata de Vila Nova de Milfontes

 

 

 

 

 

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29
Jul14

Das palavras #6 - Amo-te

Maria das Palavras

Eu é que sou - de fama, sei lá de proveito - "a-que-tem-jeito-para-as-línguas", mas tu é que dizes sempre as palavras certas no momento exato. 
Tu é que me roubas a respiração e qualquer discurso em cinco letras e um hífen. 

 

E, diz quem sabe, em português dizer que se ama custa mais. Amo-te é mais pesado que I Love You ou Je T'Aime.

 

Uma palavra tão pesada...e a p*ta da leveza com que a dizes. 

Eu também.

 

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29
Jul14

Adormecer? Primeiraaas!*

Maria das Palavras

Já a minha mãe dizia que eu em pequena (desde a primeira noite no hospital) dormia noites inteiras sem querer parar sequer para mamar.

Ainda hoje batem as 11 da noite e eu qual Cinderela com o relógio adiantado, começo logo a virar abóbora. Não quer dizer que não possa estar desperta, se estiver entretida com alguma coisa, ou entre convivas, mas se nesse minuto me derem ordem para dormir, consigo virar-me para o lado e adormecer em minuto e meio.

 

Isto independentemente das preocupações. Quando me proponho a dormir, acontece. Felizmente não é só a dormir que sou eficiente, senão teria muitos problemas.

Para mim, uma insónia só não é como um unicórnio porque já as vi (a minha mãe e irmã têm larga experiência na arte de não conseguir dormir).

 

Isto escrevo eu, a lutar para não ter sono - nota-se muito? - porque o meu rapaz está a trabalhar de noite e  eu estou de folga amanhã. Pediu-me que aguentasse para depois dormirmos um pouco juntos quando ele chegar. Sim, porque também tenho mania de me levantar cedo. Para mim nove ou dez em dia de folga não é cedo, mas para a larga maioria dos meus amigos é aqui que está o unicórnio.

 

E os convidados do 5 Para a Meia-Noite hoje também não estão a ajudar...

*Ali o "primeiras" lê-se com entoação de Bicha do Demónio que vai beber uma bica à Brasileira. Para quem não conhece, estou a falar disto. Não espero que achem graça. Eu própria não entendo o magnetismo que estes vídeos têm para mim.

 

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27
Jul14

Uma imagem (não) vale mais que mil palavras

Maria das Palavras

As imagens são capazes de transmitir imagens fortes e num instante, é verdade. Mas as palavras descrevem de forma lenta, deixando-te saborear o cenário e criar na tua cabeça a imagem que quiseres. Não sei de uma imagem que me tenha alguma vez emocionado ou feito sentir tanto como ler um bom livro. Criar uma imagem de forma original é brincar com os elementos da cor e da forma à vontade. Criar com letras e palavras, é ficar constrangido por regras gramaticais e ser original com e apesar destas, o que torna tudo mais rico. 

Birds on a Wire by GramMoo (from DeviantArt)

There’s a bit in there [the movie Words and Pictures] where he talks about the birds on the wire like punctuation for an invisible sentence and that hits you really strongly. But then when you see the birds on the wire, you go ‘Oh, wow!” The two come together and they’re very powerful.

 

Esta frase é do realizador do filme Words and Pictures. Não dava cinco tostões por ele (pelo filma, não pelo homem que nem comheço) e fui vê-lo porque tinha convites para a ante-estreia - já não me lembro sequer do nome em português, mas não o vou procurar, porque a tradução descabida estraga completamente a ideia da história. O trailer tem ares de comédia romântica e não nos dá pista nenhuma sobre as camadas dos atores, nem nos prepara para citações maravilhosas que eu tentei decorar (sem sucesso) enquanto via o filme, como a tal dos pássaros que estão na linha telefónica como se pontuassem uma frase invisível (de John Updike). Fiquei a pensar se não seria o meu filme favorito.

 

Words and Pictures

 

No filme, passado numa escola secundária, quase se geram duas fações, ou equipas, num Palavras VS Imagens. Já devem calcular, pelo nome do blog, se não pelas palavras iniciais que já me traíram que sou toda #TeamWords. Fiquei a pensar se não seria mais criativo e mágico um mundo em que os adolescentes escolhessem ser #TeamWords ou #TeamPictures em vez de #TeamEdward ou #TeamJacob. 

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