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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

29
Nov16

Tudo sobre rodas?

Maria das Palavras

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Esta é mais uma daquelas coisas que provavelmente não teria experimentado se a Odisseias não existisse. Sei que é difícil convencer o Moço para alinhar comigo em experiências de muita adrenalina, mas ele não foi avesso à ideia quando lhe mostrei este voucher. Aproveitei para marcar logo, antes que ele mudasse de ideias. No final de contas quem quase mudou de ideias fui eu...eu explico!


Experimentar uma Moto 4 pelas paisagens de Santarém, com o Moço, pela mata, parecia-me uma ideia idílica. Desde a marcação percebemos que o Carlos era a pessoa certa para fazer esta experiência. Além de ser super simpático e ter conseguido arranjar para nós uma data que nos coubesse no calendário garantindo sol (acabámos por ir com mais algumas pessoas no grupo, dois em cada moto - mas durante mais tempo - e não me arrependo nada) sabe muito sobre o assunto. Não apenas de mecânica, mas de regras de segurança. Sabia aconselhar, explicar e dizer-nos como haveríamos de tirar o máximo partido daquela aventura. Ora o Carlos também está habituado a alguns participantes mais atrevidotes e fez uma série de avisos acerca de coisas que podem correr mal se formos armados em galifões. Eu não sou de me armar em galifona, mas sou meio naba e por esta altura, olhando para a bicha-moto já dizia baixinho ao Moço: se calhar vais sempre tu a conduzir. 

 

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Antes de começarmos fizemos todos primeiro umas voltinhas no ponto de partida, em oitos às árvores. Fui logo a primeira. Pensei: mais vale saber já se me aguento à bronca. Pronto. Adorei. Em vez de deixar o Moço conduzir o passeio todo (que foi cerca de uma hora) fui logo eu a conduzir a primeira metade e tudo. Gostava de vos mostrar a minha perícia, mas o Moço não quis filmar enquanto andávamos. Pensando bem até é melhor assim, porque certamente me iam querer contratar para competição e eu não me quero meter nisso. Mas eu filmei, quando ia sentada atrás dele, ele a conduzir, vejam lá só um bocadinho: 

 

 

Passeámos, vimos tocas de raposas e ratos dos campos, subimos, descemos, rimos. Logo combinámos que haveríamos de repetir, levar mais amigos - sei que vão adorar também. Deixo-vos o conselho de experimentarem também (e aconselho vivamente a M4). Mesmo que achem que não é bem a vossa praia, podem ir a dois, como eu fiz, experimentar e se houver medinhos ir só à boleia, que também é bem bom. E, claro, é mais uma bela sugestão para oferecer no Natal, já que todos os dias me tem chegado uma catrefada de gente ao blog a pesquisar por prendas para homens. 

 

Esta experiência está disponível com este voucher e incluída em vários packs Odisseias, nomeadamente o Boas Festas:

 

Pack Boas Festas Odisseias - Sugestão Maria das Palavras

 

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28
Nov16

Dois dedos de conversa #62

Maria das Palavras

Enquanto ele trata dos restos do jantar eu decido fazer algo que combine (fora da cozinha, que já tinha feito o jantar) e ver um pouco de trash TV. Ele chega a meio de um brilhante episódio de Catching Kelce, onde basicamente um molho de miúdas luta para ser a escolhida "para casar" com um jogador famoso da NFL (giro, por sinal). O conceito é fabuloso (#sóquenão) visto que a questão é sempre se ele se apaixona e por qual delas, e ninguém leva em conta (nem elas) se se vão apaixonar por ele. Isso é dado adquirido. E sim, são todas uns canhões. 
Entretanto chega o Moço, eu estava preparada para mudar de canal, mas ele fica a ver o reality show comigo até ao fim, até a gostar da coisa (reparo no sorriso). 


Moço: Tu vês cada coisa...

Maria: Estás a brincar? Tu gostaste do programa! Estavas só a rir. 

Moço: Estava a rir-me para as gajinhas.

Maria: Ai é? 

Moço: Não te preocupes, meu amor. És a única mulher para mim...

Maria: Ohhh.

Moço: ...porque elas estão longe. 

 

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27
Nov16

Vou processar a minha mãe.

Maria das Palavras

A minha mãe não fez um curso para o parto (convenhamos, se fosse para ter formação teria de ser antes uma de planeamento familiar, visto que eu fui feita na noite de núpcias). Não me teve num hospital privado onde o meu pai pudesse ficar (desconfio que ele não queria), nem sequer visitou antes a ala da maternidade, foi assim ao Deus-dará, feita maluca. Ferveu os biberões no tacho (e hoje em dia nem os esterilizadores de microondas servem, têm de ser elétricos). Passava-me a sopa com varinha mágica, a bestinha (aposto que ficava cheia de grumos). Nunca me pôs em cima de um muda-fraldas, o que torna para mim um mistério saber se andava sempre toda borrada - será que nem fraldas tinha? Ou melhor, é possível não ter muda-fraldas e as crianças fazerem cocó na mesma? Fiquei escandalizada quando me disse que nunca me comprou uma forra de ovo que supostamente apoia a cabeça e protege mais do frio. Ainda nem estava preparada para a bomba: filha, nunca tiveste isso do ovo. O meu carrinho não era trio, era só normal, não tinha manhas de transformer. Aqui culpo o meu pai, pelo triste veículo. Secretamente, também o odeio por não ter trocado de carro dele porque teve uma filha. Era mesmo a 4L e pronto, nada de carrinhas com 9 lugares. E sabem quem me tirava as fotografias? O MEU PAI. Foram incapazes de contratar alguém para me registar momentos num ambiente normal para uma criança (como um ninho de palha ou um ovo da páscoa). 

 

Transporte de bebé - Imagem Pixabay

 

 

Ter um filho não exige a disponibilidade monetária ou a preparação exímia que hoje em dia todos nos vendem como certa. Não precisamos comprar tudo o que está na Chicco (e as outras mães têm) e, sobretudo, não precisamos ser perfeitas ou saber e sentir o que está pré-definido por terceiros. O que mudou não foi a necessidade do bebé. Foi - em muitos casos - a pressão da sociedade. Ninguém pode ter um bebé sem um quartinho montado em cores pastel.  Ninguém pode ter um bebé sem sentir que nasceu para ser mãe. Mentira.

Estou mais que ciente que vou comprar e fazer muita mariquice desnecessária um dia que vá ter filhos (sobretudo as mariquices que poupam tempo e dores, que nos dão segurança real ou imaginária), mas quis escrever este texto para servir de lembrete: Maria, não é preciso. Também a "lei" manda ter cortinas em casa e eu nunca as tive, nem fui menos feliz por isso. 

A minha mãe não teve metade das coisas que hoje são "essenciais" e sabe-se lá como, eu sobrevivi. Pensando bem, não a vou processar. Vou-lhe agradecer.

 

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