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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

28
Mar17

Uma adivinha.

Maria das Palavras

Uma coisa bem catita da casa nova é ter um aquecedor em cima da porta da casa-de-banho. Está bem, gasta energia que temos de ser nós a pagar, mas também é só um bocadinho de manhã e sabe bem que é um mimo. 

 

Então, perguntam vocês, porque é que todas as manhãs tens passado frio para te despir para o duche, Maria?

(pausa para perguntarem)

 

a) Porque sou rija e as mulheres rijas não precisam de aquecimento externo.

b) Porque estou a fazer um esforço de adaptação natural ao clima do norte.

c) Porque logo no primeiro dia me esqueci do aquecedor ligado o dia todo e agora tenho de poupar.

 

Pois...

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22
Mar17

O sacana do belho...

Maria das Palavras

Vocês desculpem-me o palavreado (e o sotaque emprestado) mas não estou capaz de por a coisa de outra maneira. Vocês lembram-se do dia em que me podiam ter cortado a goela porque abri a porta sem perguntar quem era? Pois bem, desta vez perguntei e não valeu de muito. 

 

Eu explico. Cheguei a casa ao fim da tarde. Por agora estou sozinha em casa, o Moço ainda não se mudou, mas não me faz muita confusão que sei que ele há-de vir, vemo-nos com bastante regularidade e no geral sempre fui uma pessoa que gosta de estar sozinha (embora já não o prefira). 

 

Enquanto fechava a porta de casa atrás de mim senti que algum vizinho abria a sua, não percebi bem qual. Ainda estou a pousar as coisas quando me começam a tocar à campainha. Perguntei quem era. Resposta? Mais tocar de campainha. E a pessoa desata também a bater à porta (com força). E a repetir com maus modos "abra a porta". Repeti a pergunta e a voz do homem (que pelo cabelo branco que o olho da porta me mostrou seria de idade avançada) repetiu a não-resposta. Tocar, bater, pedir - ordenar - que eu abrisse a porta sem dizer quem era. Ainda insistiu um bocado. Claro que não abri a porta a um homem arraçado de bruto que não me dizia quem era. 

 

Ocorreu-me ligar à agente imobiliária que tem tratado connosco das coisas (na vez da senhoria) e que mora por perto. Sem lhe contar que tinha ouvido a porta de alguém a abrir, adivinhou logo que talvez fosse o vizinho. Liguei ao Moço que me disse a mesma coisa: devia ser o vizinho que não me conhecia e viu alguém a entrar na casa da frente sem saber quem era - só cá estou há uns dias. 

Pois que fosse! Isso não melhora nada. Pode ser o vizinho e ser louco. Pode ser o vizinho e ter um cajado. Pode ser o vizinho e cortar-me a goela (outra vez este filme). Já me tinha dito a senhora da agência que os vizinhos da frente não eram para dar confiança que se metem muito na vida das pessoas (se bem que acho que aqui toda a gente se mete na vida de toda a gente, mais que na minha terrinha de origem que é bem mais pequena). E já me tinha dito o Moço que o vizinho da frente era mal-educado, que no dia das mudanças entrou pela casa adentro sem pedir permissão a ninguém e se pôs a ver...

 

Enfim, ninguém me pareceu preocupado. A da agência não correu para cá, como eu queria. O Moço desvalorizou que "eu podia bem com o vizinho" e qualquer coisa chamava a polícia. É que nem a Patrulha Pata ia acorrer ao pedido " venham que me está um senhor idoso a bater à porta". Ainda gozavam comigo. E eu feita estátua, às escuras em casa, para não chamar a atenção do vizinho.

 

 

Portanto já sabem: quando ouvirem falar na CMTV da jovem encontrada sem vida no seu apartamento ainda com caixas por arrumar, sou eu. Provavelmente não porque o sacana do velho me fez mal. Mas porque nunca mais saio de casa, que tenho de passar à porta dele para descer as escadas...estou oficialmente barricada e vou falecer de inanição. Mandem água e mantimentos. E qualquer coisa para eu recortar, porque a tesoura não sai do meu lado.

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20
Mar17

Chamei pela minha mãezinha.

Maria das Palavras

Não vos cheguei a contar. No fim-de-semana em que tinhamos basicamente de encaixotar toda a casa de Lisboa (sem falta) recusei qualquer ajuda. Nem era carregar as coisas, era só mesmo reuni-las. Quão difícil poderia ser? Muito. 

Quando chegámos as 20h de Sábado e tinhamos esvaziado exatamente uma (UMA!) divisão comecei a entrar em pânico. Fui até à cozinha beber um copo de água e e quase lacrimejei a pensar nessa divisão - a mais temida - onde nem saberia por onde começar para não partir tudo. 

Tenho algumas caraterísticas incompatíveis: sou muito independente e gosto de fazer as coisas sozinha. Por outro lado, não tenho paciência para nada detalhes (como acondicionar cada prato) ou esperar que as coisas que levem o seu tempo a arrumar...levem efetivamente o seu tempo. E tempo era coisa que nem sequer tinhamos. Creio que foi quando disse esta tolice inexequível em voz alta que o Moço me disse que tinhamos de pedir ajuda e mai'nada: Vamos deixar cá tudo e comprar as coisas novo.

 

Liguei ao SOS. A minha mãezinha. E de facto quem tem uma mãe tem tudo, mas quem tem a minha tem mais.

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27
Jan17

Ele é mais maricas que eu

Maria das Palavras

Eu, na esperança que ele me acalmasse e seguíssemos com o plano: 

- Opá, estava tão entusiasmada com ir de comboio a Sintra...agora tenho medo de ser assaltada...


Adivinhem o que ele respondeu:

 

a) Que se lixe, amorzinho, só se vive uma vez! Vamos ao limite! Uuuhhh.

b) Não precisamos mudar de planos. É só ter cuidado. 

c) Pois...[com uma cara estremunhada igual à da imagem]

 

 

giphy (1).gif

 

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03
Jan17

Passei o ano grávida (na cabeça dele)

Maria das Palavras

No dia 1 de manhã (é discutível chamar manhã àquela hora) olhei para os emails, na cama, no telemóvel, enquanto o Moço preparava o nosso primeiro pequeno-almoço de 2017 (é discutível chamar pequeno-almoço a uma refeição àquela hora). 

Deparo-me com o email de um amigo a dizer: estive a um milímetro de te ligar a dar os parabéns. Depois da minha interrogação novo email: pergunta ao Moço sobre o que ele publicou no Facebook... 


O que se passou foi o seguinte: ele adicionou o Moço no Facebook nessa semana e no dia 31 o Moço publicou uma foto da ecografia. 

O que realmente se passou foi o seguinte: ele adicionou alguém que pensou ser o Moço no Facebook nessa semana e o no dia 31 alguém que não era o Moço publicou uma foto da ecografia. 

 

A ecografia nem era de um bebé, era uma daquelas imagens a enganar em que de facto era o fígado e alguém a dizer que estava de parabéns porque estava tudo bem com as análises e estava preparado para a passagem de ano. Tipo isto:

 

Eco ao fígado - Parabéns | Facebook

 

Mesmo assim comecei o ano com um momento de "abananamento" por causa do meu amigo que 1) confundiu o Moço com outra pessoa qualquer e 2) não leu a publicação até ao fim à primeira. Hein?! Parabéns?! Quem é que engravidou quem? Moçoooooooo!

Ah, a ironia da vida. 

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