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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

02
Dez14

A maneira boa de se dar uma notícia má

Maria das Palavras

Não existe.
Portanto, foi complicado o meu pai arranjar a melhor forma de dizer à minha irmã que o nosso cãozinho tinha morrido (a minha mãe diz sempre "falecido", como que a suavizar a coisa).

Reza a lenda que na tarde em que ele a veio buscar a Lisboa e lhe tentou dar a má notícia, ela falou do cão como nunca antes.

Que saudades tenho dele.
Estou ansiosa para chegar a casa e fazer-lhe festinhas
Podemos comprar uma bola saltitona para brincar com o K. que a mãe escondeu-as todas?


Eu teria sugerido uma abordagem do tipo anedótico: A tua família morreu toda. Estava a brincar! Foi só o teu cão! Hahaha.

Mas o meu pai foi um pouco mais brando.
Em todo o caso ainda estava a rapariga num pranto, já em casa, a tentar digerir a notícia, quando para a acalmar os meus pais unem esforços numa conversa deste tipo:

Não fiques assim. Estas coisas fazem parte da vida. Um dia vamos todos morrer e temos de saber lidar com isso. A avó vai morrer, nós vamos morrer...

Conseguiram acalmá-la? Claro que não. Antes apoquentá-la em dobro agora com a perspetiva que toda a sua família morreria e que, seguindo a ordem natural das coisas, ela (a mai-nova) estaria cá para assistir a tudo, com camarote para mortes de entes queridos em cadeia.
Conclusão: não há boas maneiras de se dar más notícias. Mas evitar falar em desgraças futuras talvez seja aconselhável.

 

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28
Nov14

O pior de se ter um cãozinho de estimação

Maria das Palavras

How to draw a dog - howtodrawanimals.co

 

 

Não são os pêlos pela casa. Ou o espaço que o bicho ocupa com as suas tralhas, camas, brinquedos. Nem o barulho que faz a ladrar para os outros cães em época de cio. Não é a chatice de ter de se levar à rua. Mesmo à chuva. Mesmo às sete da manhã. Nem ter de gastar dinheiro em vacinas e desparasitação. Ou na ração XPTO que é a única que o menino gosta. Nem vê-lo a pedir por favor com olhinhos meigos quando estamos a roer tremoços e ele também quer. Rondar a mesa à hora das refeições quando está a avó que ele sabe que lhe dá sempre um bocadinho de carne do prato. Não é ele não parar quieto e estar sempre a querer brincar. Nem roer os chinelos e os sapatos. Não é que faça chichi no puff da sala enquanto ainda está ser treinado para ir à rua. Nem que corra atrás das bicicletas feito maluco. Que traga lixo para casa da rua, orgulhoso, entre os dentes. Que traga pulgas e carraças para casa por ter rebolado nas ervas secas que depois temos de ter paciência a tirar. Não é que espalhe as cinzas da fogueira apagada e tente até comê-las. Não é que não responda ao NÃO que pronunciamos firmes tantas vezes como gostaríamos e logo desde pequeno. Nem que esteja sempre a trazer de volta o brinquedo que apita para atirarmos uma e outra vez. Nem que esteja sempre a subir para o sofá ou para a cama - contra a nossa indicação, mas para nossa delícia.

 

É que - não sendo como as velhacas das tartarugas - eles têm uma vida mais curta que a nossa. E a dor de os perder é diretamente proporcional a todas as chatices (leia-se carinho) que nos prestaram.

 

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