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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

20
Set17

É menina, tragam a caçadeira.

Maria das Palavras

Menino e Menina | Imagem Pixabay

 

Não me considero de todo feminista. Sou pela igualdade com respeito pela diferença. As mulheres e os homens são efetivamente diferentes, têm forças e fraquezas diferentes, e o que devem é ser tratados de forma justa, tendo em conta essas distinções.

 

Mas uma das "brincadeiras" (entre aspas, porque decorrem de preconceitos reais) que mais me incomoda são aquelas frases típicas quando se sabe que o bebé de fulano X é menina: tens de arranjar uma caçadeira. Eu própria já terei brincado com isto nalguma ocasião, sem pensar, mas quando reflito no que se está a dizer: não gosto. 


Uma coisa que as mulheres não são é o sexo fraco. Mais sensíveis, por regra geral (com exceções várias), provavelmente. Mais fracas literalmente em músculo, muitas vezes. Mas menos independentes ou capazes de fazer as suas escolhas? Certamente que não. Certamente não é coisa que dependa do género. 

 

Por isso quando se sugere a caçadeira, com o tom jocoso que seja, lembro-me que sou mulher, que fui menina, e que seria uma valente falta de respeito que alguém - ainda que os meus pais - se metessem na minha vida amorosa, de uma forma diferente do que fariam se eu tivesse cromossomas diferentes. Que alguém acredite que as escolhas que fiz, mesmo que erradas, tivessem de ser tratadas com uma metafórica arma de fogo, porque foram minhas. Homens e mulheres estão aí no mundo capazes de magoar e ser magoados nisso do amor. Homens e mulheres têm o direito de ter sexo (sim, mesmo assim). E quando uma garota (vamos dizer já adolescente) escolhe um namoradinho, mesmo que do alto da sua inocência e desconhecimento do mundo, a forma como lida com isso e o que decide fazer dependem da sua personalidade e não do seu género. 

E sim, também aqui homens e mulheres são diferentes. Não vale a pena negar, já que é científico e comprovado, que eles têm mais hormonas inflamadas e elas têm mais consequências na pele do que pode correr mal. E se estamos a falar de jovens comandados por desejos (até de adultos) há muita coisa que pode correr mal. Mas não há um género a aconselhar mais do que outro. Não há um género a culpar mais do que outro. Não há um género a proteger mais do que outro. Homens e mulheres são seres pensantes: e esta, hein? Agora até já andamos todos na escola e votamos, temos acesso semelhante à informação.

 

Abaixo a história da caçadeira, por favor.

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21
Jul16

O Flagelo das Ecografias

Maria das Palavras

Pintura na barriga, imagem Pixabay

 

Perdoem-me desde já a potencial insensibilidade deste post. Mas preciso desabafar convosco.

Ora bem, tenho 30 aninhos, em teoria aquela idade em que a minha avó me veria já com cinco catraios nos braços, na prática, aquela idade em que as amigas à volta começam a ficar grávidas. Eu adoro bebés e crianças - tem qualquer coisa a ver com o fato de também gostarem de mim e eu depois não lhes resisto - e muito embora não esteja ainda a planear ter um 24/7 em casa gosto muito de ver e mimar todos os meus "sobrinhos" e acompanhar as mamãs na aventura, a uma distância segura (eheh). 

O que acontece é que continua a haver alturas que não sei bem como reagir, talvez por me faltar ainda a costela de mamã. E uma das coisas que mais me custa é...reagir a ecografias. Pensemos naquelas normais em que se vêem sombrinhas pretas e brancas e com sorte distinguimos uma forma. A primeira coisa que me acontece (nalguns casos) é...querer muito ficar feliz, mas não encontrar o bebé...lembram-se desta cena de Friends? Sou uma tal Rachel.

 

 

Quando me explicam para onde olhar, ou se a forma já for bem definida, e eu orgulhosa digo que fico muito feliz com esta primeira foto do "nosso" bebé, na verdade o que estou a dizer é que fico muito feliz que esteja tudo bem. No entanto, há SEMPRE amigos no circuito capazes de me fazer deixar cair o queixo no chão com os seus comentários. Nomeadamente:


"Oh-meu-Deus. Vê-se tudo!"
Hein? Eu demorei séculos para perceber o que significavam as manchinhas e tu vês tudo? Vês alguns ossitos, sabes onde estão as coisas, vá, mas quer dizer...exagero, não?

 

"É parecida com a mãe!"

Se já me queixava neste texto da insistência desde recém-nascido no discurso "com quem se parece a criança" (parece um bebé! acabou de nascer!), ouvi-lo dizer a partir de ecografias, deixa-me totalmente à nora. 

 

"Tão bonito, está a dizer adeus!"

Não...não me parece. Por muito que o vosso filho vá ser daqueles que aos 2 anos já recita o o alfabeto de trás para a frente em três línguas...tenho bastante certeza que neste momento essa mãozinha para cima significa só que está a tentar arranjar espaço aí dentro e a ajeitar-se como pode para crescer bem...

 

"Que coluna tão bonita!"

Juro que isto aconteceu. A sério? Isto não parece quando um tipo está a tentar elogiar uma miúda feia e lhe diz que tem umas unhas perfeitinhas? Ou que adora o facto de ela ter nariz? Digam-me...é suposto elogiar os ossinhos do bebé? Sou eu que sou meio estúpida ou são eles que estão só a inventar qualquer coisa para dizer porque também não sabem?


Pronto, enfim. Gostava que talvez me pudessem melhorar o léxico e avançar algumas sugestões para expressar a minha felicidade que não pareçam superficiais, mas, que enfim, não soem a forçado. No meu caso, claro, porque juro que aquele "que coluna tão bonita" foi bem sentido por quem o disse. Eu é que sou a desprovida de coração do grupo...

 


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04
Mar16

Há alguma lei...

Maria das Palavras

...que diga que os bebés têm de cheirar a Mustela? Quais são as consequências se um bebé não usar perfumes Mustela? São para os pais ou serão sequelas físicas e/ou psicológicas para o bebéque condicionarão o seu futuro? E quando as pessoas dizem que a pele do bebé cheira a prados de felicidade, não será na realidade cheiro a Mustela? Já que todos usam Mustela?...

(sim, tenho ido a demasiados chás de bebé)

 

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29
Jun15

Falemos sobre ursos de peluche.

Maria das Palavras

Urso de Pelúcia Gigantesco com mais de 2 Metros

Acho mesmo que alguém devia falar sobre isto e talvez possa ser eu. Vou falar diretamente para as pessoas que têm um bebé a caminho nas redondezas, por entre amigos e família, e estão a pensar nessa dádiva (literalmente) gigante que o bicho entufado de pelúcia em proporções gigantescas, à medida do seu carinho pela criança que aí vem: estão-se a passar ou quê?!


Além de acumular ácaros para burro e potencialmente desenvolver doencinhas de pulmão às crianças, e a não ser que os pais da criança presenteada morem num palacete, respondam-me a esta perguntas:

1. Gostavam de ter um mostrengo gigante a ocupar-vos o espaço de uma peça de mobília numa das divisões?

2. Querem mesmo ensinar a criança, de pequena, a confiar em entidades grandes e peludas?

3. O que é que acham que os pais vão fazer aquilo quando o anjinho virar pré-adolescente e quiser uma decoração rock-punk do quarto?

 

E agora? Ainda acham um bom presente?
Vá, amanhem-se lá com qualquer coisa entre o útil e o mais-fácil-de-esconderarrumar e enviem as toneladas de carinho na forma de algo que não incomode tanto. Sei lá, beijinhos. Não, isso também não...

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