Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

22
Mar17

O sacana do belho...

Maria das Palavras

Vocês desculpem-me o palavreado (e o sotaque emprestado) mas não estou capaz de por a coisa de outra maneira. Vocês lembram-se do dia em que me podiam ter cortado a goela porque abri a porta sem perguntar quem era? Pois bem, desta vez perguntei e não valeu de muito. 

 

Eu explico. Cheguei a casa ao fim da tarde. Por agora estou sozinha em casa, o Moço ainda não se mudou, mas não me faz muita confusão que sei que ele há-de vir, vemo-nos com bastante regularidade e no geral sempre fui uma pessoa que gosta de estar sozinha (embora já não o prefira). 

 

Enquanto fechava a porta de casa atrás de mim senti que algum vizinho abria a sua, não percebi bem qual. Ainda estou a pousar as coisas quando me começam a tocar à campainha. Perguntei quem era. Resposta? Mais tocar de campainha. E a pessoa desata também a bater à porta (com força). E a repetir com maus modos "abra a porta". Repeti a pergunta e a voz do homem (que pelo cabelo branco que o olho da porta me mostrou seria de idade avançada) repetiu a não-resposta. Tocar, bater, pedir - ordenar - que eu abrisse a porta sem dizer quem era. Ainda insistiu um bocado. Claro que não abri a porta a um homem arraçado de bruto que não me dizia quem era. 

 

Ocorreu-me ligar à agente imobiliária que tem tratado connosco das coisas (na vez da senhoria) e que mora por perto. Sem lhe contar que tinha ouvido a porta de alguém a abrir, adivinhou logo que talvez fosse o vizinho. Liguei ao Moço que me disse a mesma coisa: devia ser o vizinho que não me conhecia e viu alguém a entrar na casa da frente sem saber quem era - só cá estou há uns dias. 

Pois que fosse! Isso não melhora nada. Pode ser o vizinho e ser louco. Pode ser o vizinho e ter um cajado. Pode ser o vizinho e cortar-me a goela (outra vez este filme). Já me tinha dito a senhora da agência que os vizinhos da frente não eram para dar confiança que se metem muito na vida das pessoas (se bem que acho que aqui toda a gente se mete na vida de toda a gente, mais que na minha terrinha de origem que é bem mais pequena). E já me tinha dito o Moço que o vizinho da frente era mal-educado, que no dia das mudanças entrou pela casa adentro sem pedir permissão a ninguém e se pôs a ver...

 

Enfim, ninguém me pareceu preocupado. A da agência não correu para cá, como eu queria. O Moço desvalorizou que "eu podia bem com o vizinho" e qualquer coisa chamava a polícia. É que nem a Patrulha Pata ia acorrer ao pedido " venham que me está um senhor idoso a bater à porta". Ainda gozavam comigo. E eu feita estátua, às escuras em casa, para não chamar a atenção do vizinho.

 

 

Portanto já sabem: quando ouvirem falar na CMTV da jovem encontrada sem vida no seu apartamento ainda com caixas por arrumar, sou eu. Provavelmente não porque o sacana do velho me fez mal. Mas porque nunca mais saio de casa, que tenho de passar à porta dele para descer as escadas...estou oficialmente barricada e vou falecer de inanição. Mandem água e mantimentos. E qualquer coisa para eu recortar, porque a tesoura não sai do meu lado.

Sigam-me no Instagram @maria_das_palavras, no Youtube aqui e no Facebook aqui.

20
Mar17

Chamei pela minha mãezinha.

Maria das Palavras

Não vos cheguei a contar. No fim-de-semana em que tinhamos basicamente de encaixotar toda a casa de Lisboa (sem falta) recusei qualquer ajuda. Nem era carregar as coisas, era só mesmo reuni-las. Quão difícil poderia ser? Muito. 

Quando chegámos as 20h de Sábado e tinhamos esvaziado exatamente uma (UMA!) divisão comecei a entrar em pânico. Fui até à cozinha beber um copo de água e e quase lacrimejei a pensar nessa divisão - a mais temida - onde nem saberia por onde começar para não partir tudo. 

Tenho algumas caraterísticas incompatíveis: sou muito independente e gosto de fazer as coisas sozinha. Por outro lado, não tenho paciência para nada detalhes (como acondicionar cada prato) ou esperar que as coisas que levem o seu tempo a arrumar...levem efetivamente o seu tempo. E tempo era coisa que nem sequer tinhamos. Creio que foi quando disse esta tolice inexequível em voz alta que o Moço me disse que tinhamos de pedir ajuda e mai'nada: Vamos deixar cá tudo e comprar as coisas novo.

 

Liguei ao SOS. A minha mãezinha. E de facto quem tem uma mãe tem tudo, mas quem tem a minha tem mais.

Sigam-me no Instagram @maria_das_palavras, no Youtube aqui e no Facebook aqui.

27
Jan17

Ele é mais maricas que eu

Maria das Palavras

Eu, na esperança que ele me acalmasse e seguíssemos com o plano: 

- Opá, estava tão entusiasmada com ir de comboio a Sintra...agora tenho medo de ser assaltada...


Adivinhem o que ele respondeu:

 

a) Que se lixe, amorzinho, só se vive uma vez! Vamos ao limite! Uuuhhh.

b) Não precisamos mudar de planos. É só ter cuidado. 

c) Pois...[com uma cara estremunhada igual à da imagem]

 

 

giphy (1).gif

 

Sigam-me no Instagram @maria_das_palavras, no Youtube aqui e no Facebook aqui.

03
Jan17

Passei o ano grávida (na cabeça dele)

Maria das Palavras

No dia 1 de manhã (é discutível chamar manhã àquela hora) olhei para os emails, na cama, no telemóvel, enquanto o Moço preparava o nosso primeiro pequeno-almoço de 2017 (é discutível chamar pequeno-almoço a uma refeição àquela hora). 

Deparo-me com o email de um amigo a dizer: estive a um milímetro de te ligar a dar os parabéns. Depois da minha interrogação novo email: pergunta ao Moço sobre o que ele publicou no Facebook... 


O que se passou foi o seguinte: ele adicionou o Moço no Facebook nessa semana e no dia 31 o Moço publicou uma foto da ecografia. 

O que realmente se passou foi o seguinte: ele adicionou alguém que pensou ser o Moço no Facebook nessa semana e o no dia 31 alguém que não era o Moço publicou uma foto da ecografia. 

 

A ecografia nem era de um bebé, era uma daquelas imagens a enganar em que de facto era o fígado e alguém a dizer que estava de parabéns porque estava tudo bem com as análises e estava preparado para a passagem de ano. Tipo isto:

 

Eco ao fígado - Parabéns | Facebook

 

Mesmo assim comecei o ano com um momento de "abananamento" por causa do meu amigo que 1) confundiu o Moço com outra pessoa qualquer e 2) não leu a publicação até ao fim à primeira. Hein?! Parabéns?! Quem é que engravidou quem? Moçoooooooo!

Ah, a ironia da vida. 

Sigam-me no Instagram @maria_das_palavras, no Youtube aqui e no Facebook aqui.

02
Jan17

O dia em que me podiam ter cortado a goela.

Maria das Palavras

eyes-730749_640.jpg

 

"Vou só deixar a porta encostada um bocadinho". Quem já proferiu ou ouviu estas palavras?

 

Estava em casa, agora ao fim da tarde, e tocam à campainha. Cá mesmo à porta. Olho pelo buraquinho da porta e vejo a mochila. Assumo logo que é o neto do vizinho, até pela urgência do toque e abro a porta sem perguntar que ele pode precisar de qualquer coisa. Bem estúpida. É que podia não ser o neto do vizinha e ser uma drogada qualquer. 

 

E era mesmo. 

 

Vocês desculpem-me o termo usado assim: "uma drogada", ainda por cima "uma qualquer", mas ainda estou melindrada do episódio e de facto o aspeto indicava algo do género. Uma senhora encasacada, um pouco molhada, com ar acabado e lábios muito secos. A mochila que me enganou às costas.

Começa a lengalenga. Se lhe dou uma moeda. Que está muito doente e está a chover. Que vem ou vai para Tomar, sei lá, e o bilhete são dez euros. A ladaínha reconheço-a da gare dos Expressos, a mulher talvez também.

Eu com a porta só um pouco entreaberta a ouvi-la e a única coisa que consigo pensar é que raio de travadinha me deu para ter aberto a porta sem perguntar nada. Estou só a querer fechar a porta, arrependida e nem penso logo (ocorreu-me depois) que ela até podia ter mais caparro, ter uma navalha, que me podia ter feito mal, que podia ter-me entrado em casa. 


Tenho um ar consternado que não consigo evitar. Peço desculpa e digo que não posso [dar a moedinha] e vou fechando a porta quando ela me pergunta:

"Mora aqui sozinha?"

Era uma ameaça, mesmo que o tom fosse o mesmo da doentinha que pedia a moeda. Acho que foi aí, já de porta cerrada que me caiu a ficha e percebi o que tinha feito ao abrir a porta - o que tinha arriscado.

De repente, não me pareceu tão inocente que às vezes eu chegue a casa e a porta lá de baixo esteja aberta. De repente apetece-me esbofetear o vizinho, ou o carteiro ou o senhor das obras do primeiro andar que podem ter deixado a porta aberta.

 

Vocês que me lêem, podem por favor, nunca mais deixar a porta aberta só por um bocadinho? E já agora, não cometam o meu erro também. 

Sigam-me no Instagram @maria_das_palavras, no Youtube aqui e no Facebook aqui.

Seguir no SAPO

foto do autor

Passatempos

Ativos

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

O meu mai'novo

Também escrevo pr'áqui





blogging.pt

Recomendado pela Zankyou

Blogs Portugal

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D