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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

28
Abr18

É sempre tao divertido ir ao cabeleireiro!

Maria das Palavras

Fui no bocadinho de dia que podia, batia a uma da tarde. Honestamente, esperei dar com a porta fechada para almoço e adiar a visita para outra altura. Mas atenderam-me de pronto sorriso e disseram que aguardasse um bocadinho, oferecendo-me uma revista. Felizmente levei um livro, porque um bocadinho foi um bocadão. Apercebi-me que, pelo menos naquele dia, todas as clientes eram senhoras de certa idade (estamos a falar de bengalas para cima) e portanto talvez aquele ritmo pacato de atendimento fosse para elas até um pouco acelerado. 

 

Devia portanto ter percebido que quando eu disse: "quero cortar. Faça o que quiser desde que eu ainda consiga atar o cabelo" a cabeleireira ia estar sedenta de sangue fresco. Disse logo que não ia tirar comprimento (eu achei que esse era o sonho de todas as cabeleireiras, mas aquela já devia sangrar dos olhos a ver cabelos curtos) mas que ia fazer repa. Fosse lá o que fosse, relaxei na cadeira e deixei-me ir. 

 

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Quando percebi que repa era franja já era tarde demais. Tenho mesmo de passar a andar com um dicionário regional. Mas enfim, cumpre-se o sonho da minha mãe de me voltar a ver a cara emoldurada, agora sem os óculos de massa da infância. À medida que ela ia fazendo camadas, ia crescendo o meu terror a ouvi-la a dizer coisas como "isto agora usa-se muito" e "também sei fazer mais clássico, mas também sei fazer assim mais radical".

 

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Ia trabalhando e dizendo o quanto já me estava a ficar bem, mesmo inacabado. Que eu até parecia mais nova. Disse-lhe que isso não precisava, que eu já parecia mais nova antes. Ela dava-me 24/25, eu ostento os 31 inteiros. Mesmo assim continuou.

Quando finalmente terminou, eu olhei para mim já de cabelo seco era isto: 

Cogumelo BrancoAgora as horas já me baixaram o pelo, já estou a ver a coisa com outros olhos (pelo menos a parte dos olhos que a repa não tapa) e sou capaz de até me apegar a este look até à próxima visita. Quando me esquecer do quanto gosto disto de ir ao cabeleireiro. 

 

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03
Mai17

Sobre a cabeleireira de Domingo

Maria das Palavras

Eu sabia que em casa me safava melhor (ou pelo menos mais a meu gosto), mas a cunhada queria ir esticar o cabelo e não a quis deixar ir sozinha para um salão de terrinha. Parecendo que não, pode ser mais perigoso que a Buraca à noite. As línguas das mulheres conseguem ser bem mais afiadas que as navalhas de muito vilipendiador. 

 

Como confessei no Facebook ia receosa também pelo resultado. Da última vez que tinha ido a um cabeleireiro desconhecido pentear-me para um casamento tinha saído a parecer uma estrela porno dos anos 80. Antes disso já tinha saído uma vez do salão a parecer que me tinha lambido uma vaca - eu já tenho o cabelo com tendência para a oleosidade, ela deve ter pensado: olha vai já com aspeto oleoso daqui, que assim não piora ao longo do dia. Assim sendo, dos últimos dez casamentos a que fui, em oito penteei-me eu e fui bem mais feliz. 

 

Tenho uma política de julgamento de cabeleireiras que reza assim: diz-me como te penteeias e dir-te-ei quem és. E ela estava sobejamente despenteada para não me reforçar os níveis de confiança - apesar de ter ela própria um batizado nessa tarde. Nada prometia. Pelo que decidi simplificar muito. Nada de penteados. Lavar e secar. Mas em vez de esticar direitinho, pedi que me ondulasse ligeiramente o cabelo, para dar volume. 

 

De forma que quando a cabeleireira acabou o serviço e me perguntou se eu achava que tinha volume demais, eu disse com o lábio a tremer: o cabelo depois baixa. Mas só me ocorria uma palavra. 

 

Manjerico

 

Manjerico.

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04
Abr17

A cadeira mais desconfortável do mundo.

Maria das Palavras

Qual é? Aquela típica de plástico das esplanadas que abana com o peso? A do dentista? Uma cadeira de tortura medieval com espinhos de ferro ao nível do traseiro? Nop. Tentem de novo: é a cadeira do salão de cabeleireiro, onde nos lavam o cabelo. 

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Ora este fim-de-semana decidi que ia ao cabeleireiro - um novo, já que ando deslocada de tudo o que conhecia. Ora chega-se a parte de lavar a cabeça e uma pessoa fica logo com os nervos do pescoço a titilar. Sabemos que vai doer, mas normalmente passa rápido e é amenizado por massagens no couro cabeludo.

 

Qual foi o problema desta vez que me faz trazer o assunto da cadeira à baila? Eu explico. Vocês sabem os condicionadores de cabelo? Que servem para hidratar as pontas? É suposto ter aquilo no cabelo 2-3 minutos antes de enxaguar. Ora quem tem 2-3 minutos no banho para aguardar? Ninguém! Além disso, eu, no banho estou SEMPRE a enxaguar. Mas um enxaguamento integral, senão ganho frio. Portanto o cabelinho estava essencialmente desidratado e a cabelereira decidiu pôr-me a fazer uma cura com toalhas quentes (não sei, não perguntem). Só sei que ela diz "pronto, fica aqui então um bocadinho a relaxar, que está deitada e tudo". 

 

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A relaxar? Naquela cadeira do inferno? Sabia que era castigo por não hidratar o cabelo, mascarado sob forma de tratamento. Enfim. Pensei que não podia ser muito mau, afinal têm de liberar a cadeira para outras clientes, que é Sábado e a fila tem de andar. Só que não estavam com pressa nenhuma. Vem ela e...humedece a toalha outra vez e diz que fica mais um bocadinho. É neste momento que me torno religiosa e começo a rezar pelo fim da minha provação.

 

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Ao fim de um tempo a pessoa deixa de sentir o tronco e as coisas melhoram. Ok, pensei, sou só uma cabeça. E como me vão pentear, talvez até dê um busto bonito e me deixem ficar a adornar o parque. Ela aproxima-se e eu adivinho o fim do sacrifício. Vai que me troca a toalha outra vez, a safadona! E não contente com isso, começa desta vez a pressionar-me a cabeça com as mãos. O que é fantástico quando estamos numa cadeira com uma divisória ao nível do pescoço, que parece efetivamente capaz de nos deixar deixar tetraplégicos. Entreguei a alma ao criador (já que desde há uns minutos atrás tinha-me tornado devota) e aguardei para ver São Pedro. 

 

E parou. Finalmente parou. Creio que mesmo, mesmo antes de eu ver o portão dourado.

Já foi há uns dias e só agora sei que no fim até saí com o cabelo bonito - na altura tinha o sangue a voltar à cabeça e, portanto, a vista muito turva. 

 

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Se eu sou uma exagerada? Pode ser que sim. No entanto, se a primeira alminha me explicar porque é que aquelas cadeiras têm almofadas duras (quando têm) que nem cornos de bode velho, eu nunca mais falo deste assunto. Está prometido...Não está não...

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30
Jan17

O dia em que a varredora de serviço me cortou o cabelo.

Maria das Palavras

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Sou tão boa com caras (#not). Creio que já vos disse que sou meio distraída. Posso passar pela minha mãe na rua e não a conhecer (pouco provável, já que moramos em cidades diferentes). Tem muito a ver com o ir focada na minha missão e desatenta ao resto, mas noutros casos tem a ver com eu ser péssima com reconhecimento facial...Nunca me acontece o momento "acho que conheço aquela pessoa de algum lado". Ou se acontece, é por exemplo alguém com quem trabalhei com dez anos e devia conhecer de cor e salteado. 

 

Conto isto porque fui ao cabeleireiro aqui da rua, onde já fui umas...5 vezes em dois anos. Em 2016 fui apenas uma vez, mas tendo em conta que quando pedi à minha irmã que me pintasse o cabelo em casa perdi a audição por causa de água no ouvido e quando pedi ao Moço fiquei com a parte da frente do cabelo malhada ao melhor jeito Cornélia, propus-me a ser mais regular no salão (odeio) num futuro próximo. Estavam apenas duas pessoas a trabalhar, que reconheci logo. Uma era a cabeleireira mais velha lá do sítio, a outra era uma rapariga que costuma andar lá só a varrer o chão e lava os cabelos às clientes quando há muito afluência - faltava aquela que me costuma tesourar e que até tem o mesmo nome que eu, pelo que a conheço bem.

 

Ora bem, quem avança para cuidar de mim é a moça que só costuma varrer o chão...tudo bem, para já era só escolher a cor certa e pincelar, há-de fazer melhor a pintar que o Moço. Foi eficaz, a tinta lá absorveu em tempo suficiente para a terra dar a volta ao sol, e a seguir chamou-me para lavar. Lavar era coisa que ela já fazia de vez em quando por isso não estranhei. Achei que chamasse a outra cabeleireira quando fosse para cortar...

 

Só que não. E aí entrei num pânico ligeiro, mas pensei: se ela vai fazer isto é porque sabe, deve ter tirado a formação há pouco tempo. Cheguei mesmo a pensar: ora bem, se ficar mal cresce outra vez. Ela começa a cortar as minha belas madeixas ruivas e eu em olhares de socorro para  a cabeleireira mais velha - que nem olhava para nós, a ver se a outra estava a fazer bem. Inacreditável! Deixar assim a novata à vontade...Não sabia se isso era motivo para descansar ou enervar-me. 

 

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Tinha-lhe dito que queria franja, não direita, mas um pouco de cabelo mais curto à frente a cair de lado (isto quanto menos cara se vir, melhor) e ela pergunta-me por onde deve cortar. Ai! Por onde?! Mas ela é que está a cortar, já lhe expliquei o efeito que queria, se ela não sabe a técnica eu também não saberia. Confiei (que remédio!) e ela fez exatamente como eu tinha em mente. Até senti necessidade de lhe dizer que estava impecável ("bom trabalho"), como quem dá uma pancadinha nas costas e motiva. Para iniciante, ficou um mimo.

 

Quando ela já me está a secar o cabelo é que olho bem para a cara dela e penso como é parecida com a outra cabeleireira que me costumava atender. Seriam irmãs? Não. Antes de secar o cabelo todo eu já me tinha apercebido: era ela! Era a minha cabeleireira e não a rapariga que varre o chão! Essa é que não estava lá...

Claro que todo o drama se passou só na minha cabeça, mas mesmo assim, fiquei tão envergonhada que eu, a Maria-não dá-gorjeta, arrendondei a conta de 32,5€ e lhe paguei 35€ sem querer troco. Quando me voltarem a perguntar que super poder quero, já não vou hesitar entre a invisibilidade e o teletransporte. Direi sem dúvida: o dom de reconhecer pessoas. 

 

P.S.: 'Tou linda.

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