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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

07
Jun17

#videomaria: há coisas que nunca mudam

Maria das Palavras

Este é um dos filmes a concurso na edição do Festival de Cannes deste ano. Está em francês mas vale a pena ver - apenas no caso de serem pais ou filhos (portanto no caso de toda a gente). Muito jeitoso. Se tiverem curiosidade em ver o top 20 dos candidatos a Leões no Festival, selecionados pela Gunn Report, cliquem aqui.

 

 

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09
Abr17

Só é permitido bater nos filhos.

Maria das Palavras

Já tinha ouvido falar do Louis C.K., comediante, pela voz de muita gente. No outro dia caí no erro de ver um pouco de um show dele na Netflix. Foi mesmo um baita erro. Comecei por torcer o nariz nos primeiros minutos e agora tenho devorado tudo dele no Netfllix e no Youtube. O homem não tem limites no humor (coisa que eu adoro), mas para além disso tem muitos episódios reais (exagerados, não duvido) para contar e muitos raciocínios refrescantes. Por exemplo, este do título: só é permitido bater nos filhos.

 

Não se pode bater na mulher ou num colega de trabalho ou a um estranho na rua, adultos formados (até aqui nada contra). Constitui um crime. Mas podemos bater num ser indefeso, desproporcionalmente pequeno em relação a nós, que ainda não compreende totalmente o que motiva a agressão. E esta, hein

 

[Este post encontra-se livre de julgamentos, é só para nos fazer pensar.]

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23
Mar17

Dois dedos de conversa #67

Maria das Palavras

Amiga 1 (recém-mãe): Fui fazer o exame com o pequeno. Até chorei de aflição a achar que o estavam a magoar.


Amiga 2: Deixa lá, sempre que vou às vacinas com a minha também me dá vontade de chorar e bater no enfermeiro. 


Amiga 1 (recém-mãe): Sei que não faz sentido mas...Até quando posso culpar as hormonas?

 

Amiga 3: Eu, quando a minha filha tinha um ano, ainda dizia "deixa-me em paz que fui mãe há pouco tempo". 


Eu: Não te preocupes. A minha mãe ainda hoje me culpa pelo pneuzinho extra e eu acabei de fazer 31 anos, por isso tens tempo...

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28
Fev17

Adiando os filhos.

Maria das Palavras

Outra ocasião que me mirra o útero é o Carnaval. As mães "bonitas" fazem os fatos para a sua prole Já a minha mãe e a minha avó tratavam dos meus, num exercício de improviso sem igual. Uma vez o fato de Branca de Neve ficou tão bom que mais tarde a professora confessou que eu só não tinha ganho o concurso de máscaras porque achava que o vestido era de compra (é assim que eu sei que os filhos felizes têm fatos feitos à mão pelos progenitores e os outros não têm valor - e por favor não me façam explicar que é ironia). Tendo eu jeito para trabalhos manuais no mesmo grau que tenho talento para navegação com bússola em alto mar (trocando por miúdos: desoriento-me), já sei que vou acabar a não mandar o miúdo para a escola e dizer que sim, que foi, que até lhe fiz o fato de homem invisível pessoalmente. 

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08
Nov16

A visita de um filho emancipado a casa dos pais.

Maria das Palavras

Ir a casa dos pais, na idade adulta, é uma experiência bipolar das mais capazes. É maravilhoso e penoso, tudo ao mesmo tempo. Ali estão as duas pessoas (na generalidade) que nos criaram e a quem tão bem queremos (quem nos dera fossem eternos). As que melhor nos amam e...melhor nos irritam (mas isso é em qualquer fase). Qualquer pessoa em idade adulta reconhecerá o relato das principais fases de uma visita normal a casa dos pais.

 

A chegada
Aliás a visita começa sempre com aquele telefonema do "nunca nos vens visitar". E sim, estiveram lá ontem. Quando aparecem na ombreira da porta identificam logo aquela expressão acompanhada por um sobrolho franzido, que varia entre o "engordaste!" ou o "filha, estás mais magra". Se eu estivesse mais magras de todas as vezes que visitei os meus e mo disseram pesava neste momento 100 gramas bem contados. Nem precisava esperar pelo Expresso para Leiria só pela próxima rajada de vento no sentido Norte.
As mães ainda podem acrescentar "o que é que fizeste ao cabelo" ou "não tinhas isso!" apontado para a peça de roupa que temos há cinco anos.

 

 

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A refeição

Claro que a fatia dos pais que acusa os filhos de terem engordado não deixa de lado o contraditório ritual "enche-bucho". O ritual começa quando te enchem o prato à maluca porque "lá na cidade não tens disto", passa pela repetição que tentamos veementemente negar porque estamos mais do que cheios mas eles querem que continuemos a comer. E quando já repetimos dez vezes e nos esforçamos por mastigar só mais um bocadinho porque até fizeram (fazem sempre) o nosso prato favorito e não queremos parecer ingratos ouvimos um "estás a comer que nem uma esfomeada, logo vi que tu por Lisboa não andavas a comer bem". FOSTE TU QUE ME ENCHESTE O PRATO DEZ VEZES!

 

 

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A partida

Podem ter lá passado lá uma semana, mas eles despedem-se chorosos porque nunca passam lá tempo nenhum. Atafulham-vos os braços com 30 alfaces arrancadas do quintal e 7 frangos do campo, além dos 23 tupperwares com restos dos almoço (que nunca regressarão à terra). Vocês dizem que sozinhos não conseguem comer tudo. Dizem que congelem. Vocês dizem que o congelador não tem espaço para 30 alfaces e 7 frangos do campo, mais os tupperwares. Eles já não dizem nada, mas vocês levam tudo na mesma. Depois despedem-se com aquele "até para o ano" irónico como quem diz que nunca aparecem - só porque anunciaram logo que no fim de semana seguinte iam estar fora e não podiam lá jantar.



É assim uma visita a casa dos pais: todo um trauma. Mas que abençoado trauma. 

 

 

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