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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

03
Nov16

Era uma vez o Medo

Maria das Palavras

O Medo era um amigo do João que nunca o deixava fazer nada. Não faças isso que te aleijas. Não experimentes que podes errar. Não vás que ainda te arrependes. Opá, não te metas nisso. Era um amigo muito pequenino, mas com uma voz muito grossa que fazia eco e chegava a todo o lado. 

O João adorava o seu amigo e conselheiro Medo. Graças a ele levava os seus dias de forma perfeitamente pacata, sem grandes nervos, sem grandes riscos, sem grandes emoções. 

De vez em quando, é preciso confessar, o João pensava o que seria de si sem aquele amigo. Podia estrear aquela bicicleta nova, talvez. Ou ver o mundo para além da sua terrinha. Ou aprender uma língua nova. Quem sabe fazer outros amigos...Viver aventuras como as que lia nos livros. Mas era aí que o Medo lhe ajeitava a almofada na cabecinha e lhe puxava a manta até aos ombros. Deixa-te estar. Fazia-o ficar um pouco abafado, mas muito quentinho. 

O João, cujas palpitações nunca estiveram muito longe de 80 por minuto, teve saúde por muitos e muitos anos. E apesar de a dada altura o seu corpo ter deixado de responder, gasto pela passagem do tempo, o João nunca morreu. Afinal nunca tinha chegado a viver. 

 

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11
Set15

Passeio da Memória (um post cheio de medo)

Maria das Palavras

Vocês sabem que eu sou uma bestinha insensível, certo? Que não dá esmolas nem gorjetas?
E não divulgo no blog cenas de boa pessoa, tipo resgatem os gatinhos, dêem sangue, comprem arroz para o Banco Alimentar, ajudem os migrantes, etc e tal? Quando faço algo deste género, não o faço para ter lugares no céu e portanto além de não divulgar, não acho que deva apontar o dedo a quem nao o quer fazer, mesmo que possa (cada um sabe de si, e o governo sabe de todos).

Lembro-me de uma campanha solidária movida por uma conhecida blogger em que determinada padaria não quis colaborar (se calhar colaboram noutras coisas, se calhar não tinham orçamento para tal, se calhar não quiseram e pronto) e foram malditos na via pública por uma opção que lhes pertence e a mais ninguém.


Portanto se eu fizer um apelo por qualquer coisa, é coisa séria, sim? Séria e egoísta neste caso. Faço-o por medo.
Apesar da minha família ter historial de todas as doenças e mais algumas - e portanto é quase certo que eu vá padecer dessas e não de outras - há uma que, não fazendo parte da minha herança genética (que eu saiba), me assusta mais do que todas juntas. O Alzheimer. Ser eu, deixando de ser eu. Estar ao pé dos meus e eles não me terem.

Passeio da Memória

 

A Alzheimer Portugal organiza anualmente um passeio de nome bonito (notem que não é corrida, é passeio, uff): o Passeio da Memória. Para alertar para a doença e para angariar fundos para a associação (que dá apoio não só aos doentes, como aos amigos e familiares), numa iniciativa a decorrer em 18 cidades por todo o país (incluindo as nossas ilhas) entre 19 e 21 de Setembro. A inscrição envolve um donativo de 5€


Vejam todas as informações no site oficial do Passeio da Memória e  não deixem de visitar também o site da Associação ou sigam-na no Facebook para saberem tudo o que por la se faz. 

E não há desculpas, se eu, lontra de sofá, vou, vocês tabém podem ir. Até os amiguinhos de 4 patas podem ir (vêm como estou estremunhada? Agora até chamo amiguinhos de quatro patas aos cães!).
Agora não se esqueçam... 

 

 

 

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14
Jul15

Mais uma ficha, mais uma volta (ao estômago)

Maria das Palavras

Kanguru | Mais uma ficha mais uma volta (ao estômago) - Maria das Palavras

 

Sempre fui menina para me meter em coisas que fazem cócegas no estômago. Se quando era pequenina a máxima adrenalina se conseguia naquelas chávenas do carrossel grande bem presa entre pai e mãe, quando cresci isso estava já longe de me satisfazer a gula por feira popular. Nunca conheci a de Lisboa - infelizmente - e em Leiria só temos feira com diversões em Maio, pelo que sempre que há alguma coisa nas redondezas faço de tudo para marcar presença e dar uma voltinha. Tudo isto porque não posso andar aí a percorrer mais parques de diversões pelo mundo fora.

O grande problema está na companhia. Isto de gritar sozinha não tem o mesmo encanto. A minha irmã, deu-me a imensa felicidade de vencer o medo (que acho que tinha sido a minha mãe a inculcar-lhe, a bem da verdade, não devia querer perder as duas filhas em simultâneo num acidente com carrinhos coloridos a voar), mas - fina como é - só deixou que isso acontecesse quando a levei à Disney comigo. E eu varadinha de medo de ter pago uma fortuna pelo bilhete e ela não conseguir andar em nada. Correu bem.


E chegamos ao Moço. O Moço é um menino. Tem medo das cócegas na barriga. Não o consigo convencer a alinhar em nada com adrenalina. No entanto, no outro dia, estava eu de birra a querer ir-me embora de uma festa, e ele diz: ficamos mais um bocadinho e eu ando contigo no Kanguru. Nem sabe o que fez à vida dele: era tarde demais para recuar face aos meus olhinhos brilhantes de entusiasmo.


Arrependeu-se, esperneou, quis desistir, mas já não teve hipótese. Foi ele quem deu a ideia.
Entramos no Kanguru, que é só por acaso uma das diversões mais ligeirinhas, apesar de ter potencial para partir colunas. Pronto, não é das mais ligeirinhas, sobretudo aquele não era - ao contrário deste da foto que tem cadeiras individuais, ainda era dos antigos, em que uma pessoa vai andando aos tombos de um lado para o outro a colecionar traumatismos enquanto aquilo salta e os mais magros arriscam-se a escorregar para o chão (ou não, ou não).


Aquilo começa a rodar e a saltar e nas primeiras voltas só estava a pensar que tinha feito asneira e nunca mais insistiria com ele para entrar numa coisa daquelas, tal era o seu ar assustado e enjoado, quase de entrega a Deus...Repetia o mantra "não gosto disto, pronto, não gosto disto".


Mas como todas as histórias que envolvem um casal: a mulher tinha razão. No fim já estava entretido e capaz de me acompanhar noutras andanças. Hoje o Kanguru, amanhã o mundo. Vão ver. Vão ver se não o ponho a saltar de um avião um dia destes. Ou talvez ande comigo nas chávenas, vá. Agarradinho.

 

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