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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

05
Mai16

As obras de Santa Engrácia.

Maria das Palavras

O prédio onde moro está em obras desde que o conheço. Primeiro, restaurou-se a casa onde vim morar (essas livrei-me de as ouvir) e a partir daí todo um folclore de renovações em cada piso, por fora e do avesso. Não são todas as semanas, não. Normalmente calha naquelas em que o Moço trabalha durante a noite, para depois poder dormir ao som da quinta sinfonia do martelo e da opereta da rebarbadora.

Ontem o senhor do 2º esquerdo, um velhote de membranas de cataratas em cima dos olhos e calças muito subidas, veio bater-me à porta. Corrijo: veio espancar-me a porta e a campainha. Quando ouvi a pressa com que me chamavam (salvo seja, que nem ele sabe o meu nome, nem eu o dele) corri a abrir a porta e encontrei-o. Disse-me que caiu lixo da chaminé, por causa das obras [e eu com isso?]. Disse-lhe que fosse falar ao senhorio, que ainda aí andava. Indiquei-lhe as escadas, onde ele podia encontrar as pessoas que de facto tinham alguma coisa que ver com o assunto e podiam ajudá-lo. Ficou especado à minha porta. Com modos brutos, a dizer que lhe caiu lixo para cima do fogão [e eu com isso?]. Note-se que estamos a falar de uma pessoa com quem nunca troquei mais que bons dias.

Fui com ele, entre a pena do senhor que se via atrapalhado e a vontade de o mandar à fava, porque pode ser idoso, mas não lhe fiz mal nenhum, nem vi motivo para me bater à porta [o que é que eu tinha a ver com aquilo?], quanto mais para ele estar a falar comigo como se eu fosse a sua neta mal comportada.


Lá entrei na casa com muitos tapetes, como a da minha avó, e depois na cozinha. Lá vi a fuligem em cima do fogão. E agora como é que eu faço o jantar? atirava ele, voz grosseira.  Eu pensei, não quis dizer, que o vigor que não lhe faltou para me deitar a porta abaixo, podia usá-lo para limpar a fuligem. Não quis ser malcriada, como ele foi. Ele continuava na expetativa não sei bem de quê: que eu lhe limpasse o fogão? que lhe fizesse o jantar? que fosse remendar a chaminé ao telhado? que pedisse desculpas de joelhos por algo que eu não tinha feito?

Fui chamar as pessoas que podiam tratar do assunto, os senhores das obras que garantiram que já iam parar, que iam ligar ao senhorio a explicar o sucedido e chamar a senhora da limpeza que por ali andava para acudir ao fogão. Saí de fininho. Estou convencido que ele queria que eu ficasse até começar a fazer o jantar.

 

Mas estas obras nunca mais acabam?...

 

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30
Ago14

Ó mar salgado...

Maria das Palavras

Não foi uma nem duas vezes. Foram muitas. Ouvi o mar, por sugestão da minha cabeça, durante a jornada de trabalho, ali junto à Avenida da Liberdade.

Não era sequer aquela brincadeira de piscina-com-areia a que chamam a Praia do Torel. Era mesmo o som próximo de...obras. Detritos a serem despejados...[Com a poluição que o Homem provoca o mar também está perto de ser isso mesmo, de qualquer forma.]
Mas juro que o som era igualzinho ao do "mar que enrola na areia" e quase sentia o cheiro a sal. Nem um búzio é tão perfeito a emitir este chamamento. 

 

Búzio - cafeportugal.pt

 

E só não me descalçava para trabalhar (exibindo biquíni) por decoro. Sim, porque na hora do sol a pique a entrar-me pela janela, até bronzeado conseguiria.

E repetia em ladaínha a minha adaptação do Mar Português, da Mensagem de Fernando  Pessoa:

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de quem quase não te viu ainda este ano, em Portugal.

 

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