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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

20
Set16

Está tudo chocado.

Maria das Palavras

Porque acabou uma relação que tinha começado com uma traição.

Percebi bem? Achavam que era para durar? Que era este o exemplo perfeito do amor? 


Adenda a vários comentários (do blog e fora): Exceções não são regras. Relações que começam da maneira mais florida possível sem qualquer antecedente também acabam. 12 anos é uma duração gira, eu nem consigo aguentar salsa duas semanas. Só não acho que os Brangelina fossem um exemplo amoroso que nos choca terrivelmente por terem acabado a relação e nos deixe agora descrença no amor. Ou então só digo isto tudo porque (eu também) sempre fui #teamjennifer. São muitos anos a (re)ver Friends.

 

 

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04
Ago16

3 regras de um casal feliz

Maria das Palavras

 

Não acabar com o mistério todo

Sou toda a favor da honestidade. Mas...a porta da casa de banho fecha-se. Toda a gente sabe o que se faz lá dentro, ninguém precisa de claque. Quem diz [aquilo que estão a pensar] diz depilações e afins, mesmo processos de embelezamento. Nem sempre saber o processo faz falta para apreciar o resultado. E se tiverem dúvidas disso, pensem em morcelas. Eu nem gosto particularmente que ele me veja a maquilhar. Prefiro que ele pense que aquela borbulha desapareceu por magia do que saiba como a pincelei com corretor. Obrigada.

 

 

love-jokes-funny-cartoon.jpg

 

 

"Atira as costas para trás do passado."

Já dizia o Timon ao Pumba. Não há nada, nadica a ganhar com esmiuçar o passado amoroso do outro. Os traços gerais das relações passadas, tudo bem. Tipo um resumo em três parágrafos. Mas não se pode falar muito mal, senão mostras que és amarga, nem muito bem, senão parece que queres voltar lá onde foste feliz. Se foram muitos ex és inconstante, se foram poucos, algo de errado deves ter. Se foste tu a acabar, a qualquer momento podes fazer o mesmo na nova relação, mas se acabaram contigo, se não fosse isso ainda lá estavas todo/a contente. Tudo conclusões precipitadas, irrealistas e muitas vezes inconscientes. Somos todos muito maduros até estarmos num restaurante fenomenal a ouvir memórias do local do/a antecessor(a). Por isso deixemos lá quem já passou. Em 1926.

 

 

À vontade, não é à vontadinha.

Estamos em casa, mais ninguém vê, está calor...Agora imaginem. Ele com umas cuecas velhas, perna aberta, a coçar as micoses esparramado no sofá. Ela de cabelo sujo (hoje não vais sair mesmo), calças de fato de treino manchadas de lixívia e uma t-shirt larga para fazer corrente de ar. Já dizia o outro na Mixórdia que não faz sentido nenhum esta filosofia de nos arranjarmos para sair e estar com outras pessoas, mas mostrarmos a nossa pior versão a quem mais amamos. É o completo oposto daqueles primeiros dias em que a pessoa se levanta para escovar os dentes e o cabelo antes do outro acordar. Ora bem, não só pela relação, também por nós: nem tanto ao mar nem tanto à terra: roupa velha e mais confortável, ok, mas minimamente agradável, que tal? Modos e higiene a todo o momento, que tal? E se não há roupa de jeito, dar uma de nudistas, que tal? Talvez seja preferível...

 

 

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07
Out15

As 3 mentiras mais descaradas numa relação

Maria das Palavras

Pinóquio - Imagem Pixabay (public domain)

 

Li um artigo assustador sobre mentiras aceitáveis numa relação. Apesar deste tipo de artigos serem normalmente de e para mulheres, parece-me evidente que este foi escrito por um homem (ou uma mulher cuja relação mais longa se conta pelos dedos das mãos - em horas). Ora leiam a primeira mentira tida como permitida:

Dizer "tens razão" - De certeza que já passou pela experiência de argumentar e contra-argumentar com o seu parceiro durante algum tempo e percebeu que apenas andavam em círculos e não conseguiam chegar a lado nenhum. Para que isto não volte a acontecer, o melhor que tem a fazer é dizer ao seu parceiro que ele tem razão, mesmo que não seja bem assim, para dar como finalizada a discussão.

 

Se é verdade que há little white lies que fazem bem à saúde (já expliquei) e que no meu entender são sobretudo aplicáveis em casos em que já não há nada a fazer e se quer dar paz de espírito ao outro, esta (e outras neste artigo) passam em muito essa esfera. Dizer "tens razão" para acabar uma discussão, ou nem sequer começá-la, é o primeiro passo para uma não-relação. Não argumentar, não saber o que se passa na cabeça do outro (mesmo que sejamos incapazes de lhe dar razão), não querer saber...é permitido apenas entre estranhos ou pessoas com as quais não nos queremos "dar ao trabalho". Se isso for a pessoa que temos ao lado: é muito mau sinal.

 


Assim decidi eu mesma reunir as 3 mentiras, que não sendo aceitáveis, são quase ditas sem querer em muitas (todas?) as relações. Se há mentiras permitidas, porque as dizemos ingenuamente, enlevados por um sentimento etéreo, em momentos de pés pouco assentes na terra, são estas: 

1.jpg "Não mudes nunca."


Mas vais ter de te habituar a levar o lixo para baixo. E deixar de roer as unhas. E gostava mesmo que começasses a usar mais camisas. Vais vestida assim? Tens mesmo de te pintar? Tens de ser mais compreensiva. Tens de ser mais incisivo. Quando deixas de fumar? Passas muito tempo no futebol. Gostava que saíssemos mais. "Uau, um voucher para implantes mamarios, obrigada querido!".

 

2.jpg "És o homem/a mulher mais bonito/a do mundo."

 

Ó ACAPO VEM CÁ VER ISTO! Salvo seja.
A intenção é boa: não escolheríamos outro/a companheiro/a mesmo com o cardápio inteiro aberto à nossa frente, inesgotável de possibilidades. O que não quer dizer que não saibamos perfeitamente que isso é mentira. Sabemos todos, calamos e comemos. Calamos para comer, aliás. E podem dizer-me que "para mim arruma mesmo a Irina Shayk a um canto" ou "aos meus olhos é mesmo o homem mais garboso do planeta", que eu digo "balelas". Aos vossos olhos está a anos luz da Irina Shayk e vocês gostam na mesma (até preferem), isso sim (e não é nada mau, pelo contrário). Se mesmo assim estão convencidos que eu estou errada (ou não estão preparados para admitir que estou certa) levem lá a taça...e um par de óculos. 

 

3.jpg "Vamos ficar juntos para sempre."


Já para não falar das cerca de 70% de relações que falham (segundo uma sondagem à boca da urna que não levei a cabo) - mas que começam invariavelmente para lá das nuvens, pintadas deste tipo de promessas - temos o caso das vezes em que é dito, sim senhor, numa relação onde isto vai ser verdade, mas antes de ser verdade. Até porque, convenhamos, não há maneira de o garantir, por mais que pensemos que temos a certeza. Às vezes "para sempre" é até apanhar a Sheila gostosa a apanhar a caneta de mini-saia do chão lá no escritório, ou até se acabar a cerveja no frigorífico, ou até ficar um sozinho a limpar ranho aos putos e o outro não acode ou simplesmente até que um dia as coisas mudam (por motivos parecidos com a tal mentira que sugere o artigo de que falei inicialmente).

 

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