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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

12
Mar17

Sou estranha de saudades.

Maria das Palavras

Na primeira semana e meia que passei a norte, longe da casa que ainda sentia como minha, não tive saudades. Os dias pegaram-se todos como se fossem um só. Correram. Não senti falta do Moço, da casa, das coisas, das pessoas, que continuavam sempre lá, eu sabia. Não pensei nisso, estava tudo "longa da vista, longe do coração". Estava bem, ocupada, em adaptação. 

Depois cheguei. Cheguei a Lisboa. À minha (sempre) Lisboa. Vi um amigo, vi o Moço, entrei na nossa casa. Olhei-me no espelho da casa-de-banho onde nunca mais porei batom. Senti as saudades todas juntas, acumuladas, fortes. Queria agarrar tudo e não me despedir. Houvesse tempo, talvez chorasse, mas nunca há tempo. Só os dias que se seguem.

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13
Set16

A Maria sem saudade.

Maria das Palavras

No caminho para a consulta de ontem, passei à minha porta de muitos anos. De lá saía uma noiva. Assim do nada. Daquela porta de entrada de prédio onde passei tantas vezes saía uma mulher vestida de noiva. Parei para pensar (parei apenas metaforicamente, que já ia quase atrasada) no tempo que lá vivi. Foram quase dez anos, que acabaram há perto de três. Espremi o peito por um bocadinho de saudade e não saiu nada. E fui feliz ali, que bem sei. Fui feliz e infeliz, morei sozinha e acompanhada, estudei, trabalhei e fiz nenhum, levei lá muitos amigos a comer bacalhau com natas e um tacho de conversa, vi jogos da seleção sentada no chão, na micro-TV com colegas em volta de braços no ar, ri-me, chateei-me, cacei osgas e pus vinagre na varanda para afastar os gatos que a tomavam por urinol. Os momentos ficam onde pertencem. Gostei de viver esse tempo, como gostei da minha infância de brincadeiras à volta da casa de terreno grande dos meus avós, onde as maiores preocupações da minha vida eram apanhar uma carraça que me matasse de febre amarela ou engolir uma pastilha. Como gostei da adolescência das paixões desmesuradas e não correspondidas, quando jogava volei com a C. junto às varandas altas dos vizinhos e me fechava no sotão com a P. a ensaiar canções da Céline Dion em francês. Não tenho saudades do que vivi, estou bem no meu tempo que num ano transato. Não por estar melhor ou pior. Mas porque tudo tem um ordem mais ou menos caótica e eu sinto-me bem a seguir a minha.

 

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10
Jun16

Não tenho saudades.

Maria das Palavras

Maria das Palavras | Blog

 

Estive longe de casa por um tempo e enquanto lá estive ocupei-me e não pensei no que tinha deixado cá. Não penso na falta que me faz coisa alguma. Sei que volto em breve e concentro-me em aproveitar o que está comigo e não o que fica para trás. Não penso que preciso dos braços do Moço para me embalarem, porque quero só dormir depressa e o tempo passa, que eu sei, e logo chego outra vez. Como quando estou longe dos meus pais, muitos dias a fio de cada vez, desde que vim para Lisboa há tantos anos, e sei sempre [ingénua] que estão lá para me receber - porquê mastigar saudades? Como daquela vez em que fui passar três semanas a Paris, com amigos, e achava tonto que me perguntassem se tinha saudades de casa, do meu país, e eu - que sabia que tinha a sorte de voltar em menos tempo que os 31 riscos que se fazem do calendário - não percebia por que raio haveriam de querer que estivesse melancólica. Não tenho saudades à partida.

 

E é só quando chego - ao Moço, ou ao pé da família, ou ao meu sofá, ou ao Tejo - que tenho saudades. Que quero os abraços do Moço todos aos mesmo tempo sem largar, que me apercebo que não comia a sopinha da minha mamã há tanto tempo, que não terminei as frases ao mesmo tempo que a minha irmã durante tantos dias. Que o Sol de Lisboa não é o mesmo que brilha nos outros sítios. Ou que o castelo de Leiria é (seja ou não) o mais bonito do mundo. Não tenho saudades à partida. Tenho saudades à chegada. Regressei a casa há uma semana e ainda não passaram. 

 

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31
Ago14

Família de Natal

Maria das Palavras

Há a família nuclear, tradicional, composta, alargada e do ponto de vista doméstico. E há a Família de Natal.

Aquela de quem temos uma foto conjunta pelo menos uma vez por ano, com barretes vermelhos ou chifres de rena.
Aquela com quem trocamos prendas, desde que eram brinquedos até passarem a livros. Aquela que nos deu roupa na altura em que odiávamos esse presente e até ao ano em que nos fazia mesmo falta mais uma saia azul.

 

A crise (ou qualquer coisa com a desculpa da crise) levou-me pessoas da Família de Natal para fora. Há um par de anos que não estamos todos à volta da mesma mesa, com as caras de bacalhau para os "crescidos" (que hoje em dia, são todos) e bacalhau com natas para as esquisitinhas das miúdas. 

 

Ontem chegaram os dois que faltavam para compôr o ramalhete.
Hoje vamos estar todos reunidos outra vez, à volta da mesa. 

E caramba...sabe a Natal.

Família de Natal

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