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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

12
Set16

3 Provas de Inteligência Aguçada dos Massagistas

Maria das Palavras

As estratégias dos massagistas são reveladoras da inteligência desta classe. Nomeadamente três, a saber:

1. Tornam o ambiente escuro.

Já que têm de esfregar corpinhos alheios, aos quais não conhecem os hábitos de higiene, ao menos adotam a perspetiva "olhos que não vêem, nojo que não se sente". Não se vêem pelinhos mal depilados, surrinhos atrás das orelhas, nem cotõezinhos no umbigo. E nestas coisas, é na ignorância que uma pessoa é feliz. No meu caso também já aconteceu não verem que tinha uma pêga de uma nódoa negra na coxa o que se traduziu nalguma dor escusada quando começar a galgar a área com as mãos - mas não há sistemas perfeitos, pois não?

 

2. Põem música a tocar.

Normalmente a banda sonora tem aquela aura oriental com uns plim-plim-plins que desligam o cérebro, embora eu preferisse um jazz básico. Nada contra. É que seja qual for a música ajuda a abafar sons indesejados, seja um ressonar moderado ou uns gemidinhos de prazer embaraçosos quando tocam em certos pontos (no meu caso, gritinhos histéricos se me tocarem nos pés). E o som/movimento de engolir? Não é sempre no  silêncio dos momentos em que um estranho (como um médico) está próximo de nós e é suposto estarmos sossegados e em silêncio que subitamente nos tornamos hiper-conscientes do ato de engolir saliva e temos MESMO de fazê-lo?


3. O pote de baba.

Muitas vezes naquelas macas com buraco para a cabeça, há uma taça grande, oval, por baixo com pedras ou flores decorativos. Num dos casos, aconteceu que a massagem incluia cromoterapia e a taça grande tinha água e luzes que variavam como parte do tratamento. Não me enganam tão facilmente. Nem é estético nem medicinal. É um pote para aparar a baba dos que se deitam e se decuidam e adormecem ou simplesmente relaxam demasiado a oca. É o que é. Pssht. Não neguem. Não querem estar sempre a lavar o chão. Eu percebo. 


Claro que há situações que nem o mais estatuto dos massagistas consegue prevenir... 

 
 
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16
Jun16

O segredo está na massa.

Maria das Palavras

Estava aqui a pensar...As pessoas puseram-se do lado da Charlie Hebdo (que fazia humor negro, racista e religioso e o diabo a quatro) porque explodiu...Será que se o Sinel de Cordes explodisse também passavam a advogar a liberdade do humor dele? 

 

(o único sentimento mais forte dos tugas do que o ódio pelo humor é a paixão pelos coitadinhos...)

 

[Para qualquer comentário que se assemelhe com "ele nem tem piada", "o humor tem limites" ou "espero que ele morra" vide resposta aqui.]

 

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22
Abr16

As mortes que chocam e as mortes que doem.

Maria das Palavras

Os famosos vão morrendo. Têm aquela particularidade chata de continuarem a ser humanos e, portanto, ainda que para nossa incoveniência, são perecíveis e em última instância - às vezes com umas ajudas químicas, outras vezes nem por isso - exalam o último suspiro. E eu nem julgo quem mina as redes sociais de RIP, cenas do ator, músicas do cantor e outros que tais. Certo que há sempre uns que mal conheciam a obra e são carpideiras-surfistas (entram na onda). Seja.

O que me dá torvelinhos no peito, então? Que se diga que está a ser um ano terrível (e ouvi e li tantos desabafos assim desde ontem, com mais uma morte de uma estrela). Um ano terrivel seria que houvesse tal sequência de mortes das que nos doem - ou uma só - e não das que nos chocam. Das que me fazem dizer que quem morre é quem fica vivo, porque quem parte leva consigo para a cova, para o mar onde se espalham as cinzas, para o céu, para o purgatório, para o inferno (cada um acredita no que quiser) um pedaço irrecuperável de nós. 

As mortes dos artistas, atletas, figuras públicas, imortais na sua obra, mesmo que todos de enfiada e um por semana, só fazem com que seja um ano terrível, um de cada vez (sem reparar na sequência), para aqueles a quem essa morte dói de facto. E esses não somos nós. Nós abrimos a boca em espanto, sentimos talvez um espasmo de tristeza e a nostalgia abate-se. Mas continuamos inteiros.

 

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12
Abr16

O ciúme e as estúpidas das ciumentas.

Maria das Palavras

Há aí uma cultura de gente feliz e com toda a segurança do mundo que trucida as mulheres (e homens) atingidos por esse bicho vil que é o ciúme. Os ciumentos só podem ter um excedente de células parvas porque toda a gente sabe que as pessoas felizes e normais e que amam de verdade não têm ciúmes. Divide-se mais ou menos assim: 1) se há mesmo motivo para desconfianças (e normalmente onde há fumo há fogo) deves ser crescido e racional e afastar-te dessa relação que te faz mal com a leveza de duas embalagens de discos de algodão para tirar maquilhagem da cara; 2) se não há motivo e é tudo insegurança tua vê lá se te afogas num balde, porque as pessoas de jeito não estragam as suas relações - elas sim - com esse tipo de picuinhices.

Se ao menos a complexidade humana fosse um mito isto podia ser dito assim. 

 

A verdade é que sentir "ciúmes obsessivos" acontece sem que se queira ou possa controlar facilmente. Porque, sim, o ser humano consegue ser inseguro e catar o pior de si e dos outros porque sabe que a vida não dá folgas e  muitas vezes até porque já se queimou por ser ingénuo. Nunca os experimentei, nem preciso disso para saber que são passíveis de estragar relações, mas o propósito bem certo não era esse. Nem sempre conseguimos manter-nos com o switch da racionalidade para cima. O amor e o ciúme não vêm de mãos dadas mas têm em comum o turbilhão de emoções que nos fazem experimentar. Em querendo e fazendo por isso, a maturidade, o equilíbrio, a segurança, chegarão com a ajuda dos que nos rodeiam. Mas as pessoas ciumentas não estão estragadas. Estão a tentar lidar com alguma coisa. Como estamos todos. Podemos e devemos, enquanto objeto de ciúme chegar ao ponto em que temos de nos afastar da pessoa ciumenta - fazer o melhor para nós. Mas o julgamento continua a ser uma arma perigosa e a usar com moderação. De um lado e de outro.

 

Imagem Pixabay - CoraçãoE sentir os chamados "ciúmes saudáveis" então é tão natural como a nossa sede. Dos amigos, dos pais, dos irmãos...sobretudo do parceiro ou parceira. Ter aquele incerteza inicial, procurar um reforço positivo do outro lado. Hoje em dia não sinto ciúmes do Moço, e não me considero uma pessoa ciumenta no geral, mas fiz os meus beicinhos no início da relação. Continuo a achar que tenho o direito de não gostar de certas confianças alheias e ele tem o mesmo direito, desde que não haja nunca um momento em que isso ponha em causa a confiança no outro. Há até um certo salero em querer provocá-los (dentro das linhas do aceitável e inocente) muito embora não seja um jogo recomendável - sobretudo se o lado de lá tem traços de ciúme carregados. Nem convém usar ciúme para ganhar pontos em relações que não estão sólidas - nada de bom se contrói sobre a base de um sentimento, que por mais natural que seja, não deixa de inclinar para a negatividade.


Não acredito tudo em quem diz que nunca na vida os experimentou, mas a acreditar, acredito que esteja relacionado com o desprendimento dos sentimentos negativos que querem e conseguem estas pessoas. Conseguem impor a si próprios extremo otimismo e ver sempre o melhor dos caminhos à sua frente - palminhas por isso, gostávamos todos de o conseguir. Mas enquanto trabalhamos todos em ser seres humanos melhores não advoguemos que o normal é não ter ciúmes e todo o restante tipo de relações tem caruncho. Como se algum de nós fosse esse poço de virtudes e equilíbrio inesgotável.

 

[Este post não se escreve na defesa da ciumeira, que não é prática que se deva defender ou descupar quando levada ao extremo, mas na assunção de que temos todos fraquezas e compreendemos sempre melhor as nossas do que as dos outros.]

 

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11
Abr16

5 Personagens que Existem em Todas as Famílias

Maria das Palavras

(Menos na minha. Cof cof cof.)

1. O barrigudo que tira a roupa

Um tipo vermelhusco, bem oleado por copos de tinto e que em todos os eventos familiares chega ao ponto de se achar um participante - o melhor - do Achas que Sabes Dançar. Para riso de quase todos, mas vergonha dos entes mais próximos que disfarçam com um sorriso de aceitação desolada, é inevitável o momento em que acaba a despir a camisa. Se tivermos sorte, só a camisa. 


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2. A mexeriqueira

É uma mistura explosiva entre SIC Notícias do Alandroal de Baixo, informador do FBI e mural do Facebook. Sabe tudo e põe a informação a circular como se a sua vida dependesse disso - e no fundo a atenção que todas as outras mulheres lhe dão depende mesmo disso (mesmo aquelas que depois comentam ao lado que a fulana é funcionária da Rádio Alcatifa com ar reprovador, não se afastam enquanto não ouvem tudo). A sua veia curiosa e intriguista também é o gerador principal de várias discussões familiares. E é um gerador tal que várias petrolíferas querem catá-la para não se descobrir esta fonte de energia inesgotável que pode acabar com o negócio deles. 

 

3. O palhaço de serviço

Em muitos casos é a mesma pessoa que o barrigudo que tira a roupa. Embora geralmente faça os presentes rir com os seus comentários ora sagazes ora inconvenientes, não deve ser dada muita confiança ao palhaço de serviço sob pena de este começar a fazer tentativas que envolvem funções corporais (aka arrotos). Numa versão mais ligeira pode ser só o tipo que tem o maior portfólio de anedotas - que repete em todos os jantares. Todos. Sim, vai voltar a repetir - felizes dos presentes que têm memória curta e que podem rir-se de todas as vezes.

 

4. A velha das notas

Toda a gente sabe ou suspeita que ela é cheia da massa apesar de ser reformada desde 1845 e comer pão até ganhar bolor. Aliás é por ser tão poupada (forreta, há quem diga) que reuniu uma quantia de dinheiro que, para os filhos da crise que não sabem bem o que é poupar, é uma fortuna - embora para ela, que faz contas ao dinheiro que precisa para o seu próprio funeral, seja sempre pouco. De quando em vez, numa época de Páscoa em que o sol se põe para Este a uma sexta-feira 13 ela saca de uma nota gorda e dá a uma das crianças que entende ser merecedora daquele pedaço de papel que ela guardou nos últimos cinco anos no fundo de uma arca e cheira ligeiramente a alfazema (ou bolas de naftalina). Sim, ainda tem notas de escudos guardadas dentro de um colchão velho.

 

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5. A deslocada

Assume geralmente a forma de um(a) adolescente, mas não é obrigatório. O telemóvel é o seu melhor amigo em qualquer ocasião familiar e escolhe os cantos mais recatados da sala como habitat natural. Ninguém lhe vê as beiças desde 2003 porque está sempre de cabeça baixa, até a comer, e cabelo a tapar meia cara. Assume-se naturalmente, pela postura, que é estudiosa e/ou rebelde, mas em calhando não é nenhuma das duas, é só menos fingida que os outros que atiram sorrisos por cima do bacalhau com todos.

 

Conseguem identificar alguns no vosso seio familiar? Cuidado. Se não conseguem...podem bem ser vocês. Muahahahah.

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