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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

24
Mar15

A dolorosa tradição do "parabéns a você"

Maria das Palavras

Não falo em virar mais um capítulo a cada aniversário: cada um acomoda a idade com a graça que lhe aprouver. No entanto há certos rituais, que se têm vindo a aprimorar com o tempo, que me fazem sempre temer o momento do bolo.

Bolo de aniversário - Maria das Palavras

 

1. O Parabéns a Você Infinito. Há sempre aquele atrasado mental que a meio da canção a recomeça, como se fosse um momento fantástico. Sejamos francos: os convidados estão desafinados e o aniversariante (sou só eu?) não sabe onde se enfiar, para onde olhar, se entra na cantoria ou bate palminhas como uma criança. O momento não se quer prolongar. Mas nãaaaaaaaao. Aquele anormal quer prolongar o momento. Entretanto, também o autor da letra está a dar voltas no caixão, porque há um uso escusado do "você" (parabéns a você? a sério?) e diz que quem canta são as nossas almas - antes fossem, talvez fosse um canto interior.

2. O Parabéns a Você Infinito - Parte II. Quando eu era novita não havia estas modernidades de prolongar a canção ao nível da epopeia musical. A música começava no "Parabéns a você" e acabava no "uma salva de palmas". Parece que alguém com uma veia de poeta ou diva da música, se lembrou de continuar a cantar quando todos se calavam e a moda pegou. Portanto há toda uma nova quadra para desejar saúde e amigos - mais amigos para quê? Para haver mais gente a cantar? E quando finalmente suspiramos de alívio porque acabou o ritual: olham para nós como se esperassem alguma coisa. E não é bolo. É um solo musical. Sei que começa com "Obrigado amigos" mas normalmente acabo logo com "não sei esta parte, vamos comer".

3. Trincar a Vela. O fabricante de velas que se lembrou desta é um génio. Como é que posso fazer para eles não guardem as velinhas e as reciclem até à morte riscando os numerozinhos? Ponho-os a trincar cera para dar boa sorte! Meus senhores: se ao trincarem cera querem pedir um desejo, que seja este: uma escova de dentes logo a seguir. Neste momento, imagino sempre pessoas muito finas a entrar num hotel elegante onde há candelabros com velas altas acesas e que de repentem perdem a pose, largam as malas e se põem com a cabecinha de lado a mordiscar as velas do lobby. Depois sacudo a cabeça e penso que é um disparate. As pessoas ricas que vão para hóteis com candelabros não têm desejos: compram tudo.

4. A primeira fatia de bolo. É uma espécie de "gostas mais do pai ou da mãe" aplicado a toda a família e/ou amigos. E agora? Dás a fatia de bolo à pessoa mais velha, talvez num insulto? À mãe que distendeu as ancas para te trazer ao mundo? Ao namorado, criando mais uma quezília tipo quem-é-o-homem-da-tua-vida com o pai? Conselho: come a primeira fatia e engole a dúvida.

 

Mais constrangimentos de aniversário, há por aí?

 

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31
Out14

No meu tempo não havia Halloween

Maria das Palavras

Merendeiras - pt.petitchef.com


As máscaras guardavam-se para o Carnaval. E a noite de 31 só não era uma noite como as outras - abóboras só para a sopa porque já antecipávamos a overdose de açúcar do dia seguinte.

No dia 1 acordava cedo e entusiasmada ia ter com o meu primo Tiago para pedir bolinho. Sem adultos atrás. Era de manhã e era seguro percorrer a aldeia. A lenga-lenga a cada porta, de cada grupo de crianças:

 

Ó tia dá boliiiinho!!

 

E os mais atrevidos acresecentavam (mas baixo):

 

Com uma tranca no fociiiinho!!

 

A maior parte das pessoas dava rebuçados (não sabem ate que idade eu disse rubeçados). Delirávamos com os chocolatinhos. Torcíamos o nariz quando as ofertas eram de facto bolos. E tínhamos nojo de morte de quando nos misturavam tremoços húmidos na saca dos doces.
Chegando a casa espalhávamos tudo em cima de uma toalha estendida no chão e começávamos a contar, em competição. Doces às centenas e de lado o que não nos interessava. No bolso umas moedas tímidas, dos velhotes da aldeia que davam 50 escudos a cada um. E uma nota de passar a casa da avó.

Será muito estranho que amanhã uma adulta de 28 anos vá bater à porta das mesmas casa a pedir doces? Apetecia-me tanto...

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