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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

20
Abr20

MDV #16 - Quarenta dias inteiros

Maria das Palavras

Quarentena efetiva, completei ontem quarenta dias sem sair de casa. Chamem-me doida (provavelmente estou), mas não preciso de sair - o Moço sai para trabalhar e portanto trata das pouquíssimas coisas que admitimos essenciais de se fazer na rua - e não acho que ir até ali ao fundo fazer um passeio à volta da cidade a pé me vá trazer mais vantagem do que tiques nervosos. O que eu precisava era de expandir horizontes, experimentar e ver coisas novas, não sair a medo para bater o ponto do passeio higiénico. Vejo o mar da varanda, vejo igualmente muita gente a andar de um lado para o outro e, como disse, chamem-me doida (provavelmente estou) mas podendo não sair, não sairei. Tenho essa sorte, não vou tentar o azar.


Claro que isso traz paranóias como o meu coágulo na perna. E situações embaraçosas de recolhimento, como a coisa vergonhosa que encontrei o Moço a fazer sozinho NA COZINHA!

Saibam tudo em mais uma mensagem de voz que vos deixamos. 

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14
Abr20

Life Hacks para os Maiores Problemas da Quarentena

Maria das Palavras

Não falo de problemas menores, como ter saudades da família, falta de acesso a bens essenciais, a quebra da sanidade mental ou situações precárias e sacrifícios vários em nome do bem-estar comum. Falo daquelas situações mesmos graves.


“O meu chefe quer videochamadas diárias.”

Avaria as tuas câmaras para evitar que te vejam. Precisas que seja credível, qualquer martelo com prego, bem assente, resolve o assunto

Guarda apenas uma câmara sã, pode ser um tablet velho, para chamadas ocasionais com familiares ou amigos selecionados. O patronato não pode saber da existência desse último dispositivo se querem continuar a trabalhar sujos, despenteados e nus.

 

“Eu faço distanciamento quando tenho de sair, mas os outros não. Fui ao supermercado e um velho estava a respirar-me para cima.”

Antes de saíres à rua escreve COVID19 na testa com um marcador preto. Sempre que sentires outros humanos, olha bem em volta para te certificares que te lêem a testa.
Em casos mais graves faz um pequeno impulso para a frente e grita “vou-te lamber”.


“Não consigo aturar mais as pessoas que vivem comigo.”

Usa o papel higiénico que acumulaste para construir muralhas e definir espaços para cada um.

 

“Alguns deles são filhos menores e precisam de mim.”

Da próxima vez que fores deixar compras aos teus pais ou avós que estão em isolamento deixa uma cestinha com os filhos menores ao lado das maçãs. Se já andarem, ata-os ao garrafão de 7lt do Luso. Se mesmo assim conseguirem fugir, também têm bem idade para se safarem sozinhos.


“Sofro muito da cabeça com Tik Toks de pessoas a dançar descoordenadas.”

Elas também. Desliga o Tik Tok.



De nada, pessoal.

 

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12
Abr20

Este blog não é sobre livros #25 -O Pintassilgo

Maria das Palavras

O Pintassilgo - Donna Tart | Opinião Maria das Palavras

 

O problema são as expectativas. Sei que estou sempre a dizer isto. 

Comecei sabendo que era um livro ótimo, favorito de muita gente. Tinha ouvido dizer que o fim era supreendente e, noutra versão, a pior coisa do livro. 

O que achei?
É um bom livro e um livro para quem gosta de ler. É para apreciar o processo de leitura e crescimento do Theo, cada página. Não para se ter ânsia de chegar ao fim, fim esse que não me supreendeu, nem me desiludiu.

Tão bem escrito (não por ser demasiado pretensioso na linguagem) que nos faz sentir fisicamente mal a espaços, ao recriar tão bem determinados contextos. Que nos frustra, porque só queremos entrar para dar um conselho ao protagonista, ou então afastar-nos daquilo tudo de uma vez para evitar o desconforto de não o podermos fazer.

Mas não é um livro que recomendarei a quem gosta de ler de vez em quando, antes um livro para leitores frequentes apreciarem, no sentido em que entendo que nem toda a gente ficasse contente em passar por 900 páginas para ver o Theo desenvencilhar-se.

Breve (brevíssimo) resumo: Theo perde a mãe, o pai já se tinha esquivado, e ele passa as passinhas do Algarve para encontrar estabilidade em todos os sentidos. No centro da trama está uma obra de arte, O Pintassilgo, por razões que terão de descobrir. 


Quando terminei, instalei a Amazon Prime para ver o filme (gratuito por 7 dias) - e depois descobri que não está disponível em Portugal. Também pesquisei para descobrir que o quadro está em Haia, e sei que o gostava de ver ao vivo um dia. 

Da mesma forma que não encontrei o fim do livro, não assentou ainda totalmente a minha opinião. Gostei muito, não me apaixonou. Recomendo se estão numa fase de leitura, mas não se estão estagnados e a querer voltar. 

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06
Abr20

Este blog não é sobre livros #24 - Handmaid's Tale

Maria das Palavras

A História de Uma Serva, o livro - Opinião Maria das Palavras


Quero ver a série que toda a gante elogia, mas queria antes disso ler o livro. Comprei-o numa viagem de trabalho a Londres onde comprei demasiados livros, por acidente...são mais baratos, têm capas lindas e o tamanho perfeito. Mas tendo em conta que é um livro escrito nos anos 80 e não muito simples (por exemplo, a autora, não distingue os diálogos nas frases), acho que teria sido mais rápido em português.

 

Em todo o caso, li-o, como quem gosta, mas passa na diagonal alguns parágrafos, sabem? Perdemos muito tempo nos devaneios da protagonista (é ela a narradora) e a ação, embora interessante,deixa sempre muito por explicar - supostamente muito se desvenda no livro que se segue (Testamentos). 

 

É uma distopia, uma sociedade pretensamente feminista, mas pareceu-me mais em fachada que tudo mais. A protagonista é uma das mulheres que são "atribuídas" a famílias de elite numa altura em que a procriação é difícil, para que tente gerar um bebé. O ritual mensal para que esta missão aconteça deixará o leitor muito desconfortável. 

 

Comparo este livro a outro que li recentemente: 1984. Ambas distopias, onde há regimes totalitários que toldam a liberdade aos indivíduos numa perspectiva que pode não ser assim tão irrealista enquanto houver pessoas a eleger Trumps, Bolsonaros, deputados do Chega e qualquer pessoa ou partido que represente uma fação extremista, seja à direita ou à esquerda. 

 

Leiam. Não porque é um livro de entretenimento incrível. Mas para verem os ecos de realidade que se conseguem vislumbrar no nosso mundo de hoje, nestes sociedades inventadas, mas não irrealistas se resvalarmos por certos caminhos de intolerância.

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05
Abr20

MDV #15 - Três tristes banhos

Maria das Palavras

Manhãs inspiradas resultam em mensagens de voz para vocês! Neste episódio fiquem a conhecer o maior medo do Moço (ninguém adivinha), o flagelo que é receber uma encomenda nesta casa e o mistério que mora no andar de cima. Gostava até que fizessem as vossas sugestões do que poderá ser...

 

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04
Abr20

Este blog não é sobre livros #23 - O Rapaz de Auschwitz

Maria das Palavras

O Rapaz de Auschwitz - review Maria das Palavras


O Clube do Autor enviou-me o livro, mas enquanto eu lia outro, o Moço roubou-mo e passou-me à frente. Sei que este livro o manteve acordado a ler depois de mim à noite (raríssimo) e que ele comentou não estar preparado para algumas cenas. Por isso, enquanto eu não o leio, deixo-vos desde já a descrição e opinião dele. Quase não tive de o obrigar a escrever ("odiava composições na escola").



"O rapaz de Auschwitz é a história de um rapaz que foi parar a um campo de concentração nazi. Vendo-se longe da sua família, teve de sobreviver com a esperança de um dia voltar a encontrá-la.

É uma historia intensa e que mostra toda a crueldade imposta por um regime, que só queria massacrar, humilhar e acabar com as raças que não eram a sua.

O livro retrata duas épocas distintas: uma durante o regime nazi e outra após, vivida nos Estados Unidos da América, um dos países que lutou por um mundo justo e melhor.*

Uma das coisas que mais impressionou no livro é o paralelismo feito de duas épocas diferentes, mostrando que todo o sofrimento causado pelo estado nazi não foi suficiente para mudar o pensamento de muitas pessoas pelo mundo.

A vida de Steve Ross nos campos de concentração mostram um rapaz que sobreviveu, devido à sua coragem e esperança. Uma vida que felizmente o levou até Boston, tendo sido recebido e cuidado por um país que não era o seu, mas que lhe deu tudo para que tivesse uma vida digna, depois do que sofreu. A gratidão que Steve Ross teve do país que o acolheu, fez com que tivesse o objetivo de lutar por um mundo melhor, mesmo que tivesse de lutar contra preconceitos que já tinha vivido no tempo nazi. E isso mostra que num tempo de tanta inovação e desenvolvimento, continuamos a não aprender com o passado.

É uma historia que não esconde todos os detalhes que não queremos imaginar. É inacreditável que alguém tenha passado por isso, mas infelizmente milhões de pessoas passaram. É um testemunho impressionante e isso é que faz com que este seja um livro impressionante."

Moço


*Nota da Maria: O Trump a rir-se disto.

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02
Abr20

Ode ao Pijama

Maria das Palavras

Cai leve levemente
Como quem desce por mim.

Será ganga?
Será bombazine?

Ganga não é certamente
E a bombazine não cai assim

 

Ó abençoada invenção
Abraça-me e nunca me largues
Composto 100% de algodão
Quem sabe às vezes até polar
Vou vestir-te até ao armagedão
Só te tiro para te trocar

 

E quando te troco é por teu igual
Mais coração, menos ovelha
Viram dias e noites e dias
E tu sempre sobre meu corpo
Provideciando mil alegrias

 

Fui ver
Era o meu pijama

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01
Abr20

Um dia, para lá da pandemia

Maria das Palavras

Seja lá quando for, consigo muito bem imaginar como serão os meus dias, quando o isolamento puder oficialmente acabar.

Primeira semana depois da pandemia terminar

Que bom fazer todos os dias o caminho para o trabalho, a apreciar o caminho!
Vou trilhar o país e ver a família toda! Viva o convívio com amigos
Pequeno-almoço fora, almoço fora, jantar fora.
Ninguém me paraaaa!

Terceira semana depois da pandemia terminar

Ai, quem me dera poder trabalhar remotamente, que saudades das reuniões de pijama.
‘Bora ficar em casa no fim-de-semana? Estou farta de andar de um lado para outro.
Manda vir comida.


Décima semana depois da pandemia terminar

Mas porque é que tenho de cumprimentar toda a gente, céus, odeio pessoas. Quem é que inventou que as mulheres davam beijinhos a estranhos!?
Vamos só aquecer uams sobras quaisquer para comer e fechar-nos em casa.

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31
Mar20

A Blogger Menos In do Pedaço #114 - Edição Pandemia

Maria das Palavras

(Ainda) não fiz pão. Só fui à varanda ler, nada de bater palmas ou fazer música que não gosto de incomodar os vizinhos (e assimcomássim, não  tenho a certeza que isso ajude). Não acumulei papel higiénico, nem nenhum género alimentício. Toda a gente quer comprar o que é nosso e eu também, mas o que me apetecia mesmo mesmo era um hambúrguer do Burguer King, com batatas fritas do McDonalds. Não faço encomendas, nem sequer de comida. Não faço treinos de PT nenhum no Instagram (estou a estudar o impacto no ser humano de passar os dias sentada e deitada). Também não vi nenhum live inteiro do Bruno Nogueira (apanho-os sempre a falar do mesmo e deixo o Moço a ver sozinho), nem fiz eu própria nenhum live (o que deve ser ainda mais grave). Não partilhei como estou farta de crianças – ajuda não as ter, nem fui passear o cão – ajuda não o ter. Os meus pais têm cão, mas também não o podem passear porque ele não anda (nem sequer estou a brincar). Não briguei para ser eu levar o lixo (continuo a não gostar, mesmo em tempo de pandemia). Não partilhei fotos de videochamadas, mas juro que já aconteceram algumas e a minha palavra terá de servir. Não organizei as estantes de livros por cores (mas estou a isto – gesto de juntar o polegar ao indicador). Não aproveitei para arrumar gavetas, porque já bem basta ter de limpar a casa. Não criei um podcast, até porque já o tinha. 

 

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