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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

06
Fev19

Toda a verdade: O Moço não me ajuda em casa.

Maria das Palavras

Pessoa a limpar a cozinha - Imagem Unsplash


Não me ajuda com a roupa. Nem me ajuda com a louça. Não me ajuda com as limpezas. Não me ajuda com a comida ou com as compras. Nem sequer me ajuda a arrumar nada. Tão pouco me ajuda a levar o lixo.

 

Não me ajuda. Ele faz. Porque a casa é dos dois. "Ajudar" pressupõe que estas tarefas fossem minhas e ele, benemérito, me desse uma mãozinha opcional. Ele faz tanto ou mais que eu - se for ele a contar faz mais de certeza porque ele é o mestre da desmultiplicação de tarefas. 

 

Maria a enumerar a tarefa: 

1. Fiz uma máquina de roupa. 

 

Moço a enumerar a mesma tarefa: 

1. Escolhi roupa suja do cesto. 

2. Pus a roupa na máquina. 

3. Coloquei detergente.

4. Coloquei amaciador. 

5. Selecionei as opções corretas e carreguei no botão para começar. 

6. Aguardei que a roupa lavasse. 

7. Quando acabou, estendi-a.


E até vos estou a poupar (estendi meias, estendi camisolas, estendi calças...).

 

Ele não me ajuda, ele faz a parte dele. E eu não tenho "muita sorte" por isso. Garanto-vos que jamais teria "azar" porque outra coisa não aceitaria. Eu também não fui habituada às tarefas domésticas e aprendi a desenrascar-me, tendo de ganhar o hábito. Não nasci para dona de casa, tal como ele não terá nascido para fada do lar. É assim, porque é assim que tem de ser, uma vez que trabalhamos os dois full time. Faz um quando pode e o outro quando não pode. 

Se eu me desenrasco melhor nalgumas coisas? Talvez. Por exemplo, corto legumes para a sopa enquanto o diabo esfrega um olho. Enquanto ele corta legumes para a sopa, dá-se o degelo de mais um glaciar. Mas fica a dica: não caiam na armadilha do "dá cá que eu faço" por não terem paciência para esperar ou para alguma coisa que fique menos perfeita. Às vezes, é só isso que eles (ou elas!) querem ouvir para se safarem de mais uma tarefa ingrata. 

 

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04
Fev19

"Então e bebés?"

Maria das Palavras

Vida íntima - Então e bebés? Maria das Palavras

 

Vou tentar que este não seja um texto apenas sobre como é totalmente desadequado perguntar a um casal se não está na altura de terem filhos. Vou tentar que este seja um texto sobre o que eu sinto e talvez mais uma pessoa desse lado possa sentir e identificar-se, de forma a que saibamos ambos que não somos aliens

 

Apesar de em teoria toda a gente saber que quem sabe da sua vida é o dono dela, é socialmente aceitável em qualquer contexto perguntar pelos seus planos mais íntimos. Normalmente até sob forma de uma afirmação (nem tanto uma pergunta) mais ou menos assim "está na vossa vez!" ou "queremos um sobrinho" ou ainda "já está na altura de terem um bebé". Literalmente em qualquer contexto. Estava no outro dia numa conferência de âmbito profissional e um parceiro de negócios que até conheço há alguns anos, mas com quem nem tenho um mínimo de confiança, perguntou-me quando é que eu teria filhos.  Ele tem dois, claro. Normalmente são as pessoas com filhos que têm mais vontade que os outros ajudem a a povoar o mundo. Eu percebo: já conhecem a magia de serem pais e isso ninguém lhes tira (também aposto que há um niquinho de sentimento de quererem partilhar as noites mal dormidas), no entanto continuam a não ter o direito de decidir sobre a minha vida ou perguntar coisas íntimas. Também quererão saber sobre o meu ciclo menstrual, já que estamos no tema? 

 

Há algumas formas de responder a isto. 

Dar troco. Quando tu tiveres o segundo/terceiro/décimo.

Com bom humor. Ahah, isso agora!...

De forma evasiva. Um dia.

Mudando o assunto. Aquilo é um pássaro ou um avião?

De quem está farto. Não tem muito a ver com isso, pois não?

Já experimentei todas. Nenhuma desarma a pessoa ao ponto de não voltar a perguntar noutra ocasião qualquer (a mim ou a outra pessoa). 

 

You're next

 

Eu adoro crianças. Conheço como tia e como "tia" o sentimento indescritível de ligação a uma criança, que como mãe será certamente multiplicado por um milhão. Eventualmente, quero ter alguma para mim.

 

Tenho um problema muito grande no entanto. Continuo a ver-me como mãe "daqui a dez anos" como me via quando tinha vinte. Um plano distante. E sabem porque digo que é um problema? Além do facto da mãe natureza não perdoar, claro, e me dar um tempo limitado para ligar o relógio biológico. Digo que é um problema porque toda a gente à minha volta me faz sentir isto como um problema. 

 

Imaginem que podem estar a cometer uma grande gaffe quando perguntam a um casal por filhos e nem sonham que estes até estão a tentar ou já tentaram mas têm problemas de fertilidade ou passaram por uma situação de aborto espontâneo. Imaginem também - sem querer comparar a intensidade incomparável da questão - o que sente alguém que não tem problemas de fertilidade (ou tem, mas ainda não sabe disso, pelo menos) e é constantemente "repreendido" por não estar a tentar ter um filho a todo o custo. Imaginem como fazem uma pessoa sentir-se avariada. 

 

A idade complica. Ter uma relação estável complica. Ter um emprego estável complica. Tenho de ter certamente um aneurisma a formar-se para ter condições para ter uma criança e ainda não querer isso para mim, quando toda a gente acha que é o momento certo. Toda a gente, menos eu. "Nunca se está preparado" e "nunca é o momento ideal" não significa que o meu "agora não" não tenha legitimidade.

 

Portanto, repitam comigo: um casal (ou alguém) tem filhos quando quiser e decidir. Não quando está na idade certa, com condições financeiras e alguns anos de convivência feliz. Quando quiser e decidir. Não quando ouve esse conselho repetido de conhecidos, amigos ou família, que por melhor intenção que tenham (e o carinho é apreciado) têm absolutamente zero por cento a ver com essa decisão. Quando quiser e decidir. E isso não é um problema. É antes......Eu até dizia o que é. Mas adivinhem? Ninguém tem nada a ver com isso. 

 

Toda a gente tem tão pouco a ver com isto, que este texto não deveria sequer ser escrito ou publicado. Mas faço-o eu com a certeza de falar por muita gente (com a devida permissão do Moço, cuja opinião é um assunto separado que não trouxe para aqui, porque lá está, não pertence ao domínio público). Não hesitem em partilhá-lo, se é o que sentem e deixem que as minha palavras falem por vós.  

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