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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

06
Abr20

Este blog não é sobre livros #24 - Handmaid's Tale

Maria das Palavras

A História de Uma Serva, o livro - Opinião Maria das Palavras


Quero ver a série que toda a gante elogia, mas queria antes disso ler o livro. Comprei-o numa viagem de trabalho a Londres onde comprei demasiados livros, por acidente...são mais baratos, têm capas lindas e o tamanho perfeito. Mas tendo em conta que é um livro escrito nos anos 80 e não muito simples (por exemplo, a autora, não distingue os diálogos nas frases), acho que teria sido mais rápido em português.

 

Em todo o caso, li-o, como quem gosta, mas passa na diagonal alguns parágrafos, sabem? Perdemos muito tempo nos devaneios da protagonista (é ela a narradora) e a ação, embora interessante,deixa sempre muito por explicar - supostamente muito se desvenda no livro que se segue (Testamentos). 

 

É uma distopia, uma sociedade pretensamente feminista, mas pareceu-me mais em fachada que tudo mais. A protagonista é uma das mulheres que são "atribuídas" a famílias de elite numa altura em que a procriação é difícil, para que tente gerar um bebé. O ritual mensal para que esta missão aconteça deixará o leitor muito desconfortável. 

 

Comparo este livro a outro que li recentemente: 1984. Ambas distopias, onde há regimes totalitários que toldam a liberdade aos indivíduos numa perspectiva que pode não ser assim tão irrealista enquanto houver pessoas a eleger Trumps, Bolsonaros, deputados do Chega e qualquer pessoa ou partido que represente uma fação extremista, seja à direita ou à esquerda. 

 

Leiam. Não porque é um livro de entretenimento incrível. Mas para verem os ecos de realidade que se conseguem vislumbrar no nosso mundo de hoje, nestes sociedades inventadas, mas não irrealistas se resvalarmos por certos caminhos de intolerância.

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05
Abr20

MDV #15 - Três tristes banhos

Maria das Palavras

Manhãs inspiradas resultam em mensagens de voz para vocês! Neste episódio fiquem a conhecer o maior medo do Moço (ninguém adivinha), o flagelo que é receber uma encomenda nesta casa e o mistério que mora no andar de cima. Gostava até que fizessem as vossas sugestões do que poderá ser...

 

Ouçam aqui no spotify, ou aqui no castbox (não precisam instalar nada, se não quiserem - ouvem no browser) ou clicando PLAY abaixo.

 

 

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04
Abr20

Este blog não é sobre livros #23 - O Rapaz de Auschwitz

Maria das Palavras

O Rapaz de Auschwitz - review Maria das Palavras


O Clube do Autor enviou-me o livro, mas enquanto eu lia outro, o Moço roubou-mo e passou-me à frente. Sei que este livro o manteve acordado a ler depois de mim à noite (raríssimo) e que ele comentou não estar preparado para algumas cenas. Por isso, enquanto eu não o leio, deixo-vos desde já a descrição e opinião dele. Quase não tive de o obrigar a escrever ("odiava composições na escola").



"O rapaz de Auschwitz é a história de um rapaz que foi parar a um campo de concentração nazi. Vendo-se longe da sua família, teve de sobreviver com a esperança de um dia voltar a encontrá-la.

É uma historia intensa e que mostra toda a crueldade imposta por um regime, que só queria massacrar, humilhar e acabar com as raças que não eram a sua.

O livro retrata duas épocas distintas: uma durante o regime nazi e outra após, vivida nos Estados Unidos da América, um dos países que lutou por um mundo justo e melhor.*

Uma das coisas que mais impressionou no livro é o paralelismo feito de duas épocas diferentes, mostrando que todo o sofrimento causado pelo estado nazi não foi suficiente para mudar o pensamento de muitas pessoas pelo mundo.

A vida de Steve Ross nos campos de concentração mostram um rapaz que sobreviveu, devido à sua coragem e esperança. Uma vida que felizmente o levou até Boston, tendo sido recebido e cuidado por um país que não era o seu, mas que lhe deu tudo para que tivesse uma vida digna, depois do que sofreu. A gratidão que Steve Ross teve do país que o acolheu, fez com que tivesse o objetivo de lutar por um mundo melhor, mesmo que tivesse de lutar contra preconceitos que já tinha vivido no tempo nazi. E isso mostra que num tempo de tanta inovação e desenvolvimento, continuamos a não aprender com o passado.

É uma historia que não esconde todos os detalhes que não queremos imaginar. É inacreditável que alguém tenha passado por isso, mas infelizmente milhões de pessoas passaram. É um testemunho impressionante e isso é que faz com que este seja um livro impressionante."

Moço


*Nota da Maria: O Trump a rir-se disto.

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02
Abr20

Ode ao Pijama

Maria das Palavras

Cai leve levemente
Como quem desce por mim.

Será ganga?
Será bombazine?

Ganga não é certamente
E a bombazine não cai assim

 

Ó abençoada invenção
Abraça-me e nunca me largues
Composto 100% de algodão
Quem sabe às vezes até polar
Vou vestir-te até ao armagedão
Só te tiro para te trocar

 

E quando te troco é por teu igual
Mais coração, menos ovelha
Viram dias e noites e dias
E tu sempre sobre meu corpo
Provideciando mil alegrias

 

Fui ver
Era o meu pijama

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01
Abr20

Um dia, para lá da pandemia

Maria das Palavras

Seja lá quando for, consigo muito bem imaginar como serão os meus dias, quando o isolamento puder oficialmente acabar.

Primeira semana depois da pandemia terminar

Que bom fazer todos os dias o caminho para o trabalho, a apreciar o caminho!
Vou trilhar o país e ver a família toda! Viva o convívio com amigos
Pequeno-almoço fora, almoço fora, jantar fora.
Ninguém me paraaaa!

Terceira semana depois da pandemia terminar

Ai, quem me dera poder trabalhar remotamente, que saudades das reuniões de pijama.
‘Bora ficar em casa no fim-de-semana? Estou farta de andar de um lado para outro.
Manda vir comida.


Décima semana depois da pandemia terminar

Mas porque é que tenho de cumprimentar toda a gente, céus, odeio pessoas. Quem é que inventou que as mulheres davam beijinhos a estranhos!?
Vamos só aquecer uams sobras quaisquer para comer e fechar-nos em casa.

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31
Mar20

A Blogger Menos In do Pedaço #114 - Edição Pandemia

Maria das Palavras

(Ainda) não fiz pão. Só fui à varanda ler, nada de bater palmas ou fazer música que não gosto de incomodar os vizinhos (e assimcomássim, não  tenho a certeza que isso ajude). Não acumulei papel higiénico, nem nenhum género alimentício. Toda a gente quer comprar o que é nosso e eu também, mas o que me apetecia mesmo mesmo era um hambúrguer do Burguer King, com batatas fritas do McDonalds. Não faço encomendas, nem sequer de comida. Não faço treinos de PT nenhum no Instagram (estou a estudar o impacto no ser humano de passar os dias sentada e deitada). Também não vi nenhum live inteiro do Bruno Nogueira (apanho-os sempre a falar do mesmo e deixo o Moço a ver sozinho), nem fiz eu própria nenhum live (o que deve ser ainda mais grave). Não partilhei como estou farta de crianças – ajuda não as ter, nem fui passear o cão – ajuda não o ter. Os meus pais têm cão, mas também não o podem passear porque ele não anda (nem sequer estou a brincar). Não briguei para ser eu levar o lixo (continuo a não gostar, mesmo em tempo de pandemia). Não partilhei fotos de videochamadas, mas juro que já aconteceram algumas e a minha palavra terá de servir. Não organizei as estantes de livros por cores (mas estou a isto – gesto de juntar o polegar ao indicador). Não aproveitei para arrumar gavetas, porque já bem basta ter de limpar a casa. Não criei um podcast, até porque já o tinha. 

 

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30
Mar20

O Sino que desdobra as Horas

Maria das Palavras

Faz hoje 20 dias que estou em isolamento, mas não é a passagem do tempo em casa que me desgasta. Tenho a grande felicidade de poder estar em casa com trabalho e mais 67 formas de me entreter, uma varanda para apanhar ar e comida que não tive de acumular em altura nenhuma. E sempre fui sossegada. Dêem-me uma manta e um livro.

Só que.

Enquanto o tempo come os dias, a doença come as pessoas. E cada vez mais vamos conhecer alguém que conhece alguém que está doente ou em situação de risco (a quem vai faltar um ventilador que é uma chance?). Sabemos o poder que temos nas mãos ao escolher recolher-nos, mas só podemos fazer essa escolha por nós, mais ninguém, portanto a doença avança sobre quem a menospreza saindo para passear, sobre quem tem mesmo de sair, sobre quem (mesmo sem sair) tem contacto com os idiotas do primeiro caso e os valentes do segundo.

Desenganem-se se acharem que por estarem em casa – ou serem ‘tão’ saudáveis - são intocáveis. Toca a todos de formas diferentes e às vezes a forma mais cruel não é apanhar a doença, é viver com as suas consequências. 

 

Por isso.


Em casa, riam, vivam, conversem, façam piadas, joguem, divirtam-se.
Aproveitem todos os momentos, todos os detalhes.

Não porque são imunes aos efeitos ou ignorantes dessa realidade. Mas porque, precisamente por não serem, devem a vocês mesmos a missão de serem felizes entre os pingos da pandemia.

De cada vez que sino toca a marcar mais uma hora, é menos uma para isto acabar. Sempre que desdobram, mas não dobram, ganhamos outra vez.

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25
Mar20

Reflexões em tempo de Isolamento II

Maria das Palavras

6
Devia mesmo começar a fazer exercício. Já tentei, mas canso-me muito. 

7
Felizmente não temos balança.

8
Olha que nem em quarentena as pessoas deixam de marcar pessoas que não conhecem nos passatempo do Instagram, hein?!

9
As pessoas que fazem aqueles esquemas com área contaminada da casa para as coisas que vêm da rua, devem ter casas muito grandes.

10

Se todos os carros do país ficarem sem bateria por não andarem, quem é que vai dar faísca ao nosso para pegar? 

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23
Mar20

O flagelo das Videochamadas

Maria das Palavras

Uma das coisas que me está a custar com a crise que para aqui vai não é o isolamento em si, mas um dos efeitos mais nefastos do mesmo: a propagação das videochamadas

A febre das videochamadas tem um período de incubação médio de 5 dias a partir do isolamento, mas mais tarde ou mais cedo revela sintomas em todos os vossos grupos de Whatsapp. As principais ferramentas de contágio são o Skype, o Zoom e agora uma coisa chamada House Party, porque um mal nunca vem só e além de falarmos todos, também temos de jogar todos. 

 

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Eu juro que até sou uma rapariga simpática, que aprecia o contacto com os seus amigos e familiares. Mas mais pessoal. Ou por mensagem escrita. Ou por carta. Culpo pelo trauma o meu pai que sempre me disse que o telefone era para marcar o namoro e não para namorar. Só que agora não dá para marcar nada, mas eu também não me habituei em 34 anos a conviver à distância. Bicho do mato in the house.


Eu vejo vários problemas nisto das videochamadas.


O primeiro é que anula de imediato a maior vantagem de não se sair de casa que é usar o pijama mais rançoso que se tenha all day long e a pessoa não tomar banho, nem se pentear durante cerca de...ora...vai para 13 dias que não saio de casa. E o meu cabelo a partir do dia 2 já destila azeite. Podem dizer que não faz mal, estão entre pessoas próximas, mas toda a gente sabe que é obrigatório publicar imagens das videochamadas nas redes sociais, por isso não pensem que a vossa triste figura em robe de borbotos se vai manter em segredo.

 

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Depois no meio da confusão de janelas, em que às vezes um não se ouve, outro não se vê, há sempre alguém que fica com a imagem parada e uma alminha diz "o não-sei-das-quantas freezou". E "freezou" é uma palavra que me eriça a ponto de me crescerem cabelos debaixos das unhas. E a pessoa que diz isso nas chamadas que temos feito é o Moço. 

Mas mesmo que a ligação esteja a funcionar bem para todos, parecemos todos estrábicos, porque ninguém olha para o sítio certo. A câmara é num sítio, nós olhamos para outro, o que é o equivalente a estar frente a frente para alguém a conversar e um fala a olhar para os pés, outro fala a olhar para o tecto. 

 

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No geral a verdade é que para falarmos todos, acaba por não falar ninguém, que é mais ou menos a sensação que eu tenho em jantares de amigos com mais de 10 pessoas e videochamadas com mais de quatro. Mas já determinámos que eu sou um bicho do mato.
Mas até pode ser que sto me ajude a contribuir para a economia. Agora que o mercado de trabalho é capaz de piorar, até estou capaz de contratar uma assistente só para me gerir os horários das videochamadas, que começa a ser difícil acomodá-las todas, sobretudo se contabilizarmos o período para eu me queixar das chamadas também. 

O meu limite atual, que desconfio que está prestes a ser sacrificado em nome da amizade, são as chamadas à hora de almoço e jantar. Porque já era fácil entendermo-nos todos e falarmos à vez quando só estávamos concentrados nisso, agora adicionem a isto termos todos a obrigação de ter a refeição feita à mesma hora, termos de pôr a mesa (já estamos todos a fazer refeições em cima da cama, certo?) e apoiar o telemóvel num ângulo que nos favoreça (nunca é de baixo, minha gente!) enquanto deglutimos as sobras de ontem. O glamour já estava pela hora da morte, agora faleceu mesmo. 

 

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A minha sugestão é que continuemos a falar todos uns com os outros, mas, por exemplo, cada um vira a câmara para a sua jarra favorita. 
Ainda assim quando as chamadas ultrapassam a marca da meia hora, já começo a ter o índice de atenção de uma suricata e apetece-me pousar o telemóvel e re-encenar aquele anúncio do "siiiim, mãaaae". Sabem?


Posto isto, vou encontrar um martelo e dar cabo de todas as câmaras possíveis cá em casa. Mas sim, continuo muito tranquila, e vocês?

 

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21
Mar20

Hoje é um dia bonito

Maria das Palavras

É o dia mundial da árvore

E também da poesia

Mas mais que tudo isso

É o aniversário da Maria

 

Desta vez não há presentes

Nem familiares à vista

E com o pouco que sobra

Talvez o jantar seja alpista

 

Mas a pessoa não desanima

Nem estar fechada a demove

Festejo e até faço uma rima

Contra o Covid19

 

Seu filho de um vírus mal parido

Que me tolda os movimentos

Vais ver que damos cabo de ti

E viveremos melhores momentos

 

Para que saibas até estou bem

Entretida e sossegada 

Tenho bolo de iogurte e tudo

E gosto mesmo de estar sentada

 

Só tenho este problema de garganta

Não é tosse, é algo mais, 

É um mal que não se espanta

De ter de ralhar com os meus pais!

 

Mas não és só tu que contagias

O meu otimismo é patogénico 

Sei que a alegria está nos detalhes

E eu tenho papel higiénico. 

 

 

[o Sapo Blogs desafiou-nos hoje a fazer um poema e eu claramente dei tudo] 

 

 

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