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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

14
Mar18

Diário da Islândia #2 | Fomos a banhos

Maria das Palavras

Local de Partida: Gardur, Islândia

Local de Chegada: Reykjavik, Islândia

 

Depois do primeiro impacto, o plano do dia era francamente simples: ver o farol que nos soluçou à janela durante a noite mais de perto, tomar um banho de água a 40º no meio da neve e anoitecer em Reykjavik. E é verdade que as coisas mais simples dão memórias para sempre. 

Levámos do hotel um termo cheio de chá quente, conselho lido em diversos blogs (não me perguntem como fiz uma mala de mão para 9 dias no Inverno onde ainda deu para enfiar um termo - mas aconteceu). O vento tinha acordado durante a noite, pelo menos ali tão perto do farol como estávamos, mas enfrentámos o sacana para nos chegarmos mais perto. Valeu a pena. Como valem a pena todos os passeios, por mais pequenos que sejam, nesta terra. 

 

O farol em Gradur - Maria das Palavras na Islandia

 
Foi por volta desta hora que se deu o primeiro avistamente de CAVALINHOS. E vou escrever sempre assim CAVALINHOS para imaginarem o tom agudo e entusiasmado com que gritei sempre que passámos por eles. No entanto, estes estavam muito longe e nós íamos em missão: chegar à afamada Blue Lagoon. Uma lagoa geotermal onde basicamente nos banhamos a 40º quando cá fora está tudo coberto de neve (no dia em que fomos, estavam 40º dentro e -2º fora). Super turístico? Sim. Repetíamos? Também.

Maria das Palavras na Blue Lagoon - Islândia.jpg

 

Basicamente se eu não tivesse cabelinho ralo e companhia de 372 pessoas isto dava uma grande foto. Neste momento do click no entanto, com o cabelo molhado ao léu com a temperatura ambiente negativa, assim esticadinha para ser apanhada pela foto (o Moço atrás da lente, só com um calçonete molhado também) não estávamos bem a sentir como a coisa era super agradável. Mas juro que em todos os outros minutos foi e era menina para ficar lá o resto do dia. Além disso dão máscaras de sílica para usar enquanto estamos na lagoa. Coisa que a blogger comum adora. 
 
Agora reparem que a lagoa é mesmo azul, como diz o nome. Nada como aquelas pessoas que se chamam Esperança e só vaticinam a desgraça, estão a ver? De um azulão tal, que só mostrando numa foto mais bem tirada. Aliás...só vendo ao vivo, mas fica a tentativa. 

 

Blue Lagoon é mesmo azul - Maria das palavras na

 

Eu sei, eu sei. Palmas por termos tirado uma foto sem apanhar chineses. Mas se virem bem, devem ser eles naquelas manchinhas lá ao fundo.

 

Agora a parte verdadeiramente horrível da Blue Lagoon e que vos pode fazer repensar a visita: os balneários. Estão, sim, em perfeitas condições, tendo cacifos, gel de banho, secadores etuditudo. Mas os islandeses levam MUITO a sério a história de se tomar banho todo nu antes de ir para estas lagoas, uma questão de higiene compreensível. Mas não quero falar mais sobre isso. Até porque apanhei traumas para a vida (não se passou nada de extraordinário, mas eu sou uma fresquinha com essas coisas das pendurezas alheias à vista...não percebo porque se me despir na via pública é crime e num balneário não, já que há muita gente, incluindo crianças, a ver na mesma). Claro que tomei banho numa das cabines fechadas, mas respeitei a ordem de tomar banho peladinha antes de ir a lagoa. Já o Moço...

 

giphy.gif

 

Ora bem, a seguir fomos almoçar a um sítio tipicamente islandês ('tá bem, abelha): o IKEA. Isto porque ainda estávamos no início da viagem e a tentar não queimar os cartuchos (AKA o dinheiro). Mesmo assim comer lá num sítio assim custa tanto como comer num restaurante bom por cá. A seguir fomos ao Bónus, a cadeia de supermercados recomendada pelos preços mais em conta (mesmo assim, imaginem bocados de pão a 8€) buscar lanchinhos e outras comidinhas para nos safarmos nas cozinhas das Guesthouses nalgumas refeições. 

 

Particularidades do supermercado: não há salsichas em lata, os legumes e frescos ficam em casinhas separadas, o alcaçuz é rei na parte dos doces. 


No caminho para Reykjavik, estrada fora, começámos logo a perceber como simplesmente andar de carro em curtas distâncias era logo garantia de paisagens magníficas. E ainda não sabíamos da missa a metade. Chegámos à capital e o Moço estacionou em cima de neve e gelo como se tivesse feito isso a vida toda. Fomos conhecer o nosso modesto quartinho na cidade grande. Que não parecia tanto um quarto como uma gaveta. Ou vá, o puxador da gaveta.

Mesmo assim as condições eram boas, apesar do tamanho da nossa suite. Três andares, três WC e três cozinhas. Se os vizinhos dos quartos não fossem porquitos a coisa até se afigurava mais do que aceitável. Se...se...não percam os próximos capítulos. 

 

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13
Mar18

Diário da Islândia #1 | Primeiro impacto

Maria das Palavras

Local de Partida: Espinho, Portugal

Local de Chegada: Gardur, Islândia

 

Acordámos bem cedo, já de malas feitas para fazer o caminho até ao aeroporto. Eram cinco e meia da manhã, estou a juntar os tarecos para um banho rápido e seguir, quando começo a ouvir clac-clacs da cozinha. O Moço achou que aquela hora e aquela instância eram pois ideais para arrumar a louça lavada que estava na máquina, para a pobre não ficar esquecida. Expliquei que na categoria fada-do-lar me estava a der 10 a zero, mas na categoria de acordar e enfurecer a vizinhança estava a conseguir uma pontuação ainda mais alta. Ainda por cima ele não sabe fechar armários sem imitar um terramoto de magnitude 5 na escala de Richter. 

tenor (1).gif

 

A primeira etapa da viagem falhou logo, porque foi a única que não fui eu a planear ao milímetro (sim, sou dessas). Apanhar um taxi para o aeroporto (não de Espinho, mas de outra zona onde pudemos deixar o carro em segurança) provou-se mais complicado do que apanhar o avião. Conclusão: pagámos mais ou menos o mesmo para chegar ao aeroporto do que pagaria para chegar de avião a 70% dos destinos europeus às quartas-feiras. 

 

Depois da grande aventura com a TAP (parte 1parte 2 - parte 3)...ia voar na TAP. Sem medos. Apesar do não-há-duas-sem-três, escolho acreditar no à-terceira-é-de-vez. Isso e deram-me um chocolatinho da Regina para eu me calar e fazer a viagem sossegada. Sempre foi melhor que na Norwegian, na segunda parte da escala de Londres para Keflavik (Islândia) onde nem um cafézinho para contar a história. Eu sabia que a comida na Islândia era caríssima e que ia passar fome por lá, mas não contava começar logo no avião. Até ganhei saudades da micro-sandoca de fiambre da TAP. Que é fiambre de peru, e portanto pode ser comida por bloggers. 


De repente começamos a ver neve pela janela do avião. Muita neve. Só neve. O que pareciam nuvens era neve. E o que parecia terra era o mar. Por um segundo pensamos que o piloto fez um desvio à Antártida. Certamente aquele manto branco não podia ser um país funcional daqueles com habitantes que trabalham (e sobrevivem) e tudo. Era mesmo o nosso destino. E foi logo aqui que a fase de encantamento começou. 

 

 

neve.jpg

 

Não sei se já tinha dito isto, mas sabem quando vamos à Serra da Estrela e ficamos muito felizes por ver um tiquinho de neve? Imaginem esse sensação multiplicada por todos os centímetros à vossa volta. A Islândia que se apresentou a nós, foi assim.


Depois das vistas do avião que aterrou numa pista também ela rodeada de branco, estávamos psicologicamente preparados para o impacto brutal que ia ser por a bochecha na rua. Não em termos emocionais, mas mesmo o impacto de ver o nariz a cair da cara, vilmente congelado em poucos segundos. Ou foi das expectativas, ou de levarmos toda a roupa possível em camadas (bagagem no porão é luxo), foi muito tranquilo. A verdade é que o país tem aspecto de -35º, mas ronda os 0º. Durante a viagem toda nunca estiveram menos de -4º e chegou aos 7º.


O desafio seguinte era ir buscar o carro e conduzir na neve pela primeira vez. Tarefa que deixei prontamente para o Moço. Primeiro muito devagarinho e depois já em andamento de caracol daqueles mais expeditos, lá fomos. Íamos mais para Este, para uma das pontas com farol, que tínhamos visto do avião: Gardur. Num post final hei-de deixar-vos o roteiro completo, com links do Google Maps, quer para as estadias, quer para os pontos visitados. 

 

Gardur e o Farol - Maria das Palavras na Islândia

 

O fenómento mais engraçado durante a viagem acabou por ser o facto de vermos a aurora em todo o lado. Como passava das seis já estava tudo um breu pegado. E nós aproveitámos todos os bocadinhos de céu para dizer que nos parecia que estava esverdeado.  

 

O primeiro Hotel era o Lighthouse Inn. Muito maneirinho, todo em madeira, e bem valorizado por nós: afinal era a única noite em que íamos ter uma casa-de-banho. Ah, pois. O turismo na Islândia faz-se muito à base de Guesthouses, com casas de banho partilhadas. Torço muito o nariz a isso, mas depois percebi que alinhava ou não iríamos à Islândia (não sem vender um rim). Portanto...sim, casas de banho partilhadas para o resto da viagem.

 

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Não acabámos a noite sem uma aventura. Vínhamos esfomeados (estávamos mesmo a contar com uma tostinha qualquer na Norwegian) por isso depois de pousar as malas quisemos sair para comer. O tanas! Eram nove da noite, o que significa que todos os restaurantes respeitáveis já estão fechados e ninguém de bem passeia na rua. Acabámos no KFC comigo frustrada a pedir Chicken Wings a uma islandesa que nem arranhava o inglês - ao ponto de não perceber o que são Chicken Wings trabalhando no KFC. 

 

Ainda que mal alimentados, dormimos muito bem nessa primeira noite, num quarto quentinho, como de resto eram todos, envoltos por uma paisagem inacreditável e com toda uma viagem pela frente. Afinal, íamos acordar com esta vista da nossa janela...

 

Maria das Palavras na Islândia - A vista da nossa

 

Agora digam alto a terra onde estávamos: Gardur. Isso. É que é a última vez que vão conseguir pronunciar o sítio onde estamos...

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04
Mar18

Uma palavrinha rápida sobre "a" viagem à Islândia.

Maria das Palavras

Estive fora da realidade por uma semana, num sítio que a minha imaginação só sabia conceber como cenários de filmes e a ter experiências que podem ser vulgares para alguns, mas foram aventuras de uma vida para mim. Vou contar-vos tudo: onde estive, o que comemos, onde ficamos e partilhar convosco o meu diário de bordo. Tiro sempre notas de viagem, coisas parvas, mesmo quando não as tenciono escrever no blog. Escrever torna as coisas mais reais e empresta-lhes memória. Também temos muitas fotos com uma amostra pequenina que já podem ver no Instagram. Também fiz muitos vídeos numa composição que pretendo editar só para mim e para o Moço, mas talvez possa fazer uma edição mais curta para vocês também espreitarem coisas das quais não dá para falar, só dá para viver. E, no meio de tanto registo, nunca nos esquecemos de dar primazia a ver com os olhos e sentir na pele. Prometo que não demoro a começar a partilha aqui, mas a verdade é que ainda não desfiz a mala, porque a realidade intrometeu-se logo no segundo em que acabei as férias. Entretanto se têm perguntas específicas ou temas sobre a viagem que gostavam que abordasse, deixem nos comentários. E preparem-se, porque agora que acabou a aventura, vou maçar-vos com o relato.  

 

 

 

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18
Fev18

Instagram, pode ser?

Maria das Palavras

A dona do blog foi viajar com seu Moço. Promete que o blog estará devidamente alimentado por ocasião da sua ausência - aliás, fiquem atentos porque escrevi sobre um medo que me assola para publicar esta semana, - mas informa que o conteúdo mais fresco estará a ser publicado no Instagram (assim haja wifi e paciência). No fundo, não se promete nada, mas está-se naquele momento em que as expectativas estão no teto. Pela imagem de ontem, já arriscam para onde fui? 

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