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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

10
Mar16

"As pessoas estão de frente e fingem que não vêem."

Maria das Palavras

Imagem: http://greensavers.sapo.pt/2013/03/27/carruagens-do-metro-de-lisboa-vao-transportar-mais-pessoas/

 

Ia no metro, em pé, à falta de lugar para me sentar, quando vagam dois. Olho em volta à procura de pessoas debilitadas, não encontro, alapo-me ao assento.

 

À minha frente alapa-se outra senhora - e, agora que penso nisso, tinha olhar de briga quando cruzei o meu com o dela da primeira vez.

Umas estações à frente noto que ela está a dar o lugar a uma senhora grávida que não sei ao certo quando entrou, mas parece que estava ao lado dela. Sei disso porque logo a seguir a dar-lhe o lugar a senhora começa numa ladaínha para a grávida:

- Pois, as pessoas que estão de frente, fingem que não vêem.

 

Eu levanto os olhos do meu livro e junto as sobrancelhas para a exclamação da senhora, mas ela já não cruza o olhar comigo. Mas repete:

- As pessoas que estão de frente fingem que não vêem.

 

Pois era para mim, quem estava de frente. Quem me conhece sabe que eu quando estou comigo nem num pote de ouro com pernas que me passe ao lado reparo. Se não dei o lugar à senhora grávida é porque de facto não reparei. Ela estava de preto, a barriga não era assim tão grande, a mim passou-me despercebida. E sei que ela não estava lá quando me sentei. Mas uma palavra bastaria para me levantar antes da última sílaba. E digo isto, sabendo de antemão o risco de se oferecer o lugar a uma pretensa grávida que afinal pode ser só uma mulher de perímetro abdominal alargado.

A senhora repete ainda uma terceira vez, como numa confidência com a grávida que diz "nós, boas pessoas, sabemos o que isto é".

A minha estação está a chegar e eu levanto-me e digo com palavras muito compassadas para a senhora:

- Não diga isso. A senhora não sabe se eu tinha visto ou não. Acontece que não, ou ter-lhe ia dado o lugar, obviamente.

 

Apeteceu-me acrescentar que a perjúria também é pecado, até estou a  ler um livro sobre as aparições, apraz-me falar em versículos. Mas a minha voz educada e baixa, talvez a palavra "ter-lhe-ia" deixou a senhora desorientada. Reconheci-lhe a espécie. Está habituada a murmurar para o ar sem que ninguém lhe responda. Ou tavez esperasse que lhe respondessem a gritar, com ofensas irracionais, como o marido lhe faz em casa. O olhar dela perdeu-se no teto da carruagem e uma terceira vez:

- As pessoas que estão de frente fingem que não vêem.

 

Não vale a pena. Ela acha que fez uma boa ação. Eu sei que ela a seguir a apagou. Podia ter ficado com ela, mas sentiu necessidade de destilar veneno - acho que numa especie de "que raio, porque tive de ser eu a dar o lugar?". Acho que a grávida, que nunca por um segundo azedou a expressão, habituada a que finjam que não a vêem, acredito, preferia ter ficado em pé que a ouvir a senhora com a sua aura feia tão perto do fruto do seu ventre.

No fim do dia foi ela quem deu o lugar à grávida e fui eu que mantive a consciência tranquila. Digam-me vocês se não devia.

 

 

Passatempo Odisseias / Maria das Palavras

 

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16
Fev16

Quem nasce largatixa nunca chega a jacaré

Maria das Palavras

Beauty Treatment - Imagem Pixabay


Finalmente usei um voucher que tinha para fazer uma limpeza de pele. Já não fazia semelhante coisa desde que tinha ganho um passatempo que me oferecia um tratamento de pele qualquer - e que pelos vistos eu achava que era uma limpeza e não era. Aquilo que a maior parte das pessoas - bloggers muito in em particular - consideram uma experiência etérea de spa facial, eu considero uma peça de tortura em 3 atos. Quais são eles? Eu explico:

 

1. A Humilhação Prévia

Quando me meto nestas coisas já vou a revirar os olhos, porque sei que vou ouvir coisas como "Ai, como isto está...", "Devia fazer limpezas de pele mais regularmente." ou outros naquela fase do tratamento que eu chamo de "a humilhação prévia". Desta vez a coisa até foi ligeirinha. Ficou-se pelo aviso na regularidade e pela constatação que pareço uma miúda - obrigadinha. 
Considero ainda um pequeno insulto que ela tenha querido que eu mantivesse as botas calçadas, mesmo deitada em cima da maca com toalhinhas. Mas talvez não fosse nada contra o meu chulé em particular - afinal a salinha é pequena e ela já deve ter tido experiências aromáticas traumatizantes ali fechada, que nenhum pauzinho de incenso pode apagar.

2. O Relaxamento Forçado
Enquanto a senhora vai aplicando cremes e intrumentos de tortura tudo bem. Mas depois sai e manda-me relaxar. E isto tem vários problemas. Primeiro enquanto estou a levar com vapor na cara, diz para eu relaxar por dez minutinhos. E caso se estejam a perguntar: não, não é possível relaxarmos enquanto pensamos se o suor que sentimos que nos começa a escorrer do nariz vai ser confundido com uma pinga de ranho. Depois a senhora regressa, antes dos dez minutos (abençoada, que eu estava a sentir-me um pouco uma porca suada e não aguentava muito mais). Faz lá a magia dela que consiste em limpar e besuntar alternadamente e depois aplica-me uma máscara qualquer. Não sei de que cor era, que não tinha como olhar para mim, mas imaginei verde. E diz-me novamente para relaxar, agora mais tempo, promete ela, até dá para dormir. Porque sim, dá-me vontade de dormir num cubículo escuro de um edifício tomado por estranhos onde só se entra ao toque da campainha, deitada toda vestida numa maca, com gosma na cara que nem me deixa virar de barriga para baixo - que é como eu durmo. 

Tão pouco durmo com música ligada! E a música nunca é um jazz suave. São sempre aqueles acordes orientais. Desta vez era harpa ou coisa que o valha. Pois, nos instrumentos de corda o que faz com haja música? A tensão nas cordas. Como é que um som gerado por tensão me vai fazer relaxar? Pois não vai...

3. A Despedida em Ziguezague

O ziguezague é para me esquivar de marcar logo os outros mil tratamentos que, segundo a especialista, eu preciso mesmo - que têm nomes muito apelativos para me dar vontade de lhes expor a pele sensível da cara. Nomes como "microdermoabrasão". Aqui é pensar que estratégia seguir: marcar algum? Marcar algum para me deixarem em paz e ligar depois a desmarcar? Dizer que vou emigrar e portanto marco quando voltar do estrangeiro? Como estava calor lá dentro e não me apetecia correr para o frio, não me escapuli a tempo de evitar esta fase, enquanto ela fechava a salinha de tratamento. Portanto lá acabei por marcar um tratamento que logo se vê se desmarco. É que ela disse-me um preço em conta e no menuzinho que eu trouxe comigo está outro preço, muito fofo: só quatro vezes mais do que aquilo que eu penso que ouvi. Diferença pouca. Estas clínicas de estética são como seitas: quando entramos nunca nos querem deixar sair. Depois finalmente fui-me embora, avancei para um espelho assim que cheguei a casa e adivinhem? A minha cara não estava mais parecida com a da Alicia Vikander, está tal e qual a mesma porra. 

 

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03
Fev16

Maria, esse ouvido já está bom?

Maria das Palavras

Respondo da mesma forma que a loura da anedota, a quem mandaram ver se o pisca direito do carro estava a funcionar:

 

Agora está. Agora não está. Agora está. Agora não está. Agora está. Agora não está. Agora está. Agora não está. Agora está. Agora não está. Agora está. Agora não está. Agora está. Agora não está. Agora está. Agora não está. Agora está. Agora não está. Agora está. Agora não está. Agora está. Agora não está. Agora está. Agora não está. Agora está. Agora não está. Agora está. Agora não está. Agora está. Agora não está. Agora está. Agora não está. Agora está. Agora não está. 

 

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02
Fev16

O sonho de todos os maridos

Maria das Palavras

Não sou eu. Mas seria que neste momento estivessem como eu: surdos de um ouvido. 
Tenho um ouvido entupido desde quinta-feira, por meio de afogamento com jato de chuveiro. Já ando a pôr umas gotinhas a ver se isto passa sem ter de ir ao espirador (não tanto pelo aspirador, mas pelo preço de quem faz a limpeza, que não pode ser ali a Zuleica que trata das escadas, tem de ser alguém com canudo). 
Verdade é que por enquanto não oiço metade do que me dizem. Considerando bem...talvez deixe estar isto assim. Há quem diga que é grave. Eu consigo ver uma certa aura de benção. Aããhn? Fazer o quê? Não ouvi bem...

 

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