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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

17
Mai18

Caixinhas.

Maria das Palavras

Fechar as coisas que não têm solução nem propósito em caixinhas. Trancar as caixinhas com a chave que atiramos ao rio. Esconder as caixinhas na cave, por baixo de outras caixinhas de tralha inútil. E viver sabendo que as caixinhas estão lá, mas vamos tentar ignorá-las para sempre, pelo menos enquanto não for o carunho a comê-las. 

 

Ou manter a caixinhas confusas abertas. Arrumá-las tanto quanto possível, problemas à esquerda, angústias à direita. Manter as caixinhas à nossa beira de tampa levantada, olhando e mastigando o seu conteúdo quando calha, até um dia a caixinha ter o efeito de outro móvel qualquer, daqueles onde pousamos as chaves quando entramos em casa, sem reparar no que fazemos.

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08
Mai18

As influenciadoras fazem mal à saúde?

Maria das Palavras

Imagem Pixabay - Joy

 

Acho que este novo fenómeno de se achar que as "influenciadoras" fazem mal às pessoas é um pouco como não querer que as crianças vejam desenhos animados "com lutas". Ou seja, sim, reconheço que devem ser ambos consumidos com moderação (tantos as fotografias das últimas viagens patrocinadas pelos produtos da moda, como a cena do pontapé do Rato de Marte no Power Ranger vermelho), mas no final é só uma questão de nos munirmos de bom senso e ensinarmos a nós mesmos e às nossas crianças que os dois casos têm ficção a não ser aplicada à vida real. O que significa que não só não é 100% verdadeiro - é filtrado ou fingido - como nem sequer é desejável (ser pleno a tempo inteiro deve ser mesmo muito cansativo e pouco saudável).

 

Os blogs acabam por ser um bocadinho mais francos do que os Instagrams e os vlogs, porque às vezes as palavras transmitem dores de uma forma mais bonita do que uma imagem. A blogger pode dizer que chora de forma poética, mas ninguém quer ver uma foto dela com ranho a escorrer numa rede social da moda.

Ainda assim, ninguém tem uma vida perfeita, ninguém tem zero problemas, ninguém acorda penteado e maquilhado como se fosse para uma gala, as malas da Prada não dão saúde eterna. E se todos soubermos isto, não faz mal ver todos os dias fotos glamourosas de felicidade irradiante da fulana tal, porque sabemos que algumas dessas imagens são publicadas em dias em que ela não está bem e foi ao arquivo. Porque é humana, como nós. Só que, exatamente como nós fazemos - tirando aquela prima que todos temos que até publica fotos da unha do pé encravada e vídeos dos curativos -,  tenta aparecer sempre no seu melhor.

 

Treinemos o nosso sentido de noção e realismo. Domemos a nossa inveja. Vejamos o entretenimento exatamente apenas como aquilo que é. Aspiremos exclusivamente ao que sabemos que é real. Admiremos as pessoas que não estão dentro do ecrã do tablet, mas que se cruzam conosco na vida real. 

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30
Abr18

Antes só que bem acompanhado.

Maria das Palavras

Digam-me se é só comigo que isto se passa. Ter horas ou dias que não partilho com mais ninguém é tão essencial quanto estar rodeada de amigos e família, ou estar com o meu favorito das horas todas que é o Moço. 

 

A solidão forçada é um mal que faz doer, mas não conseguir momento feitos só de nós mesmos, para nada em particular, só para sermos sem mais ninguém, é igualmente penoso. É nesses momentos que refletimos ou, por outro lado, deixamos completamente de refletir, porque não há ninguém a considerar. O que melhor nos aprouver nesse momento da nossa vida em particular. Dançar de cuecas, babar na almofada, ou fazer as mesmas coisas de todos os dias, mas só conosco. 

 

Seja qual for a explicação, preciso disso como de água para beber. E da mesma maneira que me esqueço da segunda, às vezes também me esqueço da primeira.

 

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25
Abr18

A caixa de vidro a que chamamos Liberdade.

Maria das Palavras

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Passo este 25 de Abril em reflexão. Até que ponto podemos chamar Liberdade à liberdade que temos? Bem sei que já não estamos fechados naquela caixa de madeira escura, fechada com pregos, onde só vemos o que nos fazem chegar através de um pequeno buraquinho. Que é incomparável com o tempo antes dos cravos vermelhos. Mas não trocámos essa caixa ainda por uma caixa de vidro? De onde conseguimos ver tudo, mas como também nos vêem, somos forçados a fingir as normas e os padrões? Não estamos na era em que há liberdade, mas esperam que a devotemos a crescer (de forma a não ficarmos nem muito magros, nem muito gordos), tirar um curso (de preferência um daqueles que dá boa reputação), casar (de preferência um homem com uma mulher), ter filhos (de preferência um casalinho), almoçar aos Domingos em casa dos pais e dos sogros (alternadamente), baixar a cabeça no trabalho para agradecermos um ordenado e comprarmos um iPhone com uma boa câmara e conexão à Internet de onde podemos partilhar só os sorrisos da nossa vida e nunca as birras e indisposições? Sempre as rosas que nos dão no aniversário e nunca a salsa que deixamos murchar? 


E sim, estamos na era em que podemos encomendar um martelo do Amazon com emcomenda Express e partir a filha da mãe da caixa para fazermos o que bem entendermos. Só se tivermos a casca grossa que nos permite fazer ouvidos moucos a todos os que vão olhar e apontar: ai, a filha da Dona Lurdes saiu da caixa, ouviste dizer? É a vergonha dos pais.

 

Vamos partir a caixa. Ainda há muito trabalho a fazer. 
(Sem encostar na caixa dos outros, que liberdade também é isso.)

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10
Abr18

A mais bonita e triste mensagem que recebi.

Maria das Palavras

Recebi-a no dia do meu aniversário, e por entre outras simpatias dizia assim: 

 

Podem passar os anos que passarem que jamais serás esquecida, passámos (na minha perspectiva) os melhores anos da minha vida juntas e continuaremos juntas para sempre!

Além do carinho todo que me enterneceu, porque de facto é uma das pessoas que será uma das minhas pessoas para sempre, independentemente de neste momento nem ter a certeza em que cidade do país mora (terá emigrado?), não pude deixar de ver a desilusão do presente nestas palavras. Entristeci-me por ela achar que agora é menos feliz do que noutra altura qualquer. 

 

O melhor ano da minha vida é este. Não sei se em termos práticos será, e há certamente muitas coisas nele que me amargam a língua. Mas faço sempre por ver as coisas de forma a não querer trocar o agora por tempo algum, nem passado, nem futuro.

 

Será uma forma de defesa, porque como em boa verdade não podia estar noutro momento que não fosse este e nunca fui dada à falta de pragmatismo, mais me vale acreditar que esta é a melhor fase da minha vida, mesmo quando acabo de dar com o mindinho do pé na esquina do móvel. 

 

Não sei se é a forma certa de encarar o mundo, nesta espécie de ilusão que só de vez em quando calha a ser verdade, mas sei que é parte do que me faz acordar com energia todos os dias - incluindo às segundas-feiras. Não sei. Não sei mesmo. Mas tenho um palpite. 

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