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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

15
Ago19

Guia de 4 Dias e picos na Áustria

Maria das Palavras

"O prometido é de vidro", já dizia o outro. Quem acompanhou no Instagram já sabe da minha escapadinha à Áustria, que em tempo útil foram 4 dias bem contados em 3 cidades. Com viagens, são 5 dias. Eu tinha vontade de ir a Viena desde que vi o filme da Princesa Sissi algures na infância e ganhei vontade de ir a Hallstatt desde que tenho esta televisão nova (uma história que também contei lá pelo Instagram).  

 

Viagem Maria das Palavras à Áustria: Viena, Salzburgo e Halstatt em 4 Dias


O Moço não podia tirar férias, este não era um destino de sonho dele, recrutei uma amiga (ela tem candidatura contínua para viagens) que também tinha a Áustria na checklist e partimos num Outonal fim de Julho. Quem diria. 


O nosso roteiro foi o que se segue: 

 

Roteiro de 4 Dias na Áustria - Maria das Palavras

 

Dia 1: Voo de Lisboa para Viena no Sábado de manhã. Chegada a Viena pela hora de almoço. Durante a tarde choveu a cântaros, comprámos um chapéu de chuva e fizemos turismo gastronómico. Fomos ao Palácio de Belvedere (por pouco não nos escapou porque achámos que estava fechado) e fomos engrupidas num concerto de Mozart sem condições (onde ficámos menos de 5 minutos) porque a Ópera - onde realmente queríamos ir - não opera (passo a expressão) em Julho e Agosto. Passámos a noite no Pertschy Palais Hotel que apesar de mais velhito do que aparenta nas fotos (e de não ter ar condicionado) está muito bem localizado e não trocaríamos. Fica mesmo no centro histórico, pelo que só de sair do metro em Stephenplatz, vemos logo a Igreja de São Pedro e as ruas lindas e limpas de Viena. 

 

Palácio de Belvedere - Maria das Palavras na Áustria

 

Dia 2: Já encantadas com Viena, rumámos de manhã à estação de comboios para ir para Salzburgo - AKA onde quem viu o filme Música no Coração se vai passar dos carretos. Para não variar apanhámos chuva. Quem nos manda ir no Inverno? (Ah, espera, era Julho...). A cidade é linda! A minha parte favorita foi a rua Getreidegasse, a rua das lojas, que é estreita com edifícios lindíssimos, mas só atravessar o rio, ver as praças, catedrais, fontes e estátuas, tudo para fazer a pé, vale a pena. Não fizemos nenhuma tour paga da Música no coração, mas deu para delirar com o cemitério da abadia de São Pedro, onde se escondem os Van Trapp, a fonte da Residentzplatz, os jardins de Mirabell e mesmo tirar uma selfie com o gnomo que entra no Do-re-mi. Dispensava ter ido ao forte. O funicular é caro e a pé é um esticão. A vista é bonita, mas a cidade cá de baixo é mais. Ficámos no Star Inn Hotel Premium Salzburg Gablerbräu, by Quality, que fica do mesmo lado do rio que a estação de comboio, também numa zona muito bonita e perto o suficiente de tudo. O alojamento aconselho, cuidado e bem localizado, o pequeno-almoço pago à parte, não. Vão antes comer um Bagel ao Coffee Press.

 

Salzburgo - Maria das Palavras na Áustria

 

Dia 3: Alugámos um carro e fomos passar o dia a Hallstat que é um verdadeiro postal. Que cidade mágica. Fizemos o caminho (pouco mais de uma hora) debaixo de chuva torrencial, mas quando chegamos o tempo deu-nos tréguas - é possível estacionar em parques pagos nos arredores (estacionámos no P1 e deu para fazer tudo a pé). É um daqueles sítios onde as imagens falam por si. Passeámos, mas não subimos de funicular às minas de sal, nem fizemos passeios de barco, já que o tempo nem deu opção. A cidade, que é património mundial da Unesco, tem um percurso pedonal a que chamam Upper Stairs que também permite ver um pouco de cima a perspetiva (mas completo, cansa muito, por isso subimos um pouco e voltámos a descer...ahahah). No regresso tivemos direito a sol para apreciar o percurso que também vale a pena. 

 

Maria das Palavras em Hallstatt, Áustria

 

Dia 4: Regressámos a Viena durante a manhã para explorar o que ainda não tínhamos visto. Como o Hofburg (apesar de termos estado tão perto). Foi a tarde das surpresas. Primeiro, ao passar pelo jardim Burgarten vimos um borboletário e, por impulso, entrámos. Adorei a experiência, eram imensas borboletas enormes (para os meus padrõezinhos) e até valeu a pena suar em bica para estar lá um bocadinho. Depois cometemos a loucura de ir andar até Hundertwasser, as casas coloridas que achei que fossem mais memoráveis e daí para a roda gigante de Viena (faz-se, mas era escusado). Ao chegar à roda gigante, dizem que a mais antiga da Europa, é que percebi que era todo um parque de diversões - o Prater, fundado em 1766! Qualquer coisa entre a Disney e a feira de Maio de Leiria. Não se paga para entrar no parque, só por cada diversão (5€) e foi aí que dei mais graças por ir com a minha amiga em vez do Moço, porque ela alinhou em andar no brinquedinho mais alto, que nos dá uma panorâmica fantástica da cidade (toma lá, miradouro) e nos atira para o chão a 180km/h! AHAH. Deixei os orgãos vitais lá em cima.

 

Viena, segundo dia - Maria das Palavras

 

Dia 5: Esqueci-me de dizer que nesse noite em Viena ficámos no Hotel Mailberger Hof e lembrei-me agora ao descrever a manhã do dia 5 porque foi o melhor pequeno almoço da viagem, num jardim dentro do hotel, com louça digna da Bela e o Monstro, e muitas opções. Também é sobejamente perto do centro, a pender para o lado da Ópera. O voo de regresso a Portugal era por volta da hora de almoço, mas ainda conseguimos picar o ponto mais famoso: o Palácio de Schönbrunn (santinho!) onde morou a princesa Sissi. Tão pequenino que inclui um Zoo no "quintal". Visitámos os jardins gratuitos e subimos ao Gloriette para a melhor vista do palácio, com Viena ao fundo. Dá para passar um dia inteiro, só a passear por lá, sobretudo se perderem o amor ao dinheiro e quiserem ir dentro do palácio e às áreas reservadas do jardim. 

 

Schönbrunn Palace - Maria das Palavras na Áustria, Viena

 

O que gostei mais? Em Viena, o palácio de Belvedere (visto dos dois lados) e o parque de diversões. Em Salzburg, simplesmente passear pelas ruas. Em Hallstat, que exista no mundo - estivemos um bocadinho num parque que o Google chama de Small Island, um bocadinho para lá de toda a comoção de turistas e vale a pena.  

 

E a comida? Alguém pode passar o sal aos austríacos? O especialidade deles é um panado e isso já diz muito. Foi por isso que fizemos para aí metade das refeições em italianos. Mas lá provámos as especialidades.

  • Provámos o Schintzel onde é suposto (no Figlmüller, Viena - notem que há dois, um para quem tem reserva e o segundo para quem não tem) e é um panado gigante bom, mas não passa de facto de um panado. As batatas com molho a acompanhar que apareciam na maior parte das fotos eram boas, mas se estivessem quentes não se perdia nada.
  • A famosa Sachertorte também provámos na origem (café Sacher, junto à Ópera), mas para comer bolo de chocolate com doce de alperce podíamos ter provado em qualquer lado. Nheca. 
  • Em Salzburgo fomos ao famoso Sternbrau e em Hallstatt comemos noutro restaurante tradicional. Em ambos provámos pratos típicos, cheias de saudades de comida tuga bem temperada e acompanhamentos tragáveis. A mostarda salvou tudo. 
  • Uma palavra para vocês: Käsekrainer! A melhor salsicha que comi na vida e isso sim vale a pena. Mete queijo, é estaladiça (quase prima do chouriço) e está tudo dito. É comida de rua, em Viena, e prometo que vão repetir (e querer trazer para casa). A primeira (e melhor) comemos no Wiener Würstl, junto à saída da estação de metro da Stephenplatz, bem no centro.
  • Também comemos Pretzels de rua em Salzburgo, mas...eeehhh. Venha antes a Bola de Berlim da Aipal.

 

O que provamos na Áustria - Maria das Palavras

 

Outras dicas:

- Do aeroporto para a cidade de Viena e vice-versa não vale a pena pagarem para andar no CAT (o serviço expresso). Por mais uma mão cheia de minutos vão no S7 (comboio da OBB) para Wien Mitte e daí de metro ou a pé para onde quiserem. Fica 2,40€ se não me engano + o bilhete de metro, se usarem, que são 1,80€. Já o CAT são 12€ e também vai até ao mesmo ponto.

- Entre cidades, usem o FlixBus sem medo. É uma espécie de bilhete low cost para comboio, que até usa as operadoras usuais onde o bilhete é mais caro (ou seja, vão no mesmo comboio onde poderiam pagar o dobro). Compram online e é só mostrar o bilhete no ecrã do telemóvel ao motorista. Mas melhor ainda, é não fazerem como nós e comprarem os bilhetes com antecedência que fica muito mais barato e aí até podem ir à OBB diretamente (que é tipo a CP, mas vermelha).

- Também pela restrição de tempo, mas porque não fazíamos questão, não entrámos em nenhum palácio e não sentimos falta. Talvez porque assim não sabemos o que perdemos, mas na verdade assim também não nos limitámos às horas de visita - fecham cedo, por isso se fazem questão consultem os horários.

 

 

Et voilá. Espero que daqui retirem alguma coisa de útil, vejam mais fotos no Instagram (há destaque do Stories com o nome Áustria) e se visitarem o país, partilhem comigo!

 

 

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12
Ago18

Um Dia em Menorca

Maria das Palavras

Então deixem-me continuar o relato antes que me esqueça totalmente de como foi, mas já a soluçar violentamente porque as féria vão longe. Relembro que deixei o nosso roteiro completo pelas Baleares numa semana aqui e que falei do que visitámos em Maiorca aqui.

 

Um dia em Menorca - Maria das Palavras | Platja Binidali

 

O dia não começou nada bem. Pensei que sim, porque ficámos no deck do barco da Trasmediterranea que nos levaria de Alcúdia (Maiorca) a Ciutadella (Menorca). O carro alugado ficou bem estacionado (gratuitamente, como em quase todo lado em Maiorca.Foram 30€ de ida e volta, mas era uma viagem de um par de horas no máximo ao sol, a cortar o mar. Só que foi muito mais do que isso. O barco levou pelo menos uma hora a mais e o quando chegámos o carro alugado também estava atrasado e era praí meio-dia quando começámos a passear. Começámos? Mais ou menos, porque a primeira paragem era Mahón, a capital, na outra ponta: e havia trânsito do demo por causa de obras na única estrada que liga as duas metades da ilha!

 

Felizmente quando chegámos a Mahón, cidade carismática à beira-mar plantada e comemos um Arroz de Bovagante na Can Joaneta tudo passou (carote, mas queríamos mesmo provar. Explorámos uma das cidades mais bonitas que vimos durante a viagem. Vejam lá o carrocel de fotos.

 

 

A praia mais famosa de Menorca é a Macareletta. Tão turística numa ilha que não nos pareceu cheia de turistas, que já nem se pode ir lá de carro e as vagas para os autocarros já se esgotaram à hora de almoço. Ora já estando atrasando e pondo-se assim a coisa, perdi a vontade de ir lá. Dei um voltinha no Trip Advisor onde algumas pessoas diziam que a Macareletta era a mais famosa mas habia outras ainda mais bonitas. E eis a prova número um: 

 

Platja Binidali - Um dia em Menora - Maria das Palavras

 

Mais perto de Mahón, encontrámos esta Platja de Binidalí. A praia mais bonita que já vi na vida. Cabiam cerca de...10 pessoas na praia. Mas não estava à pinha. Só não ficámos muito tempo porque...adivinharam: alforrecas. Todas as belas têm o seu senão.

 

Seguimos então para o bar no penhasco: Covas d'En Xoroi. Mítico. Tem de se pagar a entrada, mas é mais barato antes das 16h (porque é tradicional para ver o pôr do Sol). 

 

Covas d'En Xoroi - Um dia em Menorca, Uma semana nas Baleares | Roteiro Maria das Palavras

 

Ainda com algum tempo acabámos o dia a banhos e a relaxar na praia de Sant Tomas que tinha sido uma recomendação do senhor que nos alugou o carro. É uma das favoritas dos locais, pelos seus fáceis acessos e porque tem tudo por perto, embora o areal continue a estar integrado na natureza.

 

santomas.jpg

 

Assim sendo o dia começou mal, mas terminou como um dos meus favoritos. E se equilibrarmos a qualidade das praias, com a beleza histórica, a menor quantidade de turistas e o preço, Menorca era aquela onde voltaria para estar uma semana só a conhecê-la melhor.

Muito mais fotos - e Stories no Destaque "Baleares" - no Instagram @mariadaspalavras. espero-vos por lá!

 

 

Maria e Moço em Covas d'En Xoroi - Um dia em Menorca, Uma semana nas Baleares | Roteiro Maria das Palavras

 

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24
Jul18

O nosso guia de Maiorca

Maria das Palavras

Cala Mondragó - Maria das Palavras em Maiorca

 

Fomos muito felizes em Maiorca. Como confessei antes, estava convencida que ia ser a ilha que menos gostaria e depois fui embora com vontade de explorar muito mais. Tivemos muito pouco tempo na maior das Baleares, pois fomos às 4 ilhas numa semana (como expliquei aqui, com direito a mapa do nosso percurso). Reforço que não faço ideia se esta é a experiência ideal, mas foi o que escolhemos fazer depois de ler bastante e receber dicas de amigos, no tempo limitado que tínhamos. E não mudaria nada. Quer dizer...continuem a ler...

 

Onde ficámos alojados?

Ficámos no Hotel Blue Sea Arenal Towers, na zona de El Arenal. O hotel não era nenhum supra-sumo da beleza turística, mas estava muito bem localizado, a poucos metros da praia e ficámos em regime de tudo incluído porque fazendo as contas às refeições, compensava (boa fruta, gente). Praia essa que não sendo de todo a mais bonita que vimos (e tendo areia tão fina, que quase parecia que era terra) foi de toda a viagem a campeã das águas quentes e aquela em que mais tínhamos de andar para ter água pelos joelhos. 

 

El Arenal - Maiorca | Maria das Palavras nas Ilhas Baleares

 

Mas houve berbicacho com o hotel. Assim que entrámos no quarto, noto que há um cheiro estranho...olhamos para a parede e...

 

 

Um terço de uma das paredes tinha uma mancha horrível de bolor. Fomos queixar-nos, eu já a pensar que raio tinha feito à minha vida a escolher aquele hotel, trocaram-nos de quarto duas vezes, mas lá acabámos melhor instalados que inicialmente previsto, num quarto bastante maior. A vista da varanda era esta (mas já era no quarto bolorento). 

 

Vista do Blue Sea Arenal Tower - Maiorca | Maria das Palavras nas Baleares

 

O que visitámos?

O que mais me encheu o olho foi o centro histórico da cidade que é magnífico. Não só os monumentos mais reconhecidos, como qualqueer passeio, por qualquer ruela de Palma. Aqui viemos de autocarro por 1,50€ desde o Arenal.

 

Palma - Maria das Palavras em Maiorca | Visita às Ilhas Baleares

 

No dia em que alugámos carro, começámos por descobrir a Cala Murta (visão lindíssima depois de andarmos entre as silvas para a encontrar) e visitar as Cuevas del Drach (é um bocadinho como ir às Grutas de Mira d'Aire, mas vale pelo concerto musical num enquadramento sui generis). Depois fomos à que tinha visto como eleita de muitas pessoas pelo mundo dos blogs como a praia mais bonita: Cala Mondragó, inserida num parque natural (não vão pelo Google Maps, é preferível porem as indicações para Hotel Apartaments Playa Mondragó). 

 

Cala Mandragó no caminho de S'Amarador - Maria das Palavras em Maiorca | Ilhas Baleares

 

E é de facto uma praia fantástica, de onde se pode fazer o caminho a pé para outra: a Praia S'Amarador

Ainda nesse dia fomos à zona Norte da ilha, ao Cap de Formentor (com paragem para café na cidade de Sineu). Não gostei tanto do próprio cabo como do caminho até lá, com vários miradouros e vista para Port de Pollença. Não apanhámos trânsito nenhum, talvez por termos ido já perto das 17h. Ainda assim, na volta, parámos um pouco na Praia de Formentor, onde desesperei para tentar tirar uma foto da água ou da praia que refletisse o que estávamos a ver. Não consegui. Aconselho vivamente ver com os próprios olhos. 

 

Caminho para Cap de Formentor (um dos miradouros) - Maria das palavras em Maiorca

 

Estava muita gente na ilha?

Sim e não. Foi sem dúvida a ilha mais povoada que encontrámos, minadinha de alemães e onde nos cruzámos com muitos portugueses. O centro da cidade tinha mesmo muita gente, na manhã em que o visitámos. A praia de El Arenal depois da hora de almoço ficava muito composta. No entanto, não tive mais dificuldade em pousar toalha do que qualquer pessoa em Albufeira no Verão. Note-se que fomos em início de Julho. 

 

Mais alguma coisa a reportar?

Sim: se alguém me souber explicar a causa de andarem pessoas mascaradas de pandas em Palma, fico agradecida.  

O tempo esteve sempre um miminho, de manhã à noite à volta dos 30º, sobretudo neste 2018 em que Portugal se esqueceu do que era veranear e eu andava sedenta para deixar as mangas compridas.
Não me pareceu cara a ilha, não me deparei com preços de turistas (o Algarve é mais caro certamente). Talvez isso aconteça no reino do alcóol, não sei dizer, porque variei entre água e Coca-cola.

 

Entretanto há mais fotos de Maiorca a passear no meu Instagram (@mariadaspalavras), quer no feed, quer em Stories na zona de destaques, se quiserem ver mais. 

 

 

 

Instagram Maria das Palavras - Stories sobre as Baleares

 

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15
Jul18

Roteiro de uma semana pelas Ilhas Baleares: Maiorca, Menorca, Ibiza e Formentera

Maria das Palavras

Uma semana nas ilhas Baleares | Maria das Palavras - Maiorca, Parc Naturar Mandragó

 

Esta viagem foi uma surpresa do início ao fim. Primeiro porque foi marcada em cima da hora (o que não é de todo o meu modus operandi) quando o plano inicial era só visitar destinos lusos - mas os humores de S.Pedro desencorajaram. Depois, porque gostei muito mais destas paragens do que alguma vez imaginei. Encontrei praias paradisíacas e cidades encantadas e dava um pulmão para morar na ilha que gostei mais (stay tuned). Por fim, porque sempre que mencionamos que fomos às Baleares e a resposta à pergunta "qual?" é "todas numa semana" as pessoas olham com desconfiança (vamos dizer surpresa). Não nos arrependemos minimamente. Não gosto de repetir destinos sabendo que há tanto mundo para conhecer e nunca o vou palmilhar todo - e tivemos uma aventura deliciosa.

 

Eis o que fizemos

  • 4 noites em Menorca com ida de ferry de um dia a Menorca
  • 4 noites em Ibiza com ida de ferry de um dia a Formentera

 

Maria das Palavras nas Ilhas Baleares - Formentera, Ses Iletes

 

Menorca e Formentera são mais bonitas (inexploradas?), mas por isso mesmo o alojamento é mais caro, sobretudo marcado com pouca antecedência. Ibiza e Maiorca têm também muito por descobrir. Repetiria, portanto. E, assim sendo, aconselho. Mesmo tendo noção que muito ficou de fora, por contrangimentos de tempo e vontades do momento, estamos felizes com as nossas escolhas.

 

Dia 1 / Maiorca: Tínhamos chegado na tarde anterior. Visitámos o centro histórico de Palma de manhã e habituamos o corpo ao calor da praia à tarde no Arenal (zona do hotel).

Dia 2 / Maiorca: Alugámos carro e demos a volta à ilha à procura de algumas das paragens que tinha pesquisado e que me tinham recomendado, como, Cuevas del Drach, Cala Mandragó e Cap de Formentor.

 

Mapa Maiorca e Menorca | Percurso Maria das Palavras nas Ilhas Baleares

 

Dia 3 / Menorca: Apanhámos o ferry bem cedo de Alcudia em Maiorca para Ciutadella em Menorca. Depois de muitos atrasos que relatarei depois, visitámos Mahón, a capital, o famoso bar Covas d'En Xoroi e as praias Binidali e San Tomas.

Dia 4 / Menorca para Ibiza: Praia de manhã em Maiorca junto à zona do hotel (não era a praia mais bonita, mas foi das melhores da viagem). Voltinha e compras para o apartamento onde íamos ficar à tarde já em Ibiza. Se estão a notar falta de informação do que fizemos à noite, não pensem que estou a guardar segredo (não fizemos nada, somos pessoas da manhã).

 

Mapa Ibiza | Percurso Maria das Palavras nas Ilhas Baleares

 

Dia 5 / Ibiza: De manhã visitámos o Centro Histórico e à tarde fizemos praia junto ao hotel na reconhecida Platja d'En Bossa.

Dia 6 / Formentera: O ferry leva meia horinha do porto de Ibiza a Formentera (La Savina) e fomos ao encontro das belas praias de Ses Iletes, Cala Saona e Playa de Migjorn.

 

Mapa Formentera | Percurso Maria das Palavras nas Ilhas Baleares

 

Dia 7/ Ibiza: Alugámos carro pela última vez para visitar Cala Salada (e Saladeta), San Antony de Portmany e as Platges de Comte.

Dia 8/ Ibiza: Aproveitamos a praia durante o dia todo, junto ao hotel (zona de Ses Figueretes) para acumular calor na pele para o regresso a Portugal já de noite.

 

Em posts seguintes falarei em mais pormenor do que visitámos em cada uma das ilhas e alguns sítios onde comemos (e o que achámos). E se não me seguem no Instagram (@mariadaspalavras) estão a perder algumas imagens de alguns dos sítios mais bonitos onde já estive - há fotos no feed e as Stories estão guardadas no destaque "Baleares".

 

 

HOUSTON WE HAVE A PROBLEM: quero morar em Menorca. 😲 ❤🏖 O dia na ilha começou mal: atrasos no ferry, atrasos no carro alugado e até um engarrafamento na única estrada que faz a distância entre dois bocados. E depois passou tudo. Comemos um arroz caldoso de bogavante calmamente que aligeirou tudo (sobretudo a fome), visitámos um punhado de lugares daqueles que parece que existem apenas nos filmes: cidades encantadas em que cada esquina é uma foto à espera de acontecer, esplanadas em colinas sobre o mar e a praia mais bonita que já vi (?). Vão a Menorca. Vão a Menorca. Repetição intencional. • 📸 by Moço • #menorca #baleares #balearics #calabinidali #holidays #travellover #instatravel #igerstravel #fotography #fotografia #fujilover #fujixt1 #xt1 #nofilter #alforrecasorrynotsorry

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Ainda antes de terminar este texto, deixo-vos com alguns factos sobre a viagem:

  1. Nunca vi tanta mama ao léu na vida como nas praias destas ilhas, contando com aquelas malucas da abanicação de teta do ginásio onde certa vez fui ao cycling.
  2. Não achei as coisas caras (refeições e afins, sobretudo em Maiorca). Mas pode ser porque estava a comparar com a última ilha que visitei - vide Islândia - onde tive de prostituir o Moço para comer uma sopa. 
  3. O melhor da água cristalina não é ser bonita: é verem claramente que praias têm alforrecas e em que praias não têm se preocupar em acabar a tarde com alguém a urinar-vos na perna.

 

Maria das Palavras nas Ilhas Baleares - Ibiza Old Town

 

-- Já publicados! --

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27
Set16

Guia do Gerês: 3 (ou 4) dias

Maria das Palavras
Além de ter partilhado convosco os meus diários de viagem (com parvoíces, essencialmente), fruto do nosso passeio pelo país neste início de Setembro, achei que podia ser útil partilhar convosco o percurso que fizemos no Gerês com algumas melhorias. Ou seja, o que fizemos, o que teríamos alterado e o que poderíamos ter feito com mais algum tempo (mais dias ou menos tempo a fazer fotossíntese no hotel, que também precisávamos).

Gerês - Maria das Palavras

 

 

-- Dia 1 --
Ficámos na Lakeview Gerês Guest House sobre o Cávado e a bonita albufeira da Caniçada. Como fomos para relaxar e não passar muito tempo fechados no carro, a partir daqui todos os passeios que optámos por fazer não tinham mais de meia hora em etapa automóvel, pelo que esta estadia central foi chave. Mas, como dizia, também refiro mais à frente onde teríamos ido, se fossemos mais longe. 
 
 

Lakeview Gerês Guest House - Maria das Palavras

 

No primeiro dia fomos a um snack bar para almoçar (Café da Ponte) e a ideia era comer qualquer coisa leve. Pedi um cachorro quente que veio mascarado de francesinha e a ideia caiu por terra, mas era bom. Então fomos à Cascata do Tahiti, a uma curta distância de carro. O aviso de morte à entrada não é simpático e portanto descemos pelas pedras escorregadias só até meia cascata em vez de irmos até ao fim. Havia gente de chinelos e geleiras e garrafões de água a descer tudo, mas não estávamos psicologicamente preparados para fazer rappel sem corda. A água em si era fria e escorrega muito andar nas pedras debaixo de água, mas a verdade é que não me arrependi do bocadinho que passámos lá - tudo lindo. Levem ténis para fazerem melhor o percurso e muita água para o calor, que a subida também custa. 
 
 

Maria vai à Cascata. #geres #cascata #waterfall #portugal #cascatadotahiti #cascatageres #tahiti

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Não fomos à Cascata do Arado porque nos disseram estar seca, mas também tem um miradouro ao pé e há quem diga que vale a pena visitar a aldeia da Ermida. Podem fazer isso. No caso, seguimos para o Miradouro da Pedra Bela. O nevoeiro não deixou ver tudo, mas a serra é impressionante e vale o passeio - a caminho para lá vimos cavalinhos a pastar.
Depois descemos para a Vila do Gerês. É aqui que são os famosos hotéis das termas (pelo menos passámos por vários). Demos um passeio pela vila que é muito bonita e acabámos a jantar no Vai, Vai que é bom e barato para refeições descontraídas. Era o #2 do TripAdvisor, mas o #1 que é o Lurdes Capela estava sempre cheio (além de ser mais caro) e acabámos por não ir dia nenhum, mesmo estando super recomendado.
 
 
 

Bom dia! #viladogerês #geres #portugal #viagem #travel #travelling #passeio

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-- Dia 2 --
No segundo dia fomos visitar a barragem de Vilarinho das Furnas. A aldeia submersa não se via, mas se quiserem chegar mesmo ao pé dela até se podem fazer trilhos a pé nessa zona, sobre o Rio Homem (há um trilho apontado à margem da barragem com várias etapas que dura 24 horas!). Continuámos a subir e almoçámos no Abocanhado, em Brufe, também recomendado por toda a gente. A vista é lindíssima, o restaurante e a envolvência também- vejam a foto dos espigueiros, onde se guardavam os cereais antigamente. A comida para mim foi só mais ou menos, mas deve ser porque não gosto de molhos muito doces (comi Bambi). 


Espigueiros Gerês - Maria das Palavras

 

No caminho de regresso passamos a São Bento de Porta Aberta, mas fizemos a nota mental para voltar depois, porque ainda queríamos ir à Portela do Homem (outra cascata) nesse dia. O caminho de uma zona para a outra faz-se descendo e voltando a subir e portanto achámos melhor ir logo (fez-se bem). A caminho da cascata, depois da Vila do Gerês, passa-se pela Mata da Albergaria que é linda! A estrada ladeada por natureza verdejante fez-me até lembrar um pouco da mística de Sintra. Quase a chegar à fronteira passa-se uma ponte e se olharmos para baixo percebemos que chegamos a Cascata da Portela do Homem (atenção que cada cascata se dá por vários nomes). Estive tanto tempo a convencer o Moço a descer (não me pareceu nada perigoso) como a tomar lá uma bela banhoca. Gostei  muito.




Comemos um gelado no café junto à fronteira (ok, só eu é que comi gelado) e passámos para o lado de Espanha. Sempre seguindo na mesma estrada, ao fim de uns 10/15 minutos chegam à Vila de Torneiros e podem tomar um banho quente (de 40º) nas Termas de Lobos do Rio Caldo. E grátis. Trouxemos caramelos, sim. Foi um dia em cheio!
 
 
-- Dia 3 --
Neste dia eu estava convencida que íamos fazer um passeio de barco na Albufeira do Caniçal (e nem era porque um dos pontos fortes deste cruzeiro é ver a casa do Cristiano Ronaldo), organizada pela Câmara Municipal de Terras de Bouro. Mas só ao ligar para marcar ficámos a saber que o barco só sai de forma fixa às quartas e Domingos, nos outros dias só arranjando um grupo ou pagando os dois para irmos no barco sozinhos (a diferença entre pagar 6€ ou 90€ não me agradou). Não faz mal. Tive sempre uma bela vista do rio Cávado no terraço do nosso alojamento. 
 
 
 

Fomos então ao local de peregrinação lá perto que ainda não tínhamos visitado: São Bento de Porta Aberta, o que é um passeio rápido. 
Como já não era cedo, que isto eram férias para o passeio e para a preguiça, nessa tarde fomos apenas visitar a mítica Ponte de Misarela, eternizada numa música homónima da Quadrilha e carregadinha de lendas. Se tívessemos saído cedo podíamos ter ido visitar Pitões das Júnias, a 1h10 para Nordeste, bem como o seu mosteiro


 

A ponte do Diabo 👹 #pontedodiabo #pontedemisarela #gerês #portugal

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-- Dia 4 --
Com mais um dia ou tempo mais espremido (e noutra altura, porque nesta havia fogos na zona que nos teriam impedido de apreciar no passeio) teríamos feito o passeio mais longo para Noroeste e visitado Lindoso, Castro Laboreiro, Soajo e a Nossa Senhora da Peneda. Mesmo sem ter ido, pelo que li, é o que vos aconselharia a fazer neste "dia extra". Parece que é uma zona linda (também). Para nós, no entanto, foi hora de dizer adeus. Até breve?


Gerês visto por Maria das Palavras | Miradouro Pedra Bela

 
E finito
Este é um guia para o turista comum, mas às vezes tudo o queremos é mesmo ser turistas comuns. Do tipo que respeita a natureza, claro. Lembrem-se que falamos de umas das zonas mais bonitas deo país e que queremos visitar n estado mais puro possível, não transformar numa lixeira ou destruir à nossa passagem. 
 

 

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21
Abr16

Crónicas de um fim-de-semana em Madrid (Parte 5)

Maria das Palavras

Se não leram as quatro partes que antecederam esta crónica nº5 cliquem aqui para verem todas de enfiada. Caso tenham lido...prossigam. E se já estão fartos disto não temam, porque já é mesmo o último post sobre o assunto.

Estava a contar-vos que comemos no El Brillante, a propósito de uma recomendação que eu tinha lido online. Como estávamos com muito tempo livre e já sabíamos que o museu que mais gostaríamos de ver era o Museu Rainha Sofia (com obras de Picasso, Miró, Dali) fomo-nos pôr na fila para o museu, que era mesma nas traseiras do tasco onde tínhamos acabado de manjar. Mas a pêga da fila não andava. Aproximei-me da entrada para ver e percebi: faltam cinco minutos para a uma e meia. E o que acontece à uma e meia de Domingo? A entrada é livre! Já tinha lido que as entradas eram livres ao fim do dia no Prado, mas nada sobre o Rainha Sofia. E é nesta alturas que quase acredito que há um ser superior a olhar por nós.

 

museu rainha sofia - Maria das Palavras.com

 

Foi muito porreiro porque fomos logo ver a Guernica do Picasso (enorme!) e os outros autores e exposições que nos interessavam sem termos o peso na consciência de ter pago um bilhete sem explorar todo o museu! Não tirámos muitas fotos, mas eram permitidas, desde que sem flash e excluindo a mais famosa.

 

 

 

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19
Abr16

Crónicas de um fim-de-semana em Madrid (Parte 4)

Maria das Palavras

Não deixem de visitar a parte 1, 2 e 3 desta crónica (todas de enfiada nesta página) - ou se já viram prossigam com a leitura, por favor. Ia eu a dizer que tínhamos ficado no Hotel Ibis Budget Madrid Las Ventas, logo ao pé da estação do metro de La Carmen. Quartinho simples e moderno, a dar para o gasto e pequeno almoço a 4,5€ (afinal não estava incluído). A zona é a mais feia de todas onde passámos, mas ainda assim a cinco minutos a pé de um dos sítios que queríamos ver ao vivo - a Praça de Touros. E se pensam que há discórdia por causa de se ser contra ou a favor das touradas, é porque ainda não sabem a história desta foto.

 

 

Praça de Touros, Madrid, Las Ventas | Maria das Palavras

 

Quis que o Moço me tirasse uma foto exatamente assim como esta que lhe tirei a ele. Depois de dez minutos ao vento e muitas indicações "chega-te para cá...mais...mais..." só havia fotos que não apanhavam o edifício ou apanhavam só com o crutinho da minha cabeça a aparecer. "Não é fácil tirar como queres, se consegues melhor, faz tu". Peguei na máquina, tirei-lhe esta foto em 2 segundos. E o fotógrafo (amador) é ele...

 

Mas adiante. Começamos a manhã no Parque do Bom Retiro, chamado simplesmente de El Retiro, que tinha sido um dos spots mais aconselhados para passear e de facto valeu a pena. Não é que o Palácio de Cristal, o lago principal, a estátua do Anjo Caído não sejam dignos de nota, mas o verdadeiro destaque vai para a vida que o parque tem num Domingo de manhã. As pessoas passeiam em família, correm, andam de bicicletas, decorrem aulas de patinagem em linha, há grupos de pessoas a fazerem yoga, enfim...Por um lado dá vontade de fazer o mesmo, aproveitando os espaços verdes da nossa cidade, por outro lado, só pensava: "mas esta gente é doida? com esta ventania [no parque o vento não se fazia sentir, é certo] saem de casa e vêm para aqui mexer-se em vez de ficarem debaixo de uma manta a ler e a tomar um pequeno almoço tardio e preguiçoso?". Este tipo de pensamento é um dos motivos pelos quais sei que serei obesa assim que o meu metabolismo perceber que já tenho 30 e começar a dar de si. Vejam lá todas as fotos do Parque, clicando na setinha.

 

 

 

A seguir fomos à estação de Atocha, que também puderam espreitar aí no segundo carrosel de fotos. Gostei muito. O edifício principal é imponente e tem um jardim botânico no meio com tartarugas ninja. Parámos para beber um café só porque estava mais frio que no dia anterior (onde tinhamos andado numa roda viva de tira-o-casaco veste-o-casaco) e queriamos aquecer-nos. Percebemos que se estava a aproximar a hora de almoço e, coincidentemente, estávamos próximos de um sítio que levávamos marcado: o café El Brillante. E, em verdade vos digo: nunca lá teria entrado (ou entrava e saía) se não tivesse lido as recomendações. Tem ar de tasca, as pessoas comem ao balcão e o atendimento não é a coisa mais fofa do mundo. Mas comemos a especialidade da casa - os calamares - e uma deliciosa paella e não nos arrependemos. 

 

El Brillante - Tapas | Madrid - Maria das Palavras

 

A seguir o nosso maior golpe de sorte. Logo vos conto, no último capítulo da saga.


Continua aqui...

 

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18
Abr16

Crónicas de um fim-de-semana em Madrid (Parte 3)

Maria das Palavras

Cristiano Ronaldo - Real Madrid VS Eibar | Maria das Palavras

 

Se já leram a Parte 1 e a Parte 2 do relato do fim-de-semana em Madrid já sabem que arrancámos de Lisboa para a Praça de Espanha e acabámos a ver um jogo no Santiago Barnabéu, tudo antes das quatro da tarde. Lá dissemos adeus ao Cristiano Ronaldo (a foto acima foi o Moço que tirou) e, para evitar ficar horas em filas para o metro (não há bilhetes de ida e volta e o diário não compensava para as viagens que precisávamos, por isso...), passeámos até às estações de metro mais adiante.


Encontrámos a chamada Porta da Europa, que são duas torres inclinadas (as Torres KIO, na Plaza de Castilla) ou, como as batizei, as Torres de Pisa lá do sítio. Se bem que aquilo ainda tem uma inclinação de 15º (a torre de Pisa é uma menina ao pé das torres, com uns 4º arredondados) e foram construídas a propósito da nomeação de Madrid como Capital Europeia da Cultura em 1992, se o Google não me falha. O obelisco (desatrosamente cortado na foto), colocado mais recentemente, é obra do arquiteto espanhol Santiago Calatrava.

 

Torres Kio | Porta da Europa | Madrid - Maria das Palavras

 

A seguir voltámos à Praça de Espanha, onde tínhamos iniciado a nossa jornada, desta vez para seguir pela Gran Vía. Tem teatros, lojas, muitos sítios para comer. Foi aqui que parámos para "picar" no Museo del Jámon (um dos, porque estão espalhados pela cidade), que já nos tinham aconselhado. No fundo aquilo é a nossa Portugália, mas com presunto, queijo e paella em vez de bifes. Comemos presunto de 3 qualidades, queijo curado e gambas al ajillo para termos forças para seguir viagem. Enquanto "tapeávamos" ainda vimos uma noiva e percebemos que estava a haver boda no "Museu do Presunto". Ele há coisas...
Fotos não tenho. Primeiro porque a fome era negra e nem me lembrei disso, depois porque era eu que envergava a máquina do Moço ao logo da Gran Vía e não mexi nas definições da bichinha, pelo que ficou tudo uma escuridão só. Mas posso mostrar-vos a cara que o António, comentador da parte 2 destas crónicas fez, quando percebeu que tínhamos ido ao Museo del Jamón bater mais um ponto turístico em vez de termos experiências super originais em Madrid como parkour no cemitério ou jantar restos de cozido madrileno com os sem abrigo à volta de uma lata a arder: 

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A seguir, descemos para a Puerta del Sol. A que não achei gracinha nenhuma. Talvez porque estava cheia de turistas (mais recheada de gente do que o estádio onde tínhamos acabado de  estar), talvez porque ainda não estava suficientemente escuro para estar iluminada, talvez porque face ao resto não me tenha impressionado, pronto. O afamado Kilómetro Zero, de onde partem todas as estradas de Espanha está marcado no chão, mesmo em frente ao edifício principal, mas está sobretudo marcado por dezenas de pessoas em tufos a querer tirar uma foto com o pé lá. O que eu queria mesmo encontrar era o urso, o que serve de símbolo à cidade. E depois de navegar por marés de turistas até ao fundo da Praça (no lado oposto ao km 0) lá vimos o urso a agarrar...o bróculo! 



 

O dia não terminou sem passarmos à Praça Cibeles, onde o Real Madrid festeja as suas maiores conquistas (é a foto com a fonte dos cavalinhos, que podem ver no carrosel acima) e a Puerta de Alcalá, na Praça da Independência. Aqui estamos mesmo à porta do Parque do Buen Retiro, mas nesta altura já escurecia e eu estava genuinamente cansada. Não tanto dos pés e pernas (apesar de ter abusado de ambos) mas mais por ter acordado à cinco da manhã e desde aí não ter parado. Por isso e porque eu e o Moço não fazíamos questão de conhecer a noite madrilena (já que tantas vezes evitamos a Lisboeta) saltámos o serão aconselhado nos bairros de La Latina ou na zona de Malasaña e fomos dormir ao Ibis Budget Las ventas, onde eu passei dez horas santas na cama.


Por esta altura já tínhamos aprendido algumas coisas importantes acerca da cidade:

  • Não há supermercados (à vista) no centro da cidade.
  • Os semáforos piam.
  • Os espanhóis (em Madrid em particular) estão um bocadinho à nossa frente na questão da igualdade porque vemos vários casais do mesmo género de mãos dadas (aliás têm a Chueca, o bairro gay, para comprovar, onde passámos depois).


Continua...

 

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14
Abr16

Crónicas de um fim-de-semana em Madrid (Parte 2)

Maria das Palavras

Se já leram a primeira parte do meu relato e ainda não adormeceram de aborrecimento, aqui está  continuação. 

Pois quando saímos do Mercado de San Miguel estavamos de bucho cheio. Não aguentava nem mais uma dentada de fosse o que fosse. Até reparar que estávamos pertíssimo de um marco que me tinha sido recomendado por várias pessoas: a Chocolatería SanGinés onde se comem (supostamente) os melhores churros com chocolate de Madrid. Como estou de costas na foto, não conseguem ver o meu ar guloso, mas o ar triste do senhor que vai a passar só pode ser porque , ele sim, estava cheio de mais para comer um churro. Eu arranjei espaço, como se vê pela minha garra afinfadora de churros à direita. O chocolate não era o meu favorito (preferia se fosse Nutella aquecida ou chocolate branco, como vi depois noutro sítio). Ainda assim para quem estava cheia comi a maior parte, com a ajuda do Moço, claro. 

 

Madrid - Chcolatería SanGinés | Maria das Palavras

 

Foi aqui, sentada numa mesa da agradável esplanada que disse ao Moço que provavelmente a seguir devíamos ir ver o Santiago Barnabéu. E ele:

 

- Ao estádio, agora? Daqui a nada é o jogo lá, deve estar uma confusão!
...

...

...

 - Espera...compraste bilhetes?!?!

 

Jim Carrey a celebrar como o Moço fez quando soube que ia ver o jogo.


Foi mais ou menos assim que o Moço reagiu à surpresa. É que nós já tínhamos visto que o jogo era numa altura ideal, mas os bilhetes a preço aceitável (e mesmo os caros) estavam praticamente esgotados quando pesquisámos e só havia um lugar em Paris e outro em Jerusalém. Mas, não satisfeita com isso, voltei a ver de véspera e descobri que havia mais lugares vagos, por causa de sócios que têm lugar reservado e não compraram bilhete para o jogo. Os bilhetes estavam disponíveis a partir de 30€ para esse jogo (Real Madrid VS Eibar) e podem comprar-se no site do Real Madrid e serem acedidos no telemóvel numa app chamada PassWallet (ou impressos, claro). 

Antes de irmos para o estádio ainda passámos à Plaza Mayor que é mesmo ao lado do Mercado de San Miguel (já vos disse que em Madrid é tudo a um passinho?) onde comecei a ver os dois fenómenos pedincheiros mais frequentes da cidade: gente mascarada de personagens da Disney  e afins - a sério, vi Minnies, porcas Peppas e o diabo a quatro, e homens-estátua de versão evoluída em posições em que o homem fica de lado suspenso no ar (que é como quem diz, que dá ainda menos trabalho que os homens-estátua comuns que têm de estar em pé e não deitados num suporte rígido). Vejam a galeria de fotos da Plaza Mayor e da zona da Ópera onde apanhámos o metro a seguir para ir para o estádio.


 

Viram os noivos que apanhámos na varanda do edifício mais bonito e emblemático da Plaza Mayor, a Casa de La Panadería? Fiquem a saber que este edifício foi comprado pelo grupo Pestana, que é português. E que este não foi o sítio mais estranho onde vimos noivos. A estátua, também da Plaza Mayor, é de D.Filipe III de Espanha, II em Portugal - apesar de eu ter tapado a cara dele com a do cavalo. Foi um dos sacanas da nossa dinastia Filipina , depois do desaparecimento do S.Sebastião na batalha de Alcácer-Quibir (que ainda hoje está por aparecer aí numa noite nublada). Embora tanto quanto sei ele e o pai até foram fixes para nós, enquanto geriram em conjunto Portugal e Espanha, o filho dele é que nos deixou tão descontentadinhos que tivemos de fazer nascer o feriado do 1 de Dezembro, restaurando a nossa independência. E são 5€ pela aula de história.


No Santiago Barnabéu: Real Madrid VS Eibar


O jogo era fraquinho e isso interessou ZERO a julgar pelo ar de assombro feliz do Moço ao entrar no estádio. Quando muito até foi bom porque conseguimos assistir ao vivo a 4 golos, incluindo um do meu jogador favorito e um do jogador favorito do Moço, que, apesar de eu lhe querer bater por isso, não são a mesma pessoa - o dele é um ex-portista, claro. 

 

Estadio Santiago Barnabéu | Maria das Palavras

 

Antes disso, que me estou a adiantar: no metro conhecemos um casal de tugas que ia também ver o jogo (ou queria, porque não tinham ainda bilhete). Foi estranho, porque a rapariga falou para mim e eu respondi educada e querida, fizemos meia conversa mas eu não sabia se era suposto a partir daí sermos amigas para a vida ou cada casal podia seguir o seu caminho. Fenómeno curioso este do "porque viemos do mesmo país, podemos falar-nos como se nos conhecessemos". Na dúvida, seguimos o nosso caminho - até porque na confusão da estação do Santiago Barnabéu só se dessemos as mãos é que nos mantinhamos juntos e eu não estava preparada para esse tipo de intimidade. 


Ainda antes de entrarmos comprámos um cachecol para marcar a visita, a 10€, nas bancas à volta do estádio, mas que diz que é oficial. Depois fomos todos apalpadinhos e revistados para entrar. De notar que levávamos mochilas conosco com toda a nossa bagagem de fim-de-semana, incluindo a máquina do Moço que é "daquelas grandalhonas" - penso que até é esse o modelo, uma CANON Daquelas Grandalhonas. Eu estava um pouco preocupada com isso, mas parece que deixar garrafas e navalhas de fora é o suficiente. 


Ficámos lindamente sentados, mesmo a pé da bandeirola de canto. Tirámos mil fotos, a nós, às bancadas, aos jogadores - 90% ficaram desfocadas. Mas a minha favorita foi esta, do espanholito a estender a mão para o nosso Ronaldo e a gritar "Ronaldo, tu camisetaaaaaaaaa". Partilhei-a logo no meu Instagram porque o abençoado do Real Madrid tem Wifi no estádio!
 

 

Posso dizer com segurança que o pai dos miúdos gritava ainda mais que eles e insistia para que levantassem dois cartazes cor-de-laranja a pedir "camisetas" nos momentos mais oportunos para os craques, tipo a meio de jogadas. Não queria deixar também de mencionar um dos fotógrafos do jogo, daqueles que estão junto ao relvado, que passou o jogo a tirar selfies em vez de registar as jogadas.

Nota muito importante, aprendida por mim da pior maneira possível (não gozem): as casas de banho do estádio não têm papel higiénico nas cabines, só um rolo à entrada do WC. Tipo: nenhum. Tipo: nem sequer há suporte. Posso dizer que foi uma experiência que não contribuiu para melhorar a minha opinião sobre o uso de casas de banho públicas, mas safei-me de forma aceitável, vá. Não, não vou contar. O aviso está feito.


Já estão cansados do relato? É que ainda nem acabei o primeiro dia!

Continua aqui...

 

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13
Abr16

Crónicas de um fim-de-semana em Madrid (Parte 1)

Maria das Palavras

Fim de semana em Madrid - Maria das Palavras

 

Começo por vos dizer que um fim-de-semana em Madrid é tempo suficiente para ver e fazer tudo o que está nos principais guias, se não estiverem numa de entrar em todos os palácios e museus. É claro (antes que me atirem pedras) que não tenho a pretensão de ter vivido a experiência madrilena em menos de 48 horas em todo o seu fulgor e bem sei que muito mais haveria para ver, mas cumprimos a nossa missão: vimos os principais marcos da cidade, comemos os petiscos típicos, assistimos a um jogo no Santiago Barnabéu, visitámos um dos museus (um golpe de sorte que já vos conto) e, de Sábado para Domingo, esta que vos escreve ainda dormiu dez horas completas (lontra preguiçosa avistada em Madrid). 

Fomos na Iberia às 7h45 da manhã e voltámos às 23h10 de Domingo por 75€ por cabeça. Lá, quase tudo se faz a pé. Fizemos exatamente 6 viagens de metro em 2 dias (de e para o aeroporto - 5€ cada - , de e para a zona do hotel que era ao pé da praça de touros - 1,50€ cada - e de e para o estádio - 1,70€ cada). A noite no hotel ficou por 51€. Isto para fazerem contas à vida se quiserem fazer coisa semelhante: posso dizer-vos que os voos ainda podem ser comprados mais baratos, mas não nos dias que podíamos e horários que queríamos. Esta é a parte objetiva da viagem, agora deixem-me aborrecer-vos com o relato completo.

 

A viagem de ida

O despertador tocou às cinco e vinte da manhã e eu acordei com ele toda contente - não há nada como acordar e saber-se que se vai laurear a pevide. Apesar de ter feito uma piada no Facebook sobre grandes malas sou uma pessoa bastante prática e portanto cada um de nós levou apenas uma mochilinha com meia muda de roupa, telemóveis, carregadores, máquina fotográfica, carteira, documentos e uns lanchitos. Ah, claro, e o bloco de notas com caneta! Iamos leves e prontos para passear sem termos de perder tempo.

O Moço não me deixa mentir: isto era a minha mochila  (o comando serve para verem a proporção).

 

Mochila para Madrid - Maria das Palavras

 

Um amigo nosso veio buscar-nos a essas horas ridículas para nos levar ao aeroporto antes de ir trabalhar. E é assim que se distinguem os verdadeiros amigos: não só nos dão boleia às 6h da manhã, como o fazem sob o protesto da namorada.

Tomámos o pequeno almoço no McDonalds do aeroporto. Digo isto porque aí há uns tempos houve um grande sururu na blogosfera com os novos pequenos-almoços da cadeia de fast food e eu já os tomo há anos, sempre que vou parar ao aeroporto a horas indecentes. Foi aqui que estive a explicar ao Moço o nosso percurso em Madrid e o que havia para ver lá, porque a ir por ele íamos ao estádio do Real Madrid e ao do Atlético, pronto. Adorámos toda a viagem, mas continuo a achar que lhe tinha chegado...


Logo a entrar no avião aquele episódio básico de inaptidão social. Está o senhor a receber os bilhetes e a confirmar a toda a gente. A pessoa chega diz "Bom dia" ele verifica e diz "obrigado". Assim muitas vezes até chegar a minha: chego e estendo-lhe os bilhetes dizendo "obrigada". Ai Maria...

giphy (3).gif

 

A viagem é curtíssima, tal como o espaço para arrumar as pernas no avião. Já em Madrid, no metro, a caminho Praça de Espanha (mas há uma em todas as cidades espanholas, é?), talvez pela privação de sono misturada com a adrenalina de uma aventura que começa, passei mais tempo do que seria aceitável a gozar com a estação de metro apelidada de Pinar del Rey.


Uma manhã em cheio

Imaginasse eu que era tudo assim tão perto e tínhamos marcado uma viagem de um dia só (mentira). Saímos então na Praça de Espanha onde tirámos a primeira selfie e passámos sem reparar naquela que mais tarde percebemos (nas fotos) que era a estátua de Cervantes com Dom Quixote e Sancho Pança. 
Na Praça de Espanha começa a Gran Via, a artéria mais movimentada da cidade, mas por ora íamos ignorá-la. Recuámos até ao Templo de Debod sem esquecer o miradouro e desviámo-nos para o Pálácio Real, passeando pelos seus jardins, até à Catedral de La Almudena. Não entrámos em nenhum do sítios que estavam minadinhos de gente (muito mais que a Padaria Portuguesa à hora do pequeno-almoço), mas tirámos muitas fotos. Nesta altura a força do sol fazia-se sentir e o Moço tirou o casaco. Eu encaixei-lho em cima da mochila para não ter de o carregar e assim nasceu uma tartaruga. Vejam a galeria de fotos abaixo, clicando nas setinhas (e sem descurar as legendas).

 

 

Seguimos por umas ruas à direita, na direção de uma zona menos monumental, mas mais bonita (que ainda não tínhamos a certeza o que era) e deparámo-nos com o mercado de São Miguel. Já começava a ser hora de almoço e nós tínhamos comido há para lá de muito tempo. Resolvemos bem o assunto e o difícil foi escolher entre tantos petiscos (e navegar entre tanta gente). Começámos com uns croquetes de presunto e roquefort (que eram só mais-ou-menos). Depois comemos um cone de polvo frito. Péssimo de tão bom. E rematámos com os morangos mais deliciosos que provei este ano. E digo-vos outra vez: vejam a galeria de fotos abaixo, clicando nas setinhas.

 

 

  

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