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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

10
Abr21

Maria das Leituras - Março 2020

Maria das Palavras

E logo quando achei que não me podia exceder...8 livros lidos em Março. Junta-se a pandemia que não me leva a lado nenhum ao facto de me ter fartado de séries (dei um tempo) et voilá. Alguns deles também eram curtos e um foi um audiobook que acabei em Março, mas comecei ainda o ano não era 2021. Como quantidade não é qualidade, só um levou cinco estrelas (o mais pequenino, ainda por cima), mas recomendo outros da lista. 

 

Maria das Leituras - Março 2021 - Parte 1

 

1. até ao Fim do Mundo, Maria Semple - Lido no Kobo

O título original é "Where'd you go, Bernadette?". Este livro ganhou um prémio de ficção em 2013 e só posso depreender que ficção nesse ano foi fraca. A premissa é divertida: a Bernardette, figura excêntrica, desparece e a filha vai juntar cartas, emails, e factos para a encontrar. Começa muito divertido, mas quanto mais avança, mais o interesse se desvanece. Arrastei-me até ao fim para chegar a um desfecho com o selo de "epá, não".

 

2. O Peso do Pássaro Morto, Aline Bei - Livro novinho na estante

Na loja online Aler.com.pt encontrei alguns livros que já via há muito no Booktube brasileiro, mas por cá não se ouviam falar. Um deles foi este e foi o meu cinco estrelas de Março. É um livro em poesia, que conta a história de uma menina a mulher, mais ou menos de dez em dez anos. É divertido, ainda mais sofrido e tem muito embalo. Sei que devia dizer que tem gatilho para situações, mas não queria ser spoiler ao mesmo tempo...

 

3. As mensageiras da Esperança, Jojo Moyes - Lido no Kobo

Toda a gente do Instagram a amar este livro, cujo título original é igualzinho (The giver of stars...?) e eu a ficas desiludida. Gostei? Humm...sim. Talvez as expectativas não tenha ajudado, mas não achei memorável, nem fiquei com vontade de recomendar àjamigas. A inglesa Alice casa-se e segue com o marido para o Kentucky onde a vida é muito diferente da aventura que ela estimativa, e pena para encontrar o seu lugar na sociedade e no casamento. O lugar onde finalmente se sente bem vinda é a biblioteca "ao domicílio" - a cavalo ou burro - gerida por Margery, uma feminista do ínicio do século XX, que quer fazer a cultura e a educação chegar a todos. A atividade delas é mal vista, claro. Depois acontecem coisas e o fim é meio estúpido, mas inteiramente previsível. Não sei se se nota que não faço parte do clube de fãs do livro...Fica uma palavra de louvor para a homenagem feita a estas bravas mulheres da Packhorse Library, que existiram mesmo. 

 

Maria das Leituras - Março 2021 - Parte 2

 

4. Farenheit 451, Ray Bradbury - Comprei sem querer

Fui à Fnac porque o Kobo estava a dar problemas e sem querer, visto que deixei o Kobo, trouxe três livros. Um deles foi este, um clássico mundial e recomendado no plano nacional de leitura, que me tinha ficado na cabeça desde que vi o filme A Livraria na HBO (fraquito, já agora). É uma distopia onde o protagonista é Guy Montag, um bombeiro...num mundo onde as casa são à prova de fogo e os bombeiros srrvem para: queimar livros! Os livros são perigosos, provocam sentimentos. É um livro relativamente pequeno, de fácil leitura (é recomendado no secundário) e com excelentes reflexões sobre o papel dos livros na sociedade. Não vos posso contar porquê, para não ser spoiler, mas foi o livro que me fez perder a vergonha de considerar um audiobook ouvido como um livro lido. Leiam e vão perceber porquê.

 

5. A Vida Mentirosa dos Adultos, Elena Ferrante - Também comprei sem querer

(Foi um dos três que descrevi acima...) A Giovanna, que acompanhamos ao longo do livro, durante parte da sua adolescência, é uma jovem que adora os pais e vive na sua bolha. Um dia rebenta a bolha, ao querer saber mais sobre a tia e efetivamente conhecê-la. Este livro cuja protagonista é a adolescente e de facto muito mais sobre os adultos que a rodeiam e de como ela descobre, como descobrimos todos um dia, que os adultos têm falhas, mentem, e também estão muito perdidos. Gostei moderadamente, senti falta de mais ação do que observação e pensamentos. Gostei MUITO mais da Amiga Genial.

 

6. Todas as suas (im)perfeições, Colleen Hoover - Lido no Kobo

Da famosíssima Colleen ainda só tinha lido A Ilusão de Merit, que não me deixou especialmente entusiasmada para ler mais. Lis este a acompanhar o clube do livro da Lu Ferreira (Chata de Galocha) e gostei. É uma história simples, realista, sobre a vida de um casal. Trigger para infertilidade, mas não me importo de ser spoiler aqui porque está longe de ser O tema, apesar de ser um tema. O tema é o amor, uma relação ao longo do tempo que nos é contada a alternar entre o presente e o passado. Achei o fim pouco realista, mas com a lição certa: o segredo é comunicar. E não aceitar que as nossas imperfeições nos definam.

 

Maria das Leituras - Março 2021 - Parte 3

 

7. O casal do lado, Shari Lapena - Lido no Kobo

Comecei a ler este thriller sem saber muito por ele e, talvez também por isso, gostei. A Cynthia e o Graham vão jantar a casa dos vizinhos. Enquanto isso a filha, que dorme na casa ao lado, é levada. Maddie vibes. A revelação do que se passou é feita por camadas o que faz com que a leitura e a descoberta aconteçam a bom ritmo. Previ algumas coisas, mas talvez não antes do que a autora me queria deixar perceber. Algumas reclamações no mercado por ser um livro cheio de referências white privileged people e, pessoalmente, não gostei de como abordaram o tema da saúde mental. Mas o livro entreteve-me, isso sim. 

 

8. Greenlights, Matthew MaConaghey - Audiobook

Este foi lido, ou ouvido, ao longos dos primeiros 3 meses do ano, na verdade. Sobretudo em caminhadadas a solo, levava o Matthew a contar-me a história da sua vida e o que foi aprendendo até aos seus 50 anos - ah, pois é! Não achei fenomenal, esperava melhor, mas houve episódios engraçados, como a sua passagem pela Austrália na juventude, quando ficou com uma família muito estranha. Gostei de ouvir como conseguiu papel nalguns filmes (fiquei com vontade de ver todos, até os mais parvos) e como ao conhecer a atual esposa fingiu falar português. Mas tem uma percentagem grande de reflexão, quase para auto-ajuda que não era bem o que procurava do senhor Alright, alright, alright.

 

 

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08
Mar21

Maria das Leituras - Fevereiro 2020

Maria das Palavras

Escrevo-vos de coração partido porque de acordo com as regras que propus a mim própria (comprar apenas um livro a cada dois que leia) estou neste momento impedida de comprar qualquer livro por impulso. O que quando se tem um Kobo que entrega o livro que queres ler no segundo a seguir à decisão e compra...é altamente doloroso e também altamente inteligente (para não sangrar a carteira). É por isso que 3 desta lista já andavam por cá há mjuito tempo e viram finalmente  sua vez chegar. 


Vamos aos veredictos.

 

Maria das Leituras - Fevereiro 2021 - Parte 1

 

1. Pachinko, Kin Jin Lee - Lido no Kobo
Já está decidido que este é mesmo o meu tipo de livro favorito: historias de vida que passam gerações, e que mesmo podendo ser ficcionais se cruzam com momentos da história do mundo. A figura central é a Sunja, uma coreana que engravida solteira (a tragédia, o horror) e é salva por um mancebo que se casa com ela e a leva para o Japão.  Conhecemos toda a história da família, da sua vida, de como sobrevivem à guerra, e depois dos seus filhos e netos. 
Se é demasiado longo? Dizem que sim (sempre foram 17 horas de leitura), mas não me consegui aborrecer ao sentir uma história tão realista e tão sofrida. O narrador ominsciente alterna a sua perspetiva entre personagens e ajuda-nos a ligar a cada uma delas. Assim não há personagens boas, nem más, porque entramos nos sapatos de todas (várias).

 

2. Daqui a 5 anos, Rebecca Serle - Lido no Kobo
Era livro do mês da Lu Ferreira e eu sabia que era um dos romances finalistas do Goodreads, por isso avancei. A premissa também era catita: a protagonista que é uma planeadora compulsiva e sabe exatamente todos os passos da sua vida, vê-se de repente 5 anos no futuro e descobre que nada está como ela planeou.
Esperava algo leve , como foi, rápido de ler, como foi, que me entretivesse, como entreteve. Mas é de facto cheio de clichés e não desenvolve bem romance nenhum.

 

3. O Pássaro de peito vermelho, Jo Nesbo - Já morava cá em casa
Informei-me: quem quer ler Nesbo, deve começar por este e não pelo #1 ou #2 da saga do Harry Hole (o detetive) porque são mais fracotes. Assim fiz. Demorei muito a entrar no ritmo do livro, dividido em três perspetivas que alternam: a do detetive no presente, a de uma outra personagem no presente e dessa mesma personagem no passado (aquando da GG). Gostei bastante. Fiquei fã do Harry que é um detetive cheio de defeitos e não um 007 ou outro cliché de mente brilhante que encaixa peças sem esforço, sabe tudo desde tiro a kung fu e por quem todas as moças caem de amores ao primeiro olhar. E fiquei fã da história ao ponto de me prender para querer contnuar a ler a saga, por ordem. Bom thriller, sobre um atentado na Noruega.

 

Maria das Leituras - Fevereiro 2021 - Parte 1

4. Precisamos falar sobre o Kevin, Lionel Shriver- Lido no Kobo
Caramba, que livro intenso. São cartas da mãe de Kevin para o seu ex-marido (pai de Kevin) depois do brutal evento em que ele assassina um grupo de colegas na escola. Isto não é spoiler, ficam logo a saber no início do livro (ou na contracapa). Essas cartas tanto falam das lutas do seu presente como de tudo o que se passou desde o momento em que decidiram ter um bebé, o próprio Kevin até ao fatídico dia. Os sinais de que ele não era uma criança como as outras. A necessidade de atribuir culpas a esse facto: ela não queria ser mãe, foi ela o problema?
Percebo quem possa achar o livro aborrecido - é praticamente um monólogo. Mas é tudo tão real, tão sentido, há tantos episódios da vida e outros diálogos relatados, que nunca senti que estivesse a perder o interesse. 
Parece que sabemos o final desde o princípio, mas há sempre margem para a maldade nos supreender.
Não vi o filme (ainda) mas também existe, e dizem-me que também é duríssimo e vale a pena ver.

 

5. O Monte dos Vendavais, Emily Bronté - Lido no Kobo
As irmãs Bronté estavam na minha wishlist há anos, pelo papel que tiveram enquanto mulheres autoras na sociedade. Mulheres independentes, criadas pelo seu pai, muito à frente do seu tempo e que chocaram tudo e todos na sua época. O Monte dos Vendavais está muito bem recomendado por muita gente, como um dos melhores clássicos a ler, de forma que a minha expectativa estava em altas. Erro.
Achei um dramalhão sem fim, não me consegui ligar com nenhuma das personagens (talvez porque é um relato em terceira mão do que se passou), nem sentir a paixão avassaladora dos tais protagonistas (Catherine e Eathcliff) que é descrito como a única forma de amar. Estou até convencida que não gostavam assim tanto um do outro, só tinham gosto por destruit tudo à sua volta.
Depois de partilhar esta minha opinião no Instagram, muitos me disseram que tinham adorado o livro, lido na adolescência ou pelos vintes. E talvez seja esse o segredo para gostar. Neste ponto da vida já não aturo o tipo de dramas que se desenvolve no livro. Provavelmente tê-lo-ia vivido intensamente se o tivesse lido há 20 aninhos. 
Também há filme (várias versões) e nem que seja para tirar teimas, hei-de ver algum.

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