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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

01
Set20

Bem-vindos a Sezembro

Maria das Palavras

Hoje tive 3 segundos para frequentar redes sociais, o que deu tempo para ver 3 stories. E os 3 davam boas-vindas a Setembro. Que bom que chegou, finalmente. Mês de recomeços. Queremos fazer fast forward aos últimos meses e avançar para as datas que gostamos, para um ano diferente até (este 2020 nunca mais acaba!). Mas antes de acabarmos de dizer a palavra Setembro, vão ver que já é Dezembro. E que 2021 não só vai chegar, como vai passar a correr. E cá estamos nós, na ânsia que os dias corram, para chegar mais outro, sem aproveitar este exato minuto.

Lembro-me sempre do filme Click. Que recomendo MUITO se nunca viram, apesar de parecer só mais uma comédia tola do Adam Sandler...e, ok, sob várias perspetivas, é mesmo. 

Só que tem uma lição valiosa, numa altura (é de 2006! e começa a ser assustadora a quantidade de factos destes que me fazem sentir velha) em que nem se falava de mindfullness e gratidão. Ele vai a uma loja pedir um comando universal e vendem-lhe efetivamente um comando universal. Literalmente. Que controla o universo. 

Então ele vai passando à frente bocadinhos chatos, como nós às vezes fazemos com a publicidade. Duche? Passa à frente. Reunião chata? Passa. E, às tantas, ao longo do filme, vemos como vale a pena viver tudo. Até as partes chatas da vida. Até viver durante esta época louca, invulgar, incerta, de pandemia, em vez de querer chegar ao dia em que tudo já passou, a correr. Porque é de todos esses momentos (bons e maus, divertidos e chatos, fevereiros ou setembros) que se compõe a nossa existência. 

E agora vou-me. Que já é Setembro, e ainda não acabei o que tinha para fazer em Agosto.

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05
Set14

O Setembro dela

Maria das Palavras

Folhas Caídas - Setembro & Outono

 

O meu Setembro tem o calor do Verão, mas já todas as folhas caídas de Outono. 

Já não há regressos, nem recomeços, nem peles douradas para contar a história dos grãos de areia e do sal do mar.

"Dói-me a cabeça e o Universo", como disse Fernando Pessoa, de viver este Setembro.

Quem me dera os dias de a levar pela mão à escola. De a ver saltar por entre as sombras das árvores: quem pisar o Sol, perde!
Inventar jogos para a fazer vestir-se mais depressa. E cada dentada no pão da manhã vale por trincar um medo.

 

Doíam-me as pernas de correr atrás dela e as costas das cavalitas, às vezes também me doía a cabeça, mas não me doía o universo.

E o Sol não estava lá fora, estava em mim. As folhas caídas de Outono é que não estavam em mim, estavam lá fora.

 

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