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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

02
Nov15

Doenças invisíveis

Maria das Palavras

É tão difícil explicar às pessoas as doenças invisíveis. 

Dizem, como eu já disse quando era mais ingénua e não as respeitava, que é ser fraco. Que são manias, próprias de quem não sabe lidar com a dor e com a tristeza. Dizem-no porque nem desconfiam que sanguessugas de alma como a depressão - não só a depressão - podem surgir no auge do sucesso e da felicidade, ou numa quarta-feira qualquer.

 

É tão difícil explicar às pessoas as doenças invisiveis.
Mas aqui está uma brilhante tentativa.

Depressão (imagem Pixabay) | Doenças invisíveis, texto por Maria das Palavras

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02
Nov15

Caçadoras de Sonhos #6

Maria das Palavras

Caçadoras de Sonhos - Maria das Palavras e M.J.


"
(podia inventar um sonho maluco, mas tenho um sonho recorrente desde miúda, já andei à procura do significado, já tentei perceber se, quando o tenho, acontece alguma coisa fora do comum, mas nada! então deem-me lá a vossa opinião)


Estou numa praia a ver o mar.
De repente forma-se uma onda gigantesca (mais conhecida por Tsunami, que é chique, quando era miúda chamava-se Maremoto).
Quando me apercebo, levanto-me e corro na direção oposta, mas a onda é demasiado rápida.
Vejo-a passar por cima de mim e, antes de me apanhar....acordo!

Não, e de cada vez que sonhei com isto, não houve um tsunami nem fiz xixi na cama.

A minha pergunta é: quando a onda finalmente me apanhar, já não acordo? Morro? Cortam-me a água em casa? Rebenta um cano na vizinha de cima?

Agradeço antecipadamente a vossa ajuda.

Beijos."

  

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02
Nov15

Carta aos donos de restaurantes da moda

Maria das Palavras

Caríssimos,

 

Primeiro, e porque não sou nenhuma mal-agradecida, gostaria de vos louvar por nos permitirem comer as mesmas porcarias de sempre (hamburgueres, cachorros quentes, sandes) com nomes XPTO, que até são um orgulho de colocar com hashtag no instagram. Se mete "gourmet", "portuguesa", "artesanal", "tapas" ou "do bairro" no nome, já sabemos que conseguimos provocar inveja nos nossos amigos, e pela módica quantia de 10€ por cabeça, ou menos ainda, fazemos o luxo do mês e comemos fora de casa.

 

Até aqui tudo bem. 

 

Nem me importo que usem latas de feijão como centros de mesa, cadeiras velhas todas diferentes, páginas de jornais como se fossem quadros e permitam as pessoas rabiscarem em paredes de papel ou quadro de giz, num exercício que pretende conjugar originalidade, com poupança, com partilhas nas redes sociais.

 
Mas...têm mesmo de me obrigar a sentar ao pé de estranhos? Tenho mesmo de ter conversas pessoais com amigos com gente ao lado? Fonte: http://desaltosporlisboa.blogspot.pt/2015/05/de-saltos-por-ai-frankie.html

A moda das mesas grandes, ao estilo cantina pode ser o último grito da estética e muito cool. Mas não queria muito falar dos meus dramas com público maior do que aquele que já tinha na ideia quando planeei o jantar (eu sei que sou muito engraçada e é um prazer que qualquer pessoa me possa ouvir, mas de facto não dou espetáculos de stand up - nem sit down). Ou então, também decidiram apoiar a esquerda e fazer de toda a gente do restaurante bons camaradas, mas eu se quisesse fazer amigos ia à internet, como é prática comum por estes dias.


Assim obrigam-me a ser desagradável para conseguir estar sozinha - leia-se, com companhia à minha escolha -  quando frequento os vossos espaços para me deliciar. Estas são algumas das soluções que penso implementar:

  • Deixar de tomar banho na semana que antecede a minha ida ao local de repasto, esperando que o meu aroma acerele a refeição das pessoas ao meu lado e afaste outros pretendentes. Danos colaterais: é possível que a pessoa que vá comigo também fuja.
  • Descrever, de forma bem audível e exaustiva, os furúnculos da minha tia. Danos colaterais: os mesmos da tópico acima.
  • Criar uma linguagem em código, treinada durante meses. Dar formações intensivas às pessoas com quem quero marcar um jantar. Poderemos falar à vontade em mesas corridas com pessoas ao lado, sem que ninguém nos entenda. Danos colaterais: os mesmos dos tópicos acima, mas a desistência dá-se logo na fase do planeamento.
  • Adotar um furão e levá-lo comigo sempre que vou ao vosso restaurante - a espreitar da minha mala, diretamente para o prato da pessoa ao lado. Danos colaterais: expulsão do restaurante e possível internamento.

 

Para além disto, caríssimos, a minha companhia mais frequente é, como não poderia deixar de ser, o meu moço. E ele distrai-se muito facilmente. Quando estamos num restaurante já me vejo obrigada a competir com o telemóvel dele, as TV's ligadas, as pessoas que frequentam o mesmo espaço, os carros que passam na estrada e espelhos ou qualquer objeto em geral onde ele possa ver o seu reflexo. Se eu tiver de competir também com a conversa dos outros...ou uma louraça sentada ali mesmo ao lado dele...estão a ver, não estão?

 

Esta carta aberta não é tanto uma crítica, como um pedido de ajuda. Penso que compreendem. Podem mesmo deixar as mesas assustadoramente perto, mas com uma abertazinha ao menos?

obrigadamp.jpg

 

 

 

 

 

 

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01
Nov15

Asas de Aviões

Maria das Palavras

Asa de Avião (imagem Pixabay)

 

São lindas não são? Em toda a sua simplicidade. Linhas direitas, mas curvas. Pequenas abas encantadoras. De um branco baço que se confunde com as nuvens e os nossos sonhos. Estendem-se pelo horizonte, como um símbolo da viagem que se inicia, continua ou acaba.

Magníficas e imponentes. Belas. Tão belas.

Não acham?

...

...

Não?
....

...

...

Então PAREM DE AS FOTOGRAFAR, PORRA.

 

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