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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

22
Abr16

As mortes que chocam e as mortes que doem.

Maria das Palavras

Os famosos vão morrendo. Têm aquela particularidade chata de continuarem a ser humanos e, portanto, ainda que para nossa incoveniência, são perecíveis e em última instância - às vezes com umas ajudas químicas, outras vezes nem por isso - exalam o último suspiro. E eu nem julgo quem mina as redes sociais de RIP, cenas do ator, músicas do cantor e outros que tais. Certo que há sempre uns que mal conheciam a obra e são carpideiras-surfistas (entram na onda). Seja.

O que me dá torvelinhos no peito, então? Que se diga que está a ser um ano terrível (e ouvi e li tantos desabafos assim desde ontem, com mais uma morte de uma estrela). Um ano terrivel seria que houvesse tal sequência de mortes das que nos doem - ou uma só - e não das que nos chocam. Das que me fazem dizer que quem morre é quem fica vivo, porque quem parte leva consigo para a cova, para o mar onde se espalham as cinzas, para o céu, para o purgatório, para o inferno (cada um acredita no que quiser) um pedaço irrecuperável de nós. 

As mortes dos artistas, atletas, figuras públicas, imortais na sua obra, mesmo que todos de enfiada e um por semana, só fazem com que seja um ano terrível, um de cada vez (sem reparar na sequência), para aqueles a quem essa morte dói de facto. E esses não somos nós. Nós abrimos a boca em espanto, sentimos talvez um espasmo de tristeza e a nostalgia abate-se. Mas continuamos inteiros.

 

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21
Jan16

Quantos dias vale uma morte?

Maria das Palavras

Calendário (imagem Pixabay)

 

Dizem-me que se morrer um dos pais são cinco dias de licença e para "familiares de segundo grau" são dois. 

Na lei não está previsto que o avô seja em boa verdade o que se pode chamar de pai ou que a tia tenha criado como mãe. Que os pais tenham tido o papel de dois primos afastados. Ou, ao contrário, que cinco dias não cheguem nem para atar as primeiras pontas de dor, quanto mais a logística dos dias que não param.

 

A lei deixa-me parar cinco dias por morte de um sogro, mas manda-me enxugar as lágrimas num par de dias se ficar sem irmã. A lei diz que morrer um filho ou uma nora é igual. Diz-me que se morrer um tio ou um sobrinho não preciso de dia nenhum para me refazer do choque. A lei é cega a afetos. Divide o primeiro grau do segundo com a lucidez de uma equação e diz-me que "se x maior que y" o resultado é nulo. 

A lei não pode saber se o meu luto se faz de um preto sossegado e inerte, ou se preciso fingir depressa que não se passou nada e voltar à cadência normal dos dias.

 

A lei generaliza porque tem de generalizar. A nós morrem-nos anos que temos de curar em horas contadas.

 

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02
Out15

O belo e a monstra

Maria das Palavras

Jantamos e conversamos. Eu despenteada, com o cabelo cheio de trejeitos da humidade, e de ar cansado, e ele, por mais que se esfalfe a trabalhar em turnos, e nas máquinas do ginásio, sempre com aquele ar fresco e fofo, giro-sem-esforço (se calhar eu também devia experimentar ser in e fazer a dieta dele - isso e uma operação plástica). 

Como estou sempre a inventar, eis a questão que lanço para cima da mesa: se pudessemos escolher uma maneira para morrer, num futuro próximo, excluindo a hipótese "enquanto dormimos", o que escolheríamos.
E enquanto eu estou a formar na cabeça a possibilidade de uma morte através de um veneno de atuação rápida, que nem chegue a fazer uma pessoa bolsar-se e perder a pose, ele diz:

- Escolhia morrer atropelado, a atirar-me para a passadeira para salvar uma criança de um carro a alta velocidade. Eu morro, a criança salva-se.

 

Dá para acreditar nesta pouca vergonha?!

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