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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

04
Ago18

3 Coisas que Aprendi na primeira aula de Pilates

Maria das Palavras

Maria no Pilates - Foto Unsplash

 

Andava com ideias de experimentar Pilates. Sabia que não era fácil, mas aquela aura de exercícios sossegados parece encaixar nas minhas capacidades. É que tenho pouca energia para andar aos saltinhos, mas resistência ao sofrimento. Que o diga a dentista onde fui ontem e estive duas horas de boca aberta sem me deixarem engolir saliva, enquanto me experimentavam todo o tipo de quinquilharia na boca - qual é a cena delas com o não engolir? Algum trauma com um namorado?

 

Voltando ao assunto. Na tarde de quinta-feira cheguei a casa com os nervos à flor da pele e achei que era o tipo de dormência que precisava para tomar a decisão: é hoje que vou experimentar. Fui. E eis o que pude aprender com uma experiência apenas. 

 

1. Não devem levar o vosso homem. 

O Moço tinha estado de folga e decidi arrastá-lo comigo. Ele que vai ao ginásio pelo menos três vezes por semana e  nunca tinha experimentado pilates deixou-se arrastar. Erro meu. Bom passo dele. É verdade que saiu com os bofes de fora a dizer que aquilo era mais difícil que cycling Mas tendo em conta que eram só miúdas de roupa justa, saradonas e giras (nem sei se me vão deixar inscrever, deve ser pré-requisito) a enrolarem-se como gatinhos, digo eu que não perdeu totalmente a viagem.

 

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2. É um exercício tão completo.

Tão completo que além de fazer bem ao corpo porque trabalhamos bem os músculos, também nos deixa tão doridas que nos dias seguintes ninguém se vai levantar só para ir buscar um chocolatinho para comer depois do jantar ou coisas que o valha. Ainda estou em serviços mínimos. E nem sei como consegui afetar tantos músculos, visto que eu ao pé das colegas era mais ou menos um Sheldon. 

 

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3. É mesmo talhado para mulheres

Talvez seja mito ou cliché que os homens só conseguem fazer uma coisa ao mesmo tempo. Cá em casa posso confirmar que não é, nem ao nível do relato: por exemplo se o Moço estendeu a roupa conta isso pelo menos como 5 tarefas que fez (Foi buscar molas, tirou roupa de máquina, estendeu roupa, colocou molas na roupa e certificou-se que o estendal estava direito. Cinco.). Então para marmanjos onde tal se verifica, mas mesmo para senhoras afetadas pelo flagelo da uma-coisa-de-cada vez: esqueçam o Pilates. Tarefas que vão fazer ao mesmo tempo: manter a posição do corpo toda paralela e encaixada (?!), mexerem perna e braço e vértebras cada um para a sua direção, apertar a bexiga como se as vossas cuecas dependessem disso, ouvir a professora e espreitar as colegas para ver se estão a fazer bem, distinguir a esquerda da direita (esta se calhar só é complicada para mim)...e qual era a outra?!...Ah! RESPIRAR. Mas ao contrário do que vos for natural. 

 

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A coisa que ainda estou a aprender é a linguagem própria. Cheguei a considerar que estava a juntar-me a um culto onde trocam mensagens obscuras à frente de todos. Aquilo que eu muito displicentemente chamo barriga é a porra da powerhouse. "Bota as pernas para cima, melher" passa a ser "posição em hilltop". Se vou voltar?...estou num processo de decisão difícil, entre o meu cérebro a dizer que devo e os músculos abdominais a chamarem-me taralhoca por sequer considerar. Sabe Deus que das últimas vezes não correu bem. Podem (re)ler nos links abaixo. 

 

 

Posts sobre Friends em Mariadaspalavras.com

 

Maria vai ao Ginásio I - As reclamações da "primeira vez"

Maria vai ao Ginásio II - Quando vocês me lixaram

Maria vai ao Ginásio III - A aula de cycling

Maria vai ao ginásio IV - Dance Local do Demo

 

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04
Out16

Maria vai ao Ginásio IV

Maria das Palavras

Para motivar uma amiga minha à procura de novos hobbies e para me motivar a mim mesma a deixar de ser aquele naco de carne pespegado ao sofá ou cadeira, consoante a hora do dia, propus que fossemos experimentar uma aula que parecia fofa, até assim mais para o bailarico do que para a ginástica. Chama-se Dance Local. Combinámos logo uma sequência lógica que ia repôr o equilíbrio do nosso organismo nesse dia: aula primeiro, pizza lá em casa depois. 

O que foi? As gatas também comem pizza!

 

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Quando chegámos não tínhamos bem noção do que era a aula em si. Dance local. Felizmente, depressa percebemos que a professora também não "Então é assim, eu no ano passado dava localizada. Depois pediram para fazer este ano Dance Local e eu achei que era tipo cardio, mas juntar algumas coreografias tipo zumba". Posso dizer que comecei a aula sem saber bem o que era, mas quando acabei também não tinha a certeza.

Sei que isto eram as expetativas:

 

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Mas a realidade esteve mais perto disto:

 

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E quando ela colocou Gagnam Style ou mencionou que estava a tentar arranjar a dança das Poderosas (que reconheci pelo movimento que as gaiatas fazem a acompanhar a palavra "babando") soube que a minha vida futura talvez não passasse por ali.


E o pior? A minha amiga é daquelas que "às vezes anda em ginásios". Ou seja inscreve-se, vai uns meses cheia de genica e depois deixa de ir e continua só a pagar. A esta fatia de gente chama-se "maioria da população". Portanto eu esperava que ela tivesse um pouco mais de noção da coisa para me amparar. Percebi que não ia ser assim quando ela declarou que não tencionava ficar suada. Ou, mais tarde quando anunciou: "espero que isto corra bem, tu sempre estás mais habituada a este tipo de coisas do que eu!". Que coisas?! Os únicos exercícios que pratico com regularidade são estes. Uh-oh.

 

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Confesso que devia ter desconfiado que ela não ia ser grande ajuda. Esta é a minha amiga que dizia que a sua aula favorita era o cycling porque não custa nada (apesar de se cansar sempre a subir as escadas do meu prédio). Ou seja, adepta da filosofia mariana do menor esforço. 

Sei que apesar da descoordenação geral, foi uma hora bastante dura (coreografia, saltinhos, mais saltinhos, passadas para um lado e para o outro, braços a-dar-a-dar com pesos nas mãos) e a aula acabou precisamente um segundo antes de eu falecer. Agora a minha amiga quer experimentar o zumba e eu acedi a ir a isso de seguida (um dia destes, pode ser que ela se esqueça). Afinal, como se costuma dizer: "humilhada por cem, humilhada por mil". 

 

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30
Mai16

Até a senhora do ginásio sabe que eu não pertenço no ginásio*.

Maria das Palavras

Normalmente as pessoas esforçam-se para fazer valer as mensalidades que pagam no ginásio e botar lá os cotinhos, porque lá a fidelização obriga a que se pague do início ao fim - salvo morte ou perda de membros essenciais (acho que é mais ou menos isto). Esta que vos escreve vai lá tão pouco, tão pouco (se se lembram, herdei a inscrição da minha irmã) que a senhora da receção propôs-se a baixar-me a mensalidade nos meses que faltam de fidelização...

 
*Ou leu isto.

 

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03
Mai16

Maria vai ao Ginásio III

Maria das Palavras

Portanto, herdei a inscrição da minha irmã em Fevereiro. No Sábado passado pus os pés no ginásio pela terceira vez. A julgar pela experiência bem podem passar mais três meses sem lá pôr as unhas e entretanto acaba o período de fidelização. Fui a uma aula de cycling.
Eu devia ter desconfiado quando o Moço me disse para irmos à aula e como parte do discurso de motivação proferiu as seguintes palavras: se te sentires mal, não pares, é melhor pedalares devagar.

It's not that bad...

 
Eu tinha ouvido coisas divergentes sobre estas aulas de cycling. Há pessoas que dizem que é a morte em pedais e uma amiga em particular diz que é a sua aula favorita e não custa nada (apesar de se cansar sempre a subir as escadas do meu prédio), pelo que depreendo que ela não faz a aula corretamente. Estava preparada para tudo, mas sabia que o meu orgulho não me ia permitir desistir a meio, pelo que levava um olho a tremelicar. 

I'll push through it...

 

Eu percebi que a coisa ia correr mal logo quando estávamos de senha na mão, à espera de entrar na aula e havia uns rapazinhos a bater couro às meninas que iam para a aula, que estavam lá mais para a socialização que para o exercício. Mas mesmo empenhados na atividade esgotante que é a corte, nem por sombras consideravam ir à aula. Entretanto já passavam uns minutos da hora da aula e o instrutor não chegava. Perguntei ao Moço se havia toque de feriado e aí podíamos ir embora, mas ele disse que não era assim que funcionava.

 
Depois, quando efetivamente o instrutor chegou e entrou na sala sem acender as luzes pedi ao Moço que me confirmasse, por favor, que não íamos fazer uma aula a meia-luz, como se fosse um restaurante romântico. Devia ter comparando com uma discoteca. A música altíssima, daquela tipo txicabum e as luzes coloridas (juro). O instrutor no seu palco reduzido de microfone na boca a debitar frases motivacionais "vamos lá" e "última volta". MENTIROSO. Nunca era a última volta.

Eu até tinha previsto a parte da canseira, mas não tinha previsto que o pior sacríficio não seria rolar de pé, mas o puro e simples exercício de me sentar no selim. Ainda hoje me dói o rabo. E quando o instrutor repetia as frases que na terra dele deviam soar bem, mas na minha cabeça soavam a "sua fraca, se não consegues, vai-te embora daqui" eu juro que pedalava mais depressa só numa tentativa de arrancar a bicicleta do sítio e lhe passar por cima. 

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Eu era claramente a iniciada. A fila da frente com as meninas todas orgulhosas, de costas direitas e rabo empinado: 

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E eu, com uma tal de dor de rabo que já estava toda torcida e que só queria ver a morte de foice na mão a levar-me:

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Era suposto a aula ser de 50 minutos, mas creio que durou três vidas e um quarto. Quando acabou o instrutor pôs-se à porta a cumprimentar quem ia saindo com uma espécie de high five. Deve ter um fetiche por mãos suadas, só pode. Saí dali para o balneário rapidamente, juro que não demorei nada, mas quando lá cheguei - PUMBAS - já estão quatro ou cinco gajas todas nuas a abanicar- a púbis. Juro que já se deviam ir a despir pelo caminho, só pode. E pronto, foi isto. Pelo que oiço dizer, com a continuação deixa de custar tanto. Nunca saberei. É que nunca mais ponho lá os pés. Ou melhor, o rabo.

 

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07
Mar16

Maria vai ao Ginásio II

Maria das Palavras

No Sábado, lá fui ao ginásio pela segunda vez, depois de uma vil pressão da vossa parte - foram 102 votos a favor da minha ida ao ginásio, uma adesão nunca antes vista a qualquer iniciativa minha que envolvesse apenas escrever em vez de mexer músculos maiores do corpo.

Muito como na primeira vez, os meus protestos fizeram-se sentir. Não é de propósito, mas sinto-me completamente deslocada - não pertenço ali, nem ao pé daquelas pessoas, nem a ouvir aquela música, nem nada. Mas fomos. O Moço entretanto comprou-me um cadeado e tive um pequeno momento de felicidade ao escolher o código para ele. Em termos de momentos de felicidade foi esse o único.

Maria vai ao ginásio II - Maria das Palavras

 

A partir daí deparei-me com alguns problemas, nomeadamente:

1. A escolha do exercício

Já era a segunda vez, portanto o Moço não ia fazer de babysitter novamente. Ia seguir o circuito dele, e quis entregar-me aos bichos: "queres ir para aquela passadeira?". Não, eu não queria ir para a passadeira entre duas passadeiras ocupadas.  Nem para máquina nenhuma que não tivesse pelo menos distância de duas para outra que estivesse ocupada. Nem para aquelas do demo, ao fundo, que vejo sempre desocupadas, e que simulam o ato de subir escadas (com pianos de cauda atados aos pés) e ficam mesmo à frente dos senhores que estão nas passadeiras à espera de ver um rabo a mexer-se por ali. Digamos que foi difícil. Talvez tenha de me meter nas aulas...

 

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2. O aborrecimento

Lá acabei por escolher o remo, ao cantinho. Não estava a ser nada divertido, nem me estava a custar nada, a TV estava a dar um documentário qualquer sobre extração do ouro...estava aborrecida de morte. Mudei-me para a elítica. O que foi ainda pior porque além da seca, já não estava sentada. Comecei o exercício, olhei para toda a gente, invejei a menina que tinha trazido o telemóvel para dentro da sala de exercícios, questionei-me acerca do que estaria a fazer o Moço lá na sala de musculação e quando regressaria, forcei-me a ver um pouco do programa do Discovery e, já a rebolar os olhos de tédio, convencida que já estava ali há uma eternidade, olhei para o contador. Tinha passado um minuto e meio. 

 

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3. O nazi do exercício. 
Que é o Moço. Ele esquece-se que vai ao ginásio 4 vezes por semana, quase todas as semanas há uns dois anos. E portanto quer que eu comece logo a puxar por mim. Por outro lado, eu sinto-me bastante confortável a mexer os bracinhos e as perninhas, na bicicleta, na elítica ou na passadeira, sem ir além do grau em que sinto que me esforço. Podem rir-se, mas se pensarem que a alternativa era ficar na cama a ler e a tomar o pequeno-almoço é qualquer coisa.

 

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O momento em que me senti melhor foi quando o Moço foi tomar banho e eu decidi que ficava na passadeira em vez de esperar lá fora - não, não tenciono tomar lá banho nunca, chamem-me porca ou o pior que tiverem à mão, mas moro a cinco minutos e tenciono tirar partido disso. Entretanto já era meio-dia, algumas pessoas tinham ido embora e a maior parte estava na recém-iniciada aula de Pilates. Era praticamente só eu na passadeira, um velho a morrer ao canto, as máquinas paradas e o Discovery a dar tretas. Porque de ginásio vazio é que me sinto bem e o Moço levou três temporadas de Game of Thrones para se despachar, foi aí que fiz mais e melhor exercício.

 

E quando fui embora percebi finalmente o que toda a gente diz. Sentia-me verdadeiramente feliz e tinha uma sensação de plenitude e felicidade. Senti que aquilo se poderia tornar um vício.

 

...

 

...

 

...

 

AHAHAHAHAHAHAH! Senti nada. Foi horrível e dava o mindinho esquerdo para não voltar. 
Nem acredito que foram na minha conversa...

 

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