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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

15
Mai20

O novo (a)normal

Maria das Palavras

Maria das Palavras - O novo (a)normal


É como um jogo. Tudo o que vem da rua tem lepra e não se pode tocar - até o Moço quando regressa do trabalho.

Depois passam para a zona radioactiva da casa (o Moço passa só para o chuveiro) e é ver esta menina a esfregar embalagens com lixívia, a esfregar tangerinas com sabão, com o cuidado e delicadeza com que se banha um recém nascido. O Moço esfrega-se sozinho. A contragosto.

Nunca o meu umbigo, em 34 anos de vida, ficou tão bem lavado como o plástico que envolve um queijo fresco antes de ir morar para a prateleira do nosso frigorífico.

Tenho um nojinho latente de tudo e de todos.

A vida até pode passar a ser levada com este novo normal, aos poucos e com cuidado. Até podemos um dia voltar a um normal muito semelhante ao que já conhecíamos.

Mas só descanso no dia em que voltar a deixar cair uma amêndoa no chão e aplicar a regra dos 5 segundos para a levar à boca.

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11
Mai20

Este blog não é sobre livros #26 - A Educação de Eleanor

Maria das Palavras

A educação de Eleanor - Review Maria das Palavras


O título em inglês é bem melhor e foi na versão original que o li, mas o livro terá o mesmo encanto de qualquer forma. Tinha-o comprado numa viagem, sabendo de antemão da recomendação do Book Gang (onde podem comprar a versão PT). Não desiludiu. É um livro original, enternecedor, divertido e pesado, tudo ao mesmo tempo. 

A protagonista é a caricata Eleanor, uma jovem nos seus 30, mergulhada numa solidão e numa perspetiva muito própria da vida. A sua visão do mundo tem tanto de pragmática, como de inocente e à medida que o livro avança e rimos com as suas interações sociais desajustadas, percebemos que não é tão engraçado, como preocupante.

Citação do Livro


A ideia surgiu à autora após ler uma reportagem sobre pessoas solitárias, que nem sempre são as de idade avançada. Às vezes são jovens, que entre a sexta ao sair do trabalho e o regresso na segunda de manhã, não trocam uma palavra com ninguém. 

Apesar de abordar uma temática dura, o livro é todo muito leve, e, até mesmo positivo. 
O final surpreendeu-me. 

Talvez seja a melhor leitura que fiz em 2020. 

 

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10
Mai20

MDV #18 - Passeio Higiénico Falhado

Maria das Palavras

Saí de casa. 60 dias depois botei o pé na rua. Não fiquei fascinada. Percebi que não me interessa sair sem um objetivo muito específico que é...pois, oiçam. Portanto o passeio durou pouco. Só o suficiente para eu constatar que as minhas pernas ainda funcionam em médias distâncias e para o Moço comentar que ao menos foi bom eu "esticar o pernil".

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05
Mai20

MDV #17 - Treze livros e um flop

Maria das Palavras

Treze Livros e um Flop - Maria das Palavras


Deixei-vos uma mensagem de voz a falar dos quase catroze livros que já li este ano.
Pode parecer muito a alguns, mas é um valor quase nulo, numa escala de zero a Magda. Além disso nem ter lido catorze (ok, treze) livros me livrou de pelo menos uma bacorada que identifiquei logo na gravação. 

Falo-vos dos 6 que vêem na imagem e mais 8 que estão no Kobo, meu mais-que-tudo. Sobre alguns até já tinha publicado reviews, sobre outros publiquei notas breves no Instagram, mas de alguns nem tinha dito nada e partilho agora convosco: recomendo ou não? 

Ouçam e digam-me o que acharam se leram algum deles, se concordam comigo, e deixem-me também as vossas recomendações para próximas leituras. Só tenho centenas em lista de espera, mais um menos um, não vai fazer diferença!

 

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29
Abr20

'Vai correr tudo bem' ou Lei de Murphy?

Maria das Palavras

Não há dúvida nenhuma que um dia, não sabemos quando, isto da pandemia não passará de uma recordação, depois uma história. Também não tenho dúvidas que vamos ganhar alguns hábitos novos que ficam para o futuro - arrisco dizer que algumas pessoas até vão passar a lavar mesmo as mãos quando saem da casa de banho. Tenho mais dúvidas que nos tornemos pessoas melhores, acho que, como sempre, por cada ato de altruísmo, há alguém que leva as latas de atum da prateleira do supermercado todas para sua casa e assim o mundo se equilibra.


Mas até lá o nosso humor vai variando. 
Na maioria dos dias não ligo a qual será a data de validade do isolamento, só espero que seja superior à da minha farinha que ganhou bicho. Sei que vai ficar tudo bem e, portanto, passo um dia de cada vez, o melhor que posso. 
Os outros são os dias "era só o que me faltava". Ou, como me lembrei há pouco quando barrei uma bolacha com manteiga de amendoim e ela caiu com o lado pastoso no chão: os dias da Lei de Murphy


A maior parte das situações que me fazem levar as mãos à cabeça não têm relação direta com a quarentena, mas sei que me apoquentam a uma escala desproporcional por causa dela. E se me apetecer chorar porque a farinha tem bicho (não é corona) e não posso armar-me em pasteleira, quando sei perfeitamente que se não fotografar um bolo o Instagram me bloqueia a conta por violação de normas da comunidade, não tolero que me digam que não tenho razão para isso.

Concluo que lidar com o isolamento é isto. Admitir que de génio e de louco, todos temos um pouco. Menos a parte do génio.

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22
Abr20

Papel?! Qual Papel?! O papel.

Maria das Palavras

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Ontem abri um vídeo num grupo de amigos que mostrava as compras de um deles no Continente. É o tipo de coisas que fazemos em isolamento. Portanto toda a gente viu até ao fim, claro. E tal como nos filmes dignos de Óscar, o climax surgia quase no fim, quando vemos, coroando esta curta-metragem de baixo budget, dois pacotes gigantes (e diferentes um do outro) de papel higiénico.


Eheh. Pacotes. 
(podia ter dito embalagens)


A mim pareceu-me óbvio que cus diferentes têm sensibilidades diferentes, mas houve quem questionasse: porquê?
Ora, nesta fase,o papel higiénico assumiu um lugar de destaque na nossa sociedade - mais importante que Marcelo, embora beije uma área diferente -, e tentar perceber como cada pessoa tem o seu papel higiénico ideal. 



O Papel Higiénico Ideal para Cada Tipo de Pessoa


O Poupadinho:
Um qualquer, mas usa dos dois lados. 


A Influencer:
Marca Renova daquele de cores a dar com o outfit do dia.

O perfecionista: 
Folha dupla ou tripla.

O preguiçoso:
Rolos maxi, que se trocam menos vezes.

A ecologista:
Usa o bidé. À falta de bidé, a pia da cozinha ou a mangueira do jardim.


O verdadeiro macho:
O que a mulher puser no suporte. Se se acabar o que está no suporte, o tapete de casa de banho.


O esquecido:
Guardanapos. 

 

O hipocondríaco:
Nesta fase de virulência agressiva, lava diretamente com lixívia. 

O simpatizante do PAN:
Scottex, que tem publicidade com cães fofinhos. 

 

 

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20
Abr20

MDV #16 - Quarenta dias inteiros

Maria das Palavras

Quarentena efetiva, completei ontem quarenta dias sem sair de casa. Chamem-me doida (provavelmente estou), mas não preciso de sair - o Moço sai para trabalhar e portanto trata das pouquíssimas coisas que admitimos essenciais de se fazer na rua - e não acho que ir até ali ao fundo fazer um passeio à volta da cidade a pé me vá trazer mais vantagem do que tiques nervosos. O que eu precisava era de expandir horizontes, experimentar e ver coisas novas, não sair a medo para bater o ponto do passeio higiénico. Vejo o mar da varanda, vejo igualmente muita gente a andar de um lado para o outro e, como disse, chamem-me doida (provavelmente estou) mas podendo não sair, não sairei. Tenho essa sorte, não vou tentar o azar.


Claro que isso traz paranóias como o meu coágulo na perna. E situações embaraçosas de recolhimento, como a coisa vergonhosa que encontrei o Moço a fazer sozinho NA COZINHA!

Saibam tudo em mais uma mensagem de voz que vos deixamos. 

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14
Abr20

Life Hacks para os Maiores Problemas da Quarentena

Maria das Palavras

Não falo de problemas menores, como ter saudades da família, falta de acesso a bens essenciais, a quebra da sanidade mental ou situações precárias e sacrifícios vários em nome do bem-estar comum. Falo daquelas situações mesmos graves.


“O meu chefe quer videochamadas diárias.”

Avaria as tuas câmaras para evitar que te vejam. Precisas que seja credível, qualquer martelo com prego, bem assente, resolve o assunto

Guarda apenas uma câmara sã, pode ser um tablet velho, para chamadas ocasionais com familiares ou amigos selecionados. O patronato não pode saber da existência desse último dispositivo se querem continuar a trabalhar sujos, despenteados e nus.

 

“Eu faço distanciamento quando tenho de sair, mas os outros não. Fui ao supermercado e um velho estava a respirar-me para cima.”

Antes de saíres à rua escreve COVID19 na testa com um marcador preto. Sempre que sentires outros humanos, olha bem em volta para te certificares que te lêem a testa.
Em casos mais graves faz um pequeno impulso para a frente e grita “vou-te lamber”.


“Não consigo aturar mais as pessoas que vivem comigo.”

Usa o papel higiénico que acumulaste para construir muralhas e definir espaços para cada um.

 

“Alguns deles são filhos menores e precisam de mim.”

Da próxima vez que fores deixar compras aos teus pais ou avós que estão em isolamento deixa uma cestinha com os filhos menores ao lado das maçãs. Se já andarem, ata-os ao garrafão de 7lt do Luso. Se mesmo assim conseguirem fugir, também têm bem idade para se safarem sozinhos.


“Sofro muito da cabeça com Tik Toks de pessoas a dançar descoordenadas.”

Elas também. Desliga o Tik Tok.



De nada, pessoal.

 

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12
Abr20

Este blog não é sobre livros #25 -O Pintassilgo

Maria das Palavras

O Pintassilgo - Donna Tart | Opinião Maria das Palavras

 

O problema são as expectativas. Sei que estou sempre a dizer isto. 

Comecei sabendo que era um livro ótimo, favorito de muita gente. Tinha ouvido dizer que o fim era supreendente e, noutra versão, a pior coisa do livro. 

O que achei?
É um bom livro e um livro para quem gosta de ler. É para apreciar o processo de leitura e crescimento do Theo, cada página. Não para se ter ânsia de chegar ao fim, fim esse que não me supreendeu, nem me desiludiu.

Tão bem escrito (não por ser demasiado pretensioso na linguagem) que nos faz sentir fisicamente mal a espaços, ao recriar tão bem determinados contextos. Que nos frustra, porque só queremos entrar para dar um conselho ao protagonista, ou então afastar-nos daquilo tudo de uma vez para evitar o desconforto de não o podermos fazer.

Mas não é um livro que recomendarei a quem gosta de ler de vez em quando, antes um livro para leitores frequentes apreciarem, no sentido em que entendo que nem toda a gente ficasse contente em passar por 900 páginas para ver o Theo desenvencilhar-se.

Breve (brevíssimo) resumo: Theo perde a mãe, o pai já se tinha esquivado, e ele passa as passinhas do Algarve para encontrar estabilidade em todos os sentidos. No centro da trama está uma obra de arte, O Pintassilgo, por razões que terão de descobrir. 


Quando terminei, instalei a Amazon Prime para ver o filme (gratuito por 7 dias) - e depois descobri que não está disponível em Portugal. Também pesquisei para descobrir que o quadro está em Haia, e sei que o gostava de ver ao vivo um dia. 

Da mesma forma que não encontrei o fim do livro, não assentou ainda totalmente a minha opinião. Gostei muito, não me apaixonou. Recomendo se estão numa fase de leitura, mas não se estão estagnados e a querer voltar. 

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