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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

11
Abr19

Este blog não é sobre livros #20 - A Guerra Aqui Tão Perto

Maria das Palavras

A Guerra aqui Tao perto.jpg

 

Este livro começa como uma fotografia com a abertura de diafragma no máximo. Sabem quando o fundo da imagem é uma mancha de cores quase indistinta porque talvez não interesse? Foca-se na vida e nas experiências de duas jovens - a Margot e Haruko, que vivem uma amizade improvável, num contexto improvável. E é aos poucos que o fundo da imagem se vai tornando mais nítido e a foto fica completa com a revelação desse contexto. A história não é só sobre elas. A história é sobre a visão delas num mundo que parece de faz-de-conta, mas é bem real. Onde as famílias são postas numa casa de bonecas, mas não é porque alguém está a brincar, é porque alguém está em guerra. 


Gosto de conhecer perspetivas novas. E a perspectiva da Segunda Grande Guerra nos Estados Unidos da América, para as famílias originárias do Japão e da Alemanha foi completamente nova para mim. 

Tantas vezes acusamos os norte-americanos de não saberem distinguir Paris de Praga - é tudo ali do outro lado do mar, num sítio velho chamado Europa, e afinal somos nós (era eu) que não sabemos tanto sobre o que se passou lá, historicamente. 

A história das duas jovens é crucial, próxima, terna e tensa (adorei a revelação final). Mas o que mais gostei foi precisamente de expandir os meus horizontes, com os factos baseados na realidade. 

 

Não se fiquem pela minha palavra, leiam as primeiras páginas aqui e digam-me se ficaram com vontade de mais.

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02
Dez18

Põe-te fino, Moço!

Maria das Palavras

Rodrigo Guedes de Carvalho - Jogos de Raiva | Maria das Palavras

 

Lembram-se da lista de presentes que publiquei aqui no blog já lá vai um mês? Pois bem, já recebi uma prenda. A primeira prenda de Natal! O livro que me deu água na boca assim que a Magda (que é uma autoridade nisto dos livros) confessou que este passou diretamente para o top dos seus livros favoritos. E chegou-me às mãos no momento certo, afinal fala sobre a comunicação na era digital no meio do berbicacho do Artigo 13 (leiam este artigo do Polígrafo para ficarem um pouco mais esclarecidos sobre o assunto)

 

Recebeste essa maravilhosa prenda que já mendigaste há um mês de quem ,  Maria? perguntam vocês.

Do Moço? Não. Família, amigos, colegas? Nop. 


Da JBNet.pt. É um daqueles alinhamentos dos astros. A JBNet é uma empresa nacional (de Vila do Conde) mas vende para o retalho, ou seja, não poderia eu ter lá comprado o livro nem que quisesse, porque é B2B - que é uma pena porque vende artigos de livraria, papelaria, informática, brinquedos, enfim... Tem cash&carry em Vila do Conde e vende online para todo país. E está feita a apresentação, em agradecimento a algo muito especial para mim: a minha primeira prenda de Natal. Se houver por aí candidatos à segunda, estou TÃO ao dispor.

 

Moço, se não te pões a pau...ficas sem a lista facilitadora! 

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17
Out18

Este blog não é sobre livros #19: O Desaparecimento de Stephanie Mailer

Maria das Palavras

O Desparecimento de Stephanie Mailer , Joel dicker - Opinião sobre o Livro

 

Tenho uma espécie de orgulho-Pedro-Álvares-Cabral com este autor. Ele descobriu o Brasil, eu descobri o Joel Dicker entre o meu círculo de amigos leitores. Acho que já contei: ganhei o livro dele num passatempo, sem saber bem o que era, deixei-o muito tempo na estante até um dia ter vontade de lhe pegar e nessa altura descobri um dos meus livros favoritos de sempre. Assim sendo, sou um pouco parcial no juízo, mas é certamente o meu autor favorito do género (policial).


Sobre este livro em particular: a Stephanie desparecer é só a pedra no charco que faz tudo à volta mexer, porque esta história não é sobre ela. É sobre o que ela quis saber. É sobre casos enterrados e cadáveres a descoberto. Relações improváveis e memórias amargas. É sobre glórias que dão a mão a desgraças e desgraças que se tornam vitórias. Tem tudo para nos agarrar, portanto.

Só que tive um grande azar desta vez. Desconfiei logo nas primeiras páginas de um twist magistral que só é revelado na página 481. Calhou mal para mim. Se tivesse sido surpreendida teria sido espetacular. Não é a única surpresa, claro, nem sequer se trata de descobrir "o culpado". Mas acho que foi só depois de desbloqueada a página 481 que fiquei sôfrega por mais a cada página, visto que a partir daí, tinha varias teorias, mas já nenhuma certeza. 


Gostei e terminei com a sensação de vazio que deixam os bons livros. Com o desejo que o bom (e jeitoso) do Joel continue a publicar, mesmo que nenhuma obra supere o que senti na primeira dele que li (a segunda que escreveu).

 

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18
Jul18

Este blog não é sobre livros #17: Pequenas Grandes Mentiras

Maria das Palavras

Pequenas Grandes Mentiras - Liane Moriarty | Review Maria das Palavras

 

Ora, depois da primeira experiência com a autora me ter feito regressar em força aos livros (já não lia um tão rapidamente há meses), não fui capaz de resistir por muito tempo a outro dos livros dela. Desta feita, precisamente aquele que deu origem à tal série que muita gente elogia e que um dia hei-de ver. A série que conta com aqueles pares de olhinhos famosos ali a espreitar na capa.
Comprei em inglês porque enfim, mai'barato né povo?

 

I'm On a Budget GIF

 

Estava quase a acabar os Capitães de Areia de Jorge Amado quando as minhas férias começaram. Decidi deixar por um pouco os rapazes da Baía para levar este. Foi a companhia perfeita para as férias. Não deixa de ser uma estória leve com uma escrita arejada, perfeita para ler ao Sol. Mas é mais tenso e aborda temas mais graves do que O Segredo do Meu Marido. Tem uma componente muito bem humorada com as mommy wars, pelo que acredito que alguém com filhos na escolinha que reconheça alguma destas situações na vida real, ainda se vai divertir mais do que eu. 

 

Tem os cantos da capa arruinados, páginas vincadas da dobra que lhes fiz e areia ao folhear, como um verdadeiro livro de férias. E foi uma deliciosa parte das minhas.

 

Se acham que estou a tentar enganar-vos com uma Pequena Grande Mentira ao dizer que gostei, provo que não com o Instagram Stories que acabei de publicar (corram que só lá está 24 horas...tic, tac, tic, tac). E podem sempre ler o primeiro capítulo aqui, onde diz Recursos > Ler.

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21
Mai18

Este blog não é sobre livros #16: O Segredo do Meu Marido

Maria das Palavras

Livro recomendado: O segredo do meu marido de Liane Moriarty

 

Definitivamente, o que me estava a faltar era procurar simplicidade nos livros. Este, devorei-o sem querer. Fiquei muito curiosa ao ouvir uma vlogger norte-americana a falar dele e por ser da mesma autora do livro que deu origem a uma série que quero ver (Big Little Lies). 

 

São histórias de famílias que podiam ser as nossas, com segredos que podiam ser os nossos (felizmente não são). Focado na perspetiva das mulheres, tanto nas suas fragilidades como nas suas forças, só podia de facto ter sido escrito por uma. 

 

E gostei, como quem gosta de um passeio à beira-mar sem vento, porque é agradável, não custa nada a passar. E depois tem aquele epílogo maravilhoso, que não posso explicar sob pena de...enfim, explicá-lo. Leiam, se vos apetecer. Podem começar por esta amostra e descobrir se apetece ou não.

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07
Mai18

Este blog não é sobre livros #15

Maria das Palavras

passaros feridos - maria das palavras blog.jpg

 

Tenho lido muito pouco já desde o ano passado e creio que uma das razões é porque andava a insistir no género de livro errado para o meu estado de humor presente. Este Pássaros Feridos veio dar-me exatamente o que eu queria. É um romance histórico sobre a vida dura de uma família que migra da Nova Zelândia para a Austrália. Um retrato sobre dor, amor, resistência, moral ou falta dela, religião ou falta dela, resistência, com paisagens tão estonteantes que é como se estivessem em foto e não palavras. 

 

Meggie será a protagonista, que acompanhamos desde que é uma criança até à sua velhice, mas não andamos sempre com ela: cruzamo-nos com várias outras personagens que vamos julgando enquanto conhecemos melhor. Não fui capaz de me identificar com ninguém e chateei-me com a autora a propósito de vários desfechos e casmurrice em estereótipos. Apesar disso - ou talvez por causa disso - dei por mim a querer pegar no livro para saber sempre um pouco mais.

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19
Fev18

Este blog não é sobre livros #14: O Fabricante de Bonecas de Cracóvia

Maria das Palavras
 

Livro novo 😊 @editorial_presenca #Livro #books

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Tem sido difícil arrancar-me do meu marasmo com a leitura. Foram precisos, literalmente, dois avião avariados para me dedicar com afinco a este. Não porque fosse desinteressante, gerou-me logo sentimentos mistos. Por um lado tem uma daquelas capas que apetece emoldurar, um nome que promete tanto e um tema que se cola à segunda guerra mundial, acerca da qual tenho um fascínio (negativo, pois claro). Por outro lado, mete magia e bonecas que do nada começam a falar. Tendo a não gostar de livros que não decidem se são realidade ou fantasia. 

 

Ainda assim, provando que o aspeto das coisa e das pessoas interessa sempre mais do que queremos admitir (aquela história das primeiras impressões) peguei nele - uma prenda de Natal - quando tinha outras dezenas em espera. 

 

E gostei. Não o recordarei como um livro que conta uma grande história (a história é singela, como às vezes as coisas que realmente interessam). Mas fica como o livro que conseguiu explicar com bonecas e magia e ratazanas uma coisa tão feia e crua e real como uma guerra. Para além da capa e dos terrores da guerra, continua aser um livro bonito. Ora experimentem. 

 

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09
Out17

Este blog não é sobre livros #13: Maré Viva

Maria das Palavras

2017_1007_18381800.jpg

Acho que disse 100 vezes no Instagram Stories que era "hoje" que ia acabar este livro sem nunca ser. Apeteceu-me dizer ao livro "o problema não és tu, sou eu". E de facto assim era. Era eu que cansada de ler por obrigação ao longo dos dias, nos breves momentos de lazer queria antes morrer para a vida numa série. 


Foi preciso afastar-me um fim-de-semana, no meio da natureza (mas nunca sem wifi) para finalmente dar asas ao meu plano de devorar as últimas 200 páginas. Assim foi e eis as minhas conclusões:

 

Do que se trata?

É um livro escrito a duas mãos (por um casal) e creio que ganhamos todos com isso. É claríssimo qual é a estória principal (a que dá nome ao livro, aliás) - trata-se de um caso antigo de polícia que volta a ser investigado à luz do século XXI e as suas ferramentas e tecnologias, - mas outros temas e problemas se cruzam, no que é claramente uma discussão de ideias entre autores para inserir este ou aquele ponto de interesse.

 

O que gostei mais?

O primeiro capítulo é logo ele um bom thriller. Se há bons inícios, este é um deles. Não vou dizer nada sobre ele, porque perderia o seu efeito, mas - sendo curto - o primeiro capítulo tem todos os elementos de suspense que uma pessoa necessita para ficar presa ao livro.

 

O que gostei menos?

Não creio que seja spoiler ao dizer isto. Gosto de livros, filmes (histórias, enfim) que me surpreendam. Por isso vão ficar espantados se eu disser que o que menos gostei deste livro foi o final, que até é surpreendente. Mas não creio que seja uma surpresa construída ao longo das páginas. É mais uma surpresa inventada no fim para chocar, que tanto podia estar como não, que a estória continuava toda a fazer sentido. Pelo menos foi assim que li. 

 

Conclusão

O facto de ter adorado a abertura e gostado menos no fim, não é de todo para dizer que o livro perde a qualidade à medida que se passam as páginas. A trama prende e o emaranhado de personagens mantém-nos alerta. Se ficaram em dúvida, nada como começar por aqui

 

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29
Ago17

Este blog não é sobre livros #12: Vamos comprar um poeta.

Maria das Palavras

Afonso Cruz - Vamos Comprar um Poeta | Maria das Palavras

 

Não dobrei os cantinhos todos do livro porque o livro não era meu. Pensando melhor, não dobrei os cantinhos todos do livro porque se os dobrasse todos, seria igual a não ter dobrado nenhum. A estória não é extraordinária, mas o conceito, senhores! Um conceito levado ao extremo. A importância do inútil num mundo pragmático. A importância da arte num mundo de números. A importância de saber usar uma metáfora sem lhe chamar mentira. Ou chorar sem medir os mililitros de lágrimas. Quis guardar todas as frases, todas as ideias neste livro que se lê de uma vez só. Guardei só a vontade de ler (ainda mais) Afonso Cruz.

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06
Ago17

Eu nem gosto assim tanto de café...

Maria das Palavras

Café Amargo | Livro Clube do Autor

 

É a pura verdade. Mas este café de ler em vez de beber esperava por mim na estante e iam saindo notícias sobre o sucesso que fez em Itália. Depois a Magda leu e gostou. Neste livro encontrei vários tipos dele e dei por mim a ser apreciadora de vários. A saber: 

 

Café Morno

Começa morno este café. Repousa na chávena e vamos bebendo à espera de melhor. As primeiras páginas não prendem. Muito embora seja um tipo de escrita agradável, a autora descreve muito do que é o contexto económico, histórico e social siciliano logo ao início, quando o que queremos é conhecer melhor as personagens e como se vai afinal desenrolar a trama.

 

Café da Aldeia

É deliciosa a forma realista como sabemos do que se comenta por portas travessas acerca da vida da protagonista. Uma réplica das intrigas e diz-que-disses da vida real, relatada de uma forma única. 

 

Café (efetivamente) Amargo

É quando começamos a perceber para onde vai (e com quem) a vida de Maria que se revela a amargura do enredo. Os desafios em que se verá envolvida fazem-nos sentir que queremos intervir. Aconselhar a menina que à força será uma grande mulher.

Café Intenso

E é aí que o livro pede para ser lido, sem ser largado, progressivamente com mais vontade. É nisto que a autora é boa: a mostrar a força e a evolução da protagonista. A sua relação com os outros. O papel na história da(s) famílias. Maria começa como uma moça que preza a sua instrução, a sua música, a sua liberdade. Mal sabe o que a vida reserva para ela - algumas coisas que sempre estiveram à sua frente e ela não viu e outras que ela sabe mas não quer ver. As pessoas que rodam na sua esfera mereciam cada uma um livro: a mãe, a sogra, o marido ou a sua tia, de tão cheias de personalidade que são.

Pingo de Leite

Que é a minha forma favorita de beber café. Quando se encontra o equilíbrio certo entre a narração histórica (e factual) e a vivência das pessoas e dos sentimentos (ficcional) estou na minha zona de conforto. Aquilo que a meu ver a autora não consegue no início, consegue do meio ao fim com mestria. E continuamos sem querer pousar o livro. 

 

Café Curto 

Que é como quem diz: um italiano. O fim brusco faz-nos desejar mais. Fiquei com sede de um novo livro que narre a vida de Rita. A sua perspetiva de tudo desde a infância ao futuro que vai para além das páginas deste café. Quem é Rita? Leiam e descubram.

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