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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

26
Jun18

Culpa

Maria das Palavras

Parece que a culpa não é só o sentimento que assola as mães e os católicos em geral. É, aliás, o maior problema que tenho desde que fiz esta mudança geográfica. A culpa de não chegar a todos a todo o momento. Ou a culpa de optar por mim, nas ocasiões em que o faço. 

 

Nos dois fins-de-semana anteriores tínhamos acorrido a duas localizações diferentes, todas a mais de 100km da nossa base, a propósito de aniversários (para estar com família, como também fazemos com regularidade, mesmo quando não há bolos com velas à mistura). Neste, não fomos a lado nenhum, mesmo tendo dois convites para aniversários de mini-pessoas que adoramos, da família e de amigos que são como família. Não fomos porque o Moço trabalhava no fim-de-semana, senão certamente a culpa se teria sobreposto à nossa necessidade de descansar, de estar em casa, de fazer nada por ninguém senão por nós. Sendo que por nós também estaríamos sempre rodeados de todas essas pessoas que fazem parte de quem somos, mas vocês entendem. 

 

Porque ele estava a trabalhar e eu decidi adiar os meus afazeres para mais logo, fui até à praia no Sábado de manhã. Estava um dia lindo em Espinho. Calor, sem pinga de vento, até a água tinha temperaturas convidativas. Pensei como seria tão bom se o Moço estivesse ali para aproveitar comigo aquele dia maravilhoso. Depois pensei melhor. Se ele não estivesse a trabalhar também eu não estaria ali. Estaríamos os dois de pé na estrada. Porque não teríamos desculpa, portanto se não fossemos haveria lugar a culpa. 


Quando não há ocasiões especiais conseguimos selecionar melhor os nossos momentos e a regularidade das nossas viagens. Mas quando as há (e são tantas vezes, em pelo menos 3 cidades distantes) não conseguimos evitar fazer o que está ao nosso alcance para não faltar. Por causa da culpa. 

 

E é só idiota da nossa parte. Nós também somos prioridade, como às vezes consigo racionalizar, mas não sempre. Tento lembrar-me: os quilómetros são iguais em percurso inverso e também não culpo quem não arranjou a disponibilidade para vir até à nova cidade a que chamamos de casa ou não pode fazer mais vezes o mesmo caminho que nós fazemos vezes sem conta de sorriso nos lábios.  

 

Mas a culpa, essa filha-da-mãe, tem-nos feito exagerar nas viagens e recusar alguma calma, bem, necessária. A culpa usa a imagem das pessoas de quem gostamos na nossa cabeça e põe-lhes uma expressão de desilusão. A culpa tem de ir para longe, por uma vez, no nosso lugar.

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20
Dez16

Dois dedos de conversa #64

Maria das Palavras

Ou: porque as pessoas acham que sou direta.

 

Amiga: Tens as unhas tão bonitas.

Maria: Obrigada! 

Amiga: As minhas não são nada bonitas.

Maria: Ó deixa ver. [pausa para mirar] Ah, pois não.

 

Em  minha defesa: ela é toda mais bonita, ao menos deixem-me as unhas...

 

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29
Set15

Falemos sobre sexo

Maria das Palavras

Não aqui, talvez não agora. Que este espaço não é dado a ordinarices (ou pelo menos pretende passar-se por inocente, embora tenha sempre a barra da saia cinco dedos acima do recato). Mas fiquei deveras preocupada com algo e queria partilhar este conselho convosco: falem sobre sexo.

 

Falemos sobre sexo | Maria das Palavras - Pixabay Image

 

Fui a uma despedida de solteira que envolvia -  não strippers (oohhh) mas o parente mais próximo tolerado pela noiva - uma sessão de tuppersex. Para quem não sabe, é basicamente uma senhora que vai lá a acasa, ou outro sítio pré-definido, espalha em cima de uma mesa uma quantidade de brinquedos sexuais, acessórios, cremes e cenas para todos os gostos e feitios (e tamanhos, meu Deus!) , fala sobre aquilo, explica, aconselha e, se tudo correr bem, vende alguma coisa.


Eis o problema: ao invés de surgirem questões sobre os objetos mais estranhos e rebuscados em cima da mesa, as meninas tinham muitas dúvidas sobre as coisas mais simples, como lubrificantes, bolas ou balas. Outro problema: se era assustadora a quantidade de meninas (mulheres, aliás) que nunca ouvira falar de quase nada ou nunca tinha entrado numa sex shop (online, que fosse), era igualmente preocupante como muitas vezes a amiga do lado (e nem sempre a "especialista" que comandava a reunião) sabia acudir e responder a dúvidas - só nunca tinham falado sobre isso. Dúvidas que, bem esclarecidas, podiam estar a fazer toda a diferença no estado da relação desta ou daquela (com o/ respetivo/a ou consigo mesma).


Concluí que as pessoas não falam suficientemente sobre sexo. Não se sentem à vontade nem para colocar questões a amigas próximas, nem sequer para falar com os pares, para explorar, ou para pesquisar sozinhas (há por aí uma coisa chamada internet) - algo que podia estar a despoletar muitos...sorrisos.
Os homens vêem pornografia a rodos (sim, todos vêm) e por isso (sim, mesmo o vosso namorado que jura que não) de uma forma ou de outra lá vão conhecendo coisas que podem não se sentir à vontade para vos propor. E nós não queremos morrer estúpidas, certo?

Por isso deixo o conselho de amiga: se pensam que o objeto abaixo se usa no dedo, ...juntem umas amigas e marquem já uma reunião de tuppersex. Ou simplesmente partilhem com alguém próximo as vossas questões e problemas, ou conversem simplesmente. 

 

sex-toys-378988_640 (1).jpg

 

Mesmo que tenham uma vida sexual plenamente satisfatória e saibam que este objeto não é bijuteria de mau gosto comprada no chinês da esquina, falem sobre sexo. Há sempre qualquer coisa para aprender. 

 

E agora retomamos a programação normal do blog, que isto - parecendo que não - é uma casa de família.

 

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