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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

14
Mai19

O mini-limão da sorte.

Maria das Palavras

Já me deparei com esta imagem algumas vezes no Instagram e esbardalho-me sempre a rir com vontade - embora, na verdade, devesse chorar. O mini limão da sorte. 

 

O mini limão da sorte? - Post Instagram

 

Vejamos. Eu reviro os olhos à prática, mas entendo a determinado nível as pessoas que partilham as orações da Nossa Senhora em mensagens de Facebook. É como aquelas correntes que antes deixavam por carta no correio. A partir do momento que a pessoa lê a missiva tem de fazer sete cópias e distribuir ou algo de mau acontecerá. A Ti Firmina ignorou e ganhou hemorróidas. O Asdrúbal cumpriu e encontrou um maço de notas de 10 contos. 

O fenómento "mal não fará" e "que as há, há" (as bruxas) toca muita gente. Portanto apesar desta alminha pragmática que vos fala não se enternecer com esse tipo de promessas de fortuna ou ameaças de azar iminente, consegue tracejar o raciocínio mental de quem cai nisso partilha essas mensagens.

Agora, até para aldrabice e unicórnios deve haver um limite qualquer. Pois partilhem, sim senhor, se vos deixa descansados, a imagem de um trevo, da pata do coelho, da Nossa Senhora da Agrela. Mas o mini-limão da sorte?! O MINI LIMÃO DA SORTE?!

É que quem as inventa já nem se dá ao trabalho de arranjar um ícone de prosperidade minimamente aceitável. Nível de esforço: zero. Podia ter sido um micro-pistacho da felicidade. A feijoada-de-ontem do sucesso. A tecla do comando da boa-aventurança.

 

Não paro de rir (chorar?) a imaginar a pessoa que inventou isto. Epá, limão é muito vulgar...Mas...e se for um mini-limão?! Raismepartam que sou um génio. E 4000 pessoas alinham para receber uma boa notícia. A boa notícia, se a querem, é que a ignorância tem o seu lado bom.

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16
Abr19

Este post não é sobre Notre Dame

Maria das Palavras

 

 
 
 
 
 
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A foto de perfil que ainda hoje tenho no blog (a menina do chapéu) é um recorte desta foto de Notre Dame. Não é a Catedral, é um pequeno edifício à esquerda da fachada principal, quase engolido por árvores. Não sei que edifício é, porque o Google Maps não lhe dá nome e nem no site oficial do monumento consigo chegar a uma descrição. Tanto quanto sei, podem ser as latrinas. Não sei se ardeu (em princípio não). Não interessa ao mundo. Interessa para mim que aqui tenho uma das recordações mais bonitas de uma viagem, pelos olhos do Moço. Uma que foi impressa e pendurada nas paredes do nosso quarto.

 

[Dizem que são estúpidas as pessoas que não alcançam o nível de sofrimento que outros sentem ao ver um monumento histórico a arder. Não creio que seja(m) estúpida(s). A intensidade de uma tragédia, para mim, vive-se na proporção da ligação pessoal que tenho com ela. Portanto talvez até seja cínica, insensível, egoísta. Mas não espero ser julgada porque o incêndio me tocou sem me estragar a noite, da mesma forma que não julgo quem ficou em choque por horas. Lamento sinceramente o incêndio em Notre Dame. Lamento muito mais que as pessoas se insultem (quer os que sofrem pelo monumento, quer os que não sofrem pelo monumento) por não vivermos todos as coisas da mesma maneira.]

 

A catedral diz-me menos. Aquele edifício pequeno ao lado diz-me mais. Sobre esse não sei nada, porque era pequeno e estava tapado pelas árvores e o Google Maps não lhe dá nome. Devem achar tola a preocupação. Só era histórico para mim. 

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06
Abr15

O Post que escrevi sobre as Mulheres

Maria das Palavras

Ocorreu-me numa qualquer conversa com o Moço e apontei no bloco de notas do telemóvel. O bloco de notas do telemóvel serve essencialmente para duas coisas: lembrar-me do que tenho de comprar (açúcar, iogurtes, alho francês) e do que tenho de escrever (tolices minhas, tolices do moço, tolices dos outros). Quando pude dispensar 5 minutos à frente do portátil bati rápido nas teclas: sabia exatamente o quer queria dizer e terminei-o num momento. Publiquei-o sem pensar muito no assunto. E depois a vossa reação foi fabulosa: muitos comentários simpáticos, muitas partilhas, o post mais favoritado de sempre.

 

E fiquei supreendida porque eu sabia que estava a dizer aquilo que todas nós, mulheres, já sabemos e que os homens até desconfiam.

Mas parece que às vezes é mesmo preciso parar para pensar sobre isto. Nós precisamos de parar e pensar que não estamos sozinhas e que não faz mal sermos assim: complexas e únicas. E eles precisam parar para pensar que todas as mulheres que vão encontrar ao longo da vida são donas desta multiplicidade - e que estão à vontade para ver isso como algo adorável. E que, como sugere a letra desta deliciosa música da Clarice Falcão: loucos somos todos, só temos de encontrar o louco à nossa medida.

 

 

 

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