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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

03
Mai19

O busílis da expressão

Maria das Palavras

Tirando o meu problema congénito com vírgulas e uma gralha ocasional, expresso-me muito melhor por escrito do que ao falar.
Ajuda-me a organizar o pensamento e a equilibrar os chakras.
Sabem como faz bem às pessoas desabafar com um amigo? Eu não uso disso. Se algo me encanita e não me deixa concentrar em nada, resolvo a problema escrevendo o que acho sobre o assunto ou o que gostaria de dizer a alguém. Depois, às vezes, deito fora o papel. Depois, às vezes, já nem chego a dizer nada. Depois, muitas vezes, o problema perde importância.

Assim sendo, logicamente, gosto mais de trocar mensagens do que falar ao telefone, por exemplo. Não é porque tenho trejeitos de millenial, antes de termos telemóveis como extensões das mãos já escrevia cartas e bilhetinhos para evitar conversas.

Mas a escrita, tem um grande senão: o tal busílis da expressão.
Ainda mais do que quando falamos para alguém, quando escrevemos para alguém, a pessoa interpreta como quer. Lê com o tom que acha que usámos.
A ironia da mensagem não passa. Ou falamos a sério, mas lêem-nos com ironia. Por exemplo.

A conclusão não é nenhuma. Estou a escrever precisamente porque preciso de escrever sobre isto.
Vou deixar de dar primazia à palavras escrita ou lida sobre a falada? Provavelmente não.
Vou deixar de ser mal interpretada? Provavelmente não.
Isso vai criar problemas? Provavelmente sim.
Nesse caso, escrevo sobre o assunto. Como estou a fazer neste momento.

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07
Set16

Uma foto da semana, se me dar na gana #5

Maria das Palavras

tabuleta herdade da sanguinheira.jpg

 

[Encontrei o Fernando Pessoa numa parede da Herdade da Sanguinheira. Logo na sua-minha voz favorita que é a do pragmático pastor Alberto, de apelido Caeiro. Até nas fotos que gosto de rever, são as palavras que (me) ganham. Vou ali sentir o vento e já volto.]

 

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16
Set15

Amar coisas

Maria das Palavras

Já vos contei que não gosto do uso abusado do verbo amar. Devia haver até uma linha de apoio para pessoas com esse problema. Que amam demais e por isso amam de menos. Amam em cada sms ou telefonema, no fim de uma lista de compras, num papelinho das aulas. E dizer que se ama deixa de ser especial, passa antes a ser sinal de problema que não esteja lá aquela palavra que costuma fazer de ponto final para qualquer "traz-me uma alface".

 

Chego agora à sub-espécie do problema, que é o amarem-se coisas. Amar um livro ou um sabor de gelado. Amar um vestido. "Amei o que fizeste ao cabelo". Amava Apreciava mesmo muito que parassem de amar tudo e mais alguma coisa, a par das pessoas que amam sempre e mais alguma vez. Não gastem a palavra mais intensa do nosso dicionário para exprimir a vossa relação com bolachas Milka ou para dizer que gostam do George Clooney (a não ser que seja a querida da Amal que me está a ler). 

 

O favor que vos peço é este. Amem muito, mas não desgastem nem banalizem a palavra amor.

 

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17
Ago15

Das expressões: Meter o Bedelho

Maria das Palavras

Ri-me como se não houvesse amanhã quando ouvi o meu pai "irritado" com a minha mãe a dizer-lhe:

- Mas tu tens de meter o fedelho em tudo?

Chego a casa e conto ao Moço. Rio-me e pergunto-lhe:


- Sabes o que é que ele queria dizer, certo?

- Sim! Meter o dedelho!

Larguei a rir outra vez. Pior a emenda que o soneto. Ou, para entrar na mesma onda...apetece-me citar aquela anedota em que uma família visita um jardim zoológico (e mata várias expressões populares de uma só tirada):

O filho mais novo diz:
- Olha um 'trigue'!
O irmão mais velho responde indignado:
- Não é nada um 'trigue', é um 'leopoldo'!
A mãe surpreendida pela inteligência comenta:
- Pior a ementa que o cimento!
O pai para concluir tanta inteligência:
- Quem sai aos seus não é de Genebra!

 

Para esclarecer de uma vez por todas, a expressão correta é "meter o bedelho" e é equivalente ao "meter o nariz onde não é chamado". O bedelho é, segundo a Priberam, uma tranqueta de uma porta, ou um pequeno trunfo num jogo de cartas, ou...sinónimo de fedelho!

Portanto o meu pai usou mal a expressão, mas não deixou de ter ali uma coerência e um nível de correção quando substituiu uma palavra por outra. Também encontrei a expressão "meter o dedelho" nalguns sites brasileiros, mas nem consigo perceber se existe mesmo ou são outras pessoas a fazer um uso incorreto da expressão, por isso quem souber melhor que eu, avise.

 

Portanto na dúvida, não metam o bedelho, nem o fedelho, nem o dedelho...nem o nariz...no que não for assunto da vossa lavra.

 

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13
Fev15

N.amor.ado

Maria das Palavras

Costumo dizer que o que nós temos não cabe em palavra nenhuma. Muito menos numa tão feia, de vogais ásperas, cheia de letras, tão comprida mas com significado a menos.

 

Separador coração

 

Bem sabes a história do que me custou anunciar-te à família:

- Vou ao Porto com o meu namndjssdghgc.

Foi mais ou menos assim. A família rebentou em gargalhada com o meu jeito-sem-jeito. Acho que nunca digo a palavra inteira, deste rótulo que parece que não assenta. Digo:

- Este é o Moço.

E espero que percebam que és o meu namoeddubhhhh. Sejam espertos. 


Não é que me envergonhe de ti - caramba, como poderia?! O problema é da estúpida da palavra.

Hoje olhei com mais atenção para o vocábulo a que sou avessa. Reparei na palavra mais pequena (mas infinitamente maior) que esconde. Acho que vou treinar-me a dizê-la. Ou então não.

[o Dia dos Namorados é amanhã , mas o Dia dos Namiujporyfgsj é sempre]

 

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27
Jul14

Uma imagem (não) vale mais que mil palavras

Maria das Palavras

As imagens são capazes de transmitir imagens fortes e num instante, é verdade. Mas as palavras descrevem de forma lenta, deixando-te saborear o cenário e criar na tua cabeça a imagem que quiseres. Não sei de uma imagem que me tenha alguma vez emocionado ou feito sentir tanto como ler um bom livro. Criar uma imagem de forma original é brincar com os elementos da cor e da forma à vontade. Criar com letras e palavras, é ficar constrangido por regras gramaticais e ser original com e apesar destas, o que torna tudo mais rico. 

Birds on a Wire by GramMoo (from DeviantArt)

There’s a bit in there [the movie Words and Pictures] where he talks about the birds on the wire like punctuation for an invisible sentence and that hits you really strongly. But then when you see the birds on the wire, you go ‘Oh, wow!” The two come together and they’re very powerful.

 

Esta frase é do realizador do filme Words and Pictures. Não dava cinco tostões por ele (pelo filma, não pelo homem que nem comheço) e fui vê-lo porque tinha convites para a ante-estreia - já não me lembro sequer do nome em português, mas não o vou procurar, porque a tradução descabida estraga completamente a ideia da história. O trailer tem ares de comédia romântica e não nos dá pista nenhuma sobre as camadas dos atores, nem nos prepara para citações maravilhosas que eu tentei decorar (sem sucesso) enquanto via o filme, como a tal dos pássaros que estão na linha telefónica como se pontuassem uma frase invisível (de John Updike). Fiquei a pensar se não seria o meu filme favorito.

 

Words and Pictures

 

No filme, passado numa escola secundária, quase se geram duas fações, ou equipas, num Palavras VS Imagens. Já devem calcular, pelo nome do blog, se não pelas palavras iniciais que já me traíram que sou toda #TeamWords. Fiquei a pensar se não seria mais criativo e mágico um mundo em que os adolescentes escolhessem ser #TeamWords ou #TeamPictures em vez de #TeamEdward ou #TeamJacob. 

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05
Jul14

Maria das Palavras

Maria das Palavras

Não sou Maria-vai-com-as-outras. Sempre fui do contra, aliás. Sou Sportinguista numa família de benfiquistas, mesmo não tendo idade suficiente para ter visto o Sporting ganhar mais que um par de campeonatos. Portanto não tenho desculpa nenhuma para ser Sportinguista senão o facto de ser do contra.

Ser Maria, neste blog, é até contraditório - contra mim, desta vez. Mas é precisamente porque aqui sou uma de muitas.

Uma blogger num mar de bloggers. Uma mulher num mar de mulheres. Uma apaixonada pelas palavras, sobretudo, por entre tantos que se exprimem de uma forma deliciosa, usando apenas letras desenhadas num ecrã.

 

Sempre fui tão racional que esta minha paixão por palavras nunca conviveu bem com o resto da minha vida. Por isso, ao escrever uma carta sentida a alguém, ao revelar um poema, ao adaptar uma letra de música a pedido, quase sempre quem lia, se surpreendia. Quem é esta Maria das Palavras que vive dentro da moça ponderada, analítica, pés-na-terra que todos conhecem?

 

É a mesma que queria ser professora e escritora, ainda muito menina. Uma menina que ficou para trás e deu lugar a uma mulher responsável, bem sucedida, pragmática, sem tempo para hobbies sem valor.

Como se o único tipo de valor se traduzisse em dinheiro.  

 

A Maria-pragmática apaixonou-se. Deu palavras a um homem que nunca tinha dado a ninguém. E recebeu-as de volta. E lembrou-se do valor que sempre soube que as palavras tinham. Lembrou-se que sempre fora uma Maria das Palavras. E que talvez fosse tempo de a re-descobrir.

 

 


[A Maria das palavras aparentemente deslizou para a terceira pessoa. Vou corrigir, sim? Não sou o Jardel, eu sei.]

 

 

 

 

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01
Jul14

Porque é que eu nunca disse isto?

Maria das Palavras

Queria ter tempo e escrever para o resto da vida. É esse o meu objectivo profissional.

 

Foi uma jornalista e conhecida blogger que o disse, a Catarina Beato

Li esta frase e tive um daqueles momento em que uma luz desce sobre nós - não ao género Simara com os espíritos, nem ao género "a EDP tinha-me cortado a luz e agora voltou". Foi mais: porque é que eu nunca disse isto?

 

A minha vida não pode estar mais longe desta realidade e mais próxima deste desejo.
Tenho um emprego nove-às-seis (quando não é nove-às-oito) e a vida organizada. No outro dia o meu chefe falava-me de uma oportunidade de aprendizagem para mim, de forma a que pudesse abrir a minha própria empresa num futuro não tão longíquo.
E eu dei por mim a não querer isso. Até me questionei se seria falta de ambição. Mas era só a ambição errada, percebo.

 

Posso ser uma excelente profissional no que faço, mas o meu sonho nunca foi ser empresária. O meu sonho é o que disse a Catarina na frase com que abri o post: viver das palavras.

 

Algo que nunca  concebi, porque sempre fui racional demais para acreditar que se pudesse viver de algo que nos dê tanto prazer. 

Dizem os clichés que o futuro começa hoje. Não penso de forma nenhuma viver de um blog, mas começo por este baby step: escrever para os outros, quando na maioria das vezes escrevo só para mim.

Este é um blog sobre a desconstrução de tudo e mais alguma coisa, com a dose de pragmatismo, sarcasmo e pretensão com que me apetecer temperar cada post. Mesmo quando falo muito a sério.

 

Seja o que D(eu)s quiser.

 

 

 

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